Elonitas

Os elonitas eram um dos ramos familiares dentro da tribo de Zebulom, descendentes de Elom, um dos filhos de Zebulom (Gênesis 46:14; Números 26:26). A tribo de Zebulom era uma das doze tribos de Israel, com território localizado na região da Galileia.

A família dos elonitas é mencionada nas genealogias tribais para registrar o crescimento e a organização do povo de Israel. Em Números 26, que apresenta um censo das tribos após a praga no deserto, os elonitas são listados como um dos clãs (ou famílias) de Zebulom, juntamente com os sereditas (descendentes de Serede) e os jaleelitas (descendentes de Jaleel).

Ecronitas

Os ecronitas eram os habitantes da cidade filisteia de Ecrom, uma das cinco principais cidades-estado da Filístia, juntamente com Gaza, Asquelom, Asdode e Gate. Ecrom estava localizada na fronteira norte do território filisteu, sendo a mais distante de Gaza e próxima da fronteira com Judá.

Ecrom é mencionada em diversos momentos da narrativa bíblica. Inicialmente, foi designada à tribo de Judá, mas os filisteus mantiveram o controle sobre ela (Josué 13:3; 19:43; Juízes 1:18). Um episódio notável envolvendo Ecrom é o retorno da Arca da Aliança pelos filisteus após sete meses de sua captura. As pragas que afligiram os filisteus foram atribuídas à presença da Arca, e os sacerdotes e adivinhos filisteus aconselharam devolvê-la a Israel, enviando-a em um carro puxado por vacas até Bete-Semes, uma cidade próxima a Ecrom (1 Samuel 5:10-12; 6:1-12).

Durante o reinado de Samuel, houve conflitos entre Israel e os filisteus, e em uma ocasião, os israelitas perseguiram os filisteus derrotados até Ecrom (1 Samuel 7:13-14). Em tempos posteriores, durante o reinado de Acazias de Israel, este consultou Baal-Zebube, o deus de Ecrom, sobre sua doença, o que provocou a repreensão do profeta Elias (2 Reis 1:2-17).

Ecrom também é mencionada em profecias contra a Filístia (Jeremias 25:20; Amós 1:8; Sofonias 2:4; Zacarias 9:5, 7), frequentemente em associação com as outras cidades filisteias, indicando sua importância e seu destino compartilhado nas mudanças políticas e militares da região. Escavações arqueológicas em Tel Miqne, geralmente identificado como a antiga Ecrom, revelaram evidências de uma significativa cidade filisteia com uma cultura distinta e interações comerciais com outras regiões.

Estrutura de Pedra Escalonada

A Estrutura de Pedra Escalonada, situada na encosta oriental da Cidade de Davi, o núcleo original de Jerusalém, representa um dos achados arqueológicos mais intrigantes e debatidos da região.

Descoberta inicialmente por R.A.S. Macalister na década de 1920, a estrutura foi posteriormente escavada e analisada por Kathleen Kenyon na década de 1960 e por Yigal Shiloh nas décadas de 1970 e 1980, revelando uma construção monumental de terraços de pedra que se elevam por aproximadamente 18 metros.

A estrutura consiste em uma série de terraços de pedra maciça, dispostos em forma curva, que se estendem pela encosta. Sua construção demonstra um planejamento complexo e uma execução laboriosa, sugerindo um investimento significativo de recursos e mão de obra. A natureza robusta da estrutura indica que ela desempenhou um papel crucial na organização e defesa da antiga Jerusalém.

A função exata da Estrutura de Pedra Escalonada permanece um ponto de discussão entre os arqueólogos. Diversas teorias foram propostas, incluindo:

  • Muralha de Sustentação: Uma das interpretações mais comuns é que a estrutura serviu como uma enorme muralha de sustentação, projetada para suportar edifícios ou uma fortaleza construída no topo da encosta. Essa hipótese é reforçada pela sua solidez e pela sua localização estratégica. (Dever, William G., What Did the Biblical Writers Know and When Did They Know It?, Eerdmans.)
  • Millo: A estrutura tem sido associada ao termo hebraico “millo” (מִלּוֹא), que significa “aterro” ou “muralha”, mencionado em diversas passagens bíblicas (2 Samuel 5:9; 1 Reis 9:15, 24; 11:27; 1 Crônicas 11:8; 2 Crônicas 32:5). A associação com o millo sugere que a estrutura desempenhou um papel significativo na defesa e na administração da cidade. (Stern, Ephraim, Archaeology of the Land of the Bible, Doubleday.)
  • Reconstrução Hasmoneia: Israel Finkelstein propôs que a estrutura foi parcialmente reconstruída durante o período Hasmoneu (século II a.C.), indicando uma reutilização ou adaptação da estrutura em um período posterior. (Finkelstein, Israel; Silberman, Neil Asher, The Bible Unearthed: Archaeology’s New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred 1 Texts, Simon and Schuster.)  
  • Complexo Real: Interpretações recentes, como as de Eilat Mazar, sugerem que a Estrutura de Pedra Escalonada fazia parte de um complexo real maior, integrado à Estrutura da Grande Pedra. Esta teoria implica que as duas estruturas funcionavam em conjunto, servindo como base para um palácio ou centro administrativo.

