Johann August Ernesti

Johann August Ernesti (1707–1781) foi um teólogo, filólogo, educador e reitor alemão da Thomasschule em Leipzig durante o Iluminismo.

Nascido em Tennstedt, Alemanha, Ernesti teve sua formação acadêmica nas universidades de Wittenberg e Leipzig. Nessa última foi notavelmente influenciado pela obra teológica e filosófica de Johann Matthias Gesner. Em 1730, Ernesti assumiu o cargo de reitor da Thomasschule, cargo que ocupou por quase três décadas. Durante sua gestão, implementou diversas reformas, incorporando métodos de ensino contemporâneos e promovendo uma abordagem mais crítica no exame de textos clássicos.

A proeminência de Ernesti é atribuída principalmente às suas contribuições nos campos da gramática e literatura grega e latina. Destacam-se entre suas obras as edições da Opera omnia de Cícero (1737-1745) e da Opera de Tácito (1752). Estas publicações exemplificam o seu compromisso com o avanço de uma metodologia mais rigorosa e científica nos estudos clássicos.

Seu rigor metodológico foi sistematizado na formulação do método histórico-gramatical.

O seu impacto estendeu-se para além da Thomasschule, influenciando profundamente o desenvolvimento dos estudos clássicos não só na Alemanha, mas também em toda a Europa. Considerado um pioneiro na filologia moderna, o legado de Ernesti perdura, com as suas percepções sobre a literatura grega e latina mantendo relevância nos estudos contemporâneos.

Extra Calvinisticum

Extra Calvinisticum é a doutrina de que o Filho eterno mantém sua existência etiam extra carnem (também além da carne) durante seu ministério terreno e perpetuamente.

Embora associada a João Calvino, aparece na literatura patrística, como na cristologia de Agostinho. A doutrina contrasta com a cristologia luterana de que Jesus Cristo é onipresente não só em sua natureza divina, mas também em sua natureza humana, por causa da comunicação de propriedades (communicatio idiomatum) entre essas duas naturezas.

Ephapax

O termo grego ephapax (ἐφάπαξ) significa “de uma vez por todas” ou “de uma só vez”. Aparece cinco vezes no Novo Testamento, sendo utilizado em diferentes contextos teológicos e narrativos. As ocorrências encontram-se em Romanos 6:10; 1 Coríntios 15:6; Hebreus 7:27; Hebreus 9:12; e Hebreus 10:10. Sua análise permite identificar significados específicos de acordo com o contexto literário e teológico.

Romanos 6:10

Em Romanos 6:10, ephapax é usado para descrever a morte de Cristo como um evento único e definitivo em relação ao pecado: “Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus”. O termo ressalta a singularidade do ato redentor de Cristo e sua eficácia no rompimento com o poder do pecado.

1 Coríntios 15:6

Em 1 Coríntios 15:6, o termo é empregado para indicar a manifestação de Cristo ressuscitado a mais de quinhentas pessoas “ao mesmo tempo”. Nesse contexto, ephapax enfatiza a simultaneidade do evento, reforçando a autenticidade e o impacto coletivo da experiência da ressurreição.

Hebreus 7:27

Hebreus 7:27 utiliza ephapax para descrever o sacrifício de Cristo como um ato único em contraste com os sacrifícios repetidos realizados pelos sacerdotes da antiga aliança: “Ele ofereceu sacrifício uma vez por todas, quando a si mesmo se entregou”. O termo sublinha a suficiência e a singularidade do sacrifício de Cristo.

Hebreus 9:12

Em Hebreus 9:12, ephapax refere-se à entrada de Cristo no Santo dos Santos “de uma vez por todas”, não por meio do sangue de animais, mas por meio de seu próprio sangue, obtendo uma redenção eterna. A palavra aqui reforça o caráter definitivo e irrepetível da obra salvífica de Cristo.

Hebreus 10:10

Hebreus 10:10 emprega ephapax para destacar a santificação dos crentes por meio da oferta do corpo de Cristo “de uma vez por todas”. O termo sublinha a abrangência e a permanência da obra de Cristo em relação à santificação.

Considerações Teológicas

O uso de ephapax no Novo Testamento aponta para a singularidade, suficiência e irrepetibilidade dos atos redentores de Cristo. Nos textos de Hebreus, especialmente, o termo serve para contrastar a nova aliança com os rituais repetitivos da antiga aliança, enfatizando a superioridade do sacrifício de Cristo. Em Romanos e 1 Coríntios, o termo reforça a eficácia histórica e escatológica dos eventos da morte e ressurreição de Cristo.

O termo também ilustra o caráter transformador e definitivo da ação divina em Cristo, representando uma ruptura com sistemas anteriores e a inauguração de uma nova era redentora. O estudo de ephapax destaca sua relevância na construção da teologia do Novo Testamento e na compreensão da obra de Cristo.

Distinção Essência-Energias

Na teologia ortodoxa grega, a distinção essência-energias, formulada pelo teólogo bizantino Greório Palamas (1296-1359), discerne um delineamento claro entre a essência (ousia) e as energias (energeia) de Deus.

Essa distinção surgiu como uma resposta aos debates teológicos em torno do hesicasmo e das acusações de heresia de Barlaão da Calábria.

Em termos simplificados, a essência significa a natureza incompreensível de Deus, análoga à essência do Sol, enquanto as energias pertencem às ações manifestas de Deus, semelhantes ao brilho do Sol. Na teologia ortodoxa, essa distinçaõ possibilita uma experiência da presença de Deus sem alterar Sua essência ou a identidade do indivíduo.

A ortodoxia grega e oriental abraça esta distinção como genuína. No entanto, muitos no cristianismo ocidental costumam rotulá-lo como divisiva, além de suspeitarem de um efetivo politeísmo.

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Teologia dos atributos

Enoque Astronômico

O Enoque Astronômico, também conhecido como o Livro dos Luminares Celestiais ou Livro dos Luminares, é um apocalipse judaico pseudepígrafo encontrado nos capítulos 72–82 do livro de 1 Enoque.

Adicionalmente, quatro cópias aramaicas fragmentadas deste texto foram descobertas entre os Manuscritos do Mar Morto. Contém descrições dos movimentos dos corpos celestes e da ordem do universo, com base nas revelações recebidas por Enoque do anjo Uriel. O Enoque astronômico discute as observações do calendário e provavelmente defende a superioridade de um calendário solar de 364 dias. Este texto tem importância teológica e prática para a comunidade de Qumran e fornece uma base escatológica para outros escritos enóquicos.