Entrada Triunfal

A Entrada Triunfal, evento crucial no ministério de Jesus, marca seu ápice ao chegar a Jerusalém, conforme narrado nos Evangelhos (Mateus 21:1–11; Marcos 11:1–11; Lucas 19:28–40; João 12:12–19), inaugurando a Paixão. Os relatos compartilham elementos como Jesus montado em um jumento, a multidão estendendo vestes e ramos, e aclamações entusiásticas.

Em Marcos, o jumento não montado, possivelmente aludindo a Zc 9:9, simboliza um uso sagrado, e a ausência de títulos messiânicos pode refletir o “segredo messiânico” do evangelho, sugerindo que a multidão não compreendia plenamente a identidade de Jesus. A conclusão de Marcos, com Jesus entrando no templo e saindo, destaca a cronologia sobre convenções narrativas.

Mateus enfatiza o cumprimento de Zc 9:9, com uma paráfrase que se desvia do texto hebraico e da Septuaginta para focar na humildade de Jesus. A menção de dois animais, um jumento e um jumentinho, interpreta o paralelismo de Zc 9:9, embora discutível. O papel destacado das multidões, ambivalentes quanto a Jesus, reflete a complexidade da resposta judaica.

Lucas identifica a multidão como discípulos, diferenciando-os dos que rejeitam Jesus. A paz, tema central, ecoa profecias anteriores e contrasta com a destruição de Jerusalém, prevista por Jesus por não reconhecê-lo como rei.

João posiciona a paráfrase de Zc 9:9 após as aclamações, indicando que a compreensão da profecia ocorreu após a glorificação de Jesus. A multidão, atraída pelo milagre da ressurreição de Lázaro, aclama Jesus como Rei de Israel.

O pano de fundo do Antigo Testamento, especialmente Zc 9:9, molda a compreensão da entrada triunfal, com temas de realeza, paz e julgamento. Gênesis 49:11, 2 Reis 9:1–13 e Salmos 118:25–26 fornecem outros paralelos.

No contexto greco-romano, a entrada triunfal ecoa celebrações de heróis vitoriosos, com elementos como vitória prévia, entrada cerimonial, aclamações e entrada no templo.

A historicidade do evento, apesar das diferenças nos Evangelhos, é defendida por múltiplos testemunhos, coerência narrativa e plausibilidade no contexto do Antigo Testamento.

Teologicamente, a entrada triunfal revela a chegada do reino e do rei a Jerusalém, um prelúdio irônico da crucificação, cumprindo profecias de julgamento e redenção. A tensão entre aceitação e rejeição permite explorar a glória paradoxal de Jesus ao abraçar a cruz.

Elyon

Em hebraico, עֶלְיוֹן (Elyon), traduzido frequentemente como “Altíssimo”, refere-se a uma designação divina presente em diversos textos bíblicos, com nuances contextuais significativas.

Em Gênesis 14:18-20, Melquisedeque, sacerdote de El-Elyon (אֵל עֶלְיוֹן, embora em português haja uma assonância, as consoantes inicias são distintas em hebraico), abençoa Abrão, identificando El-Elyon como criador dos céus e da terra. Este trecho, juntamente com Salmo 76:2, sugere uma conexão entre Elyon e Sião. A equivalência de Elyon com Yahweh é observada em outros locais bíblicos, enquanto fontes externas, como Filo de Biblos citado por Eusébio, indicam Elioun (grego hupsistos) como uma divindade fenícia, e um deus chamado Elyn aparece ao lado de El em um tratado aramaico do século VIII a.C. de Sefire, na Síria.

Em Deuteronômio 32:8-9, a Septuaginta e os Manuscritos do Mar Morto revelam que Elyon distribuiu as nações, estabelecendo fronteiras de acordo com o número dos filhos de Deus, reservando Javé como herança de Jacó. O Texto Massorético, possivelmente por desconforto com essa teologia menos monoteísta, substitui “filhos de Deus” por “filhos de Israel”, refletindo uma alteração antipoliteísta. Salmos 73:11 e 107:11 expressam dúvidas sobre o conhecimento de El e Elyon, enquanto Salmos 18:13 e 21:7 associam Elyon a Yahweh, destacando sua voz e amor constante. Salmo 47:2 proclama Yahweh, o Elyon, como rei sobre toda a terra.

Salmo 82:6 apresenta os deuses como “filhos do Altíssimo”, sugerindo uma tradição onde Javé, embora filho de Elyon (possivelmente El), assume o papel de governante das nações. A imagem de Javé como deus da tempestade, presente no Salmo 18, mescla características de El e Baal, indicando uma sincretismo religioso. A designação “Elyon” parece referir-se a El, o presidente da assembleia divina, tanto em Ugarite quanto no Salmo 82, embora a tradição posterior tenha tendido a identificar Elyon com Javé.