Moloque

Moloque (em grego: Μολόχ; em hebraico: מֹלֶךְ) é uma figura controversa do Antigo Testamento, associada a práticas de sacrifício de crianças. Sua natureza exata, no entanto, é objeto de debate entre os estudiosos.

Tradicionalmente, Moloque é apresentado como um deus específico, a quem crianças eram oferecidas em sacrifício. Essa visão é reforçada por passagens bíblicas que condenam o culto a Moloque e o sacrifício de crianças (Levítico 18:21, 20:2-5; 2 Reis 23:10; Jeremias 32:35).

No entanto, alguns estudiosos propõem que “Moloque” não seria o nome de uma divindade específica, mas sim um título ou epíteto usado para se referir a um deus ou a um rei. A palavra hebraica mlk (מלך), que forma a raiz do nome Moloque, significa “rei”. Essa hipótese sugere que Moloque poderia ser um título usado para designar o rei de um determinado povo, como os amonitas, ou ainda um epíteto para um deus associado à realeza, como Baal ou Chemosh.

Essa interpretação é apoiada por evidências textuais e arqueológicas. Em algumas inscrições antigas, a palavra mlk aparece em contextos que sugerem um título real ou divino, e não o nome de uma divindade específica. Além disso, a prática de sacrifícios de crianças era comum em várias culturas do antigo Oriente Próximo, e não necessariamente ligada a uma única divindade.

Meribá

Meribá, que significa “contenda” ou “discussão” em hebraico (מְרִיבָה, merivah), é o nome dado a dois lugares distintos no Antigo Testamento, ambos associados a eventos em que o povo de Israel questionou Moisés e a provisão de Deus.

O primeiro Meribá, também chamado de Massá (“provação”), localiza-se próximo a Refidim, no deserto do Sinai (Êxodo 17:1-7). Ali, o povo, sedento, reclamou com Moisés sobre a falta de água. Moisés, por ordem de Deus, feriu uma rocha em Horebe com seu cajado, fazendo jorrar água para saciar a sede do povo. O local foi chamado de Meribá por causa da “contenda” do povo com Moisés e de Massá porque eles “provaram” o Senhor, duvidando de sua capacidade de suprir suas necessidades.

O segundo Meribá, perto de Cades, no deserto de Zim (Números 20:1-13), também foi palco de um evento similar. O povo, mais uma vez sedento, questionou Moisés e Arão. Deus ordenou a Moisés que falasse à rocha para que produzisse água, mas Moisés, irado, feriu a rocha duas vezes com seu cajado. A água jorrou, mas Deus repreendeu Moisés por sua desobediência e falta de fé, impedindo-o de entrar na Terra Prometida. Este local também foi chamado de Meribá devido à “contenda” do povo com Moisés e com Deus.

Os eventos em Meribá revelam a tendência do povo de Israel à murmuração e à desconfiança em Deus, mesmo após testemunhar milagres e livramentos.

Monte Horebe

O Monte Horebe, também conhecido como Monte Sinai (Jebel Musa, “Monte de Moisés” em árabe), é um local de importância religiosa para o judaísmo, cristianismo e islamismo. A identificação precisa do local exato permanece debatida, mas a tradição o situa na Península do Sinai, no Egito.

O Antigo Testamento cristão descreve o Monte Horebe como o lugar onde Moisés recebeu as Tábuas da Lei, contendo os Dez Mandamentos (Êxodo 3:1; 19-20). Foi ali que Deus se revelou a Moisés na sarça ardente (Êxodo 3) e estabeleceu a aliança com o povo de Israel. O nome Horebe é usado de forma intercambiável com Sinai, embora alguns estudiosos sugiram nuances de significado, com Horebe enfatizando a natureza árida e desolada do local, enquanto Sinai destaca a presença divina.

A importância do Monte Sinai se estende além do Pentateuco. No livro de Reis, o profeta Elias busca refúgio no Monte Horebe (1 Reis 19), onde tem um encontro com Deus. Essa passagem reforça a associação do monte com a presença divina e a revelação.

A tradição cristã também reverencia o Monte Sinai como um local sagrado, ligando-o à história de Moisés e à entrega dos Dez Mandamentos. O Mosteiro de Santa Catarina, localizado no sopé do monte, é um dos mais antigos mosteiros cristãos ainda em funcionamento e abriga uma rica coleção de manuscritos antigos.

No Islã, o Monte Sinai (Jabal al-Ṭūr) é considerado um dos locais mais sagrados, associado à revelação divina a Moisés (Musa) e à entrega das Tábuas.

Mar Morto

O Mar Morto, corpo de água com alta salinidade localizado na região do Vale do Jordão, entre Israel e a Jordânia, é um dos lugares mais singulares do planeta. Sua superfície está situada aproximadamente 430 metros abaixo do nível do mar, tornando-o o ponto mais baixo da Terra em terra firme.

Na Bíblia, o Mar Morto é mencionado sob diferentes nomes, refletindo sua natureza e localização. É chamado de ים המלח (Yam HaMelah), “Mar de Sal” em hebraico (Números 34:3), devido à sua alta concentração de sal, que impede a proliferação de vida marinha. Também é conhecido como ים הערבה (Yam HaArava), “Mar da Arabá” (Deuteronômio 3:17), em referência à região do Vale do Arabá, onde está situado.

O Mar Morto é citado em diversas passagens bíblicas, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. No Antigo Testamento, é mencionado como limite da Terra Prometida (Números 34:3) e como local de eventos significativos, como a destruição de Sodoma e Gomorra (Gênesis 14). No Novo Testamento, o Mar Morto não é mencionado diretamente, mas sua região é associada a eventos como o ministério de João Batista, que pregava no deserto da Judeia, próximo ao Mar Morto (Mateus 3:1).

A alta salinidade do Mar Morto, cerca de 34%, torna-o inabitável para a maioria dos organismos, com exceção de alguns microorganismos halófilos. Essa característica peculiar contribuiu para sua designação como “morto”. Apesar da ausência de vida marinha convencional, o Mar Morto é uma fonte de minerais valiosos, utilizados em produtos cosméticos e terapêuticos.

Mitra

Mitra (מִצְנֶפֶת, mitz’nephet; μίτρα, mitra) designa uma cobertura para a cabeça com características e significados distintos ao longo do tempo.

No Antigo Testamento, o termo hebraico mitz’nephet referia-se a um tipo de turbante ou diadema usado pelo sumo sacerdote de Israel (Êxodo 28:4, 37, 39; Levítico 8:9). Este adorno, confeccionado em linho fino, simbolizava a santidade e a autoridade do sumo sacerdote em seu serviço perante Deus. É importante notar que mitz’nephet difere de migba’ah (מִגְבָּעָה), termo usado para os chapéus dos sacerdotes comuns.

A palavra grega mitra (μίτρα), embora apareça na Septuaginta para traduzir mitz’nephet, tinha originalmente um significado mais amplo no mundo greco-romano, referindo-se a uma faixa de cabeça, cinto ou, em alguns casos, um tipo de turbante.

A transição da mitz’nephet bíblica para a mitra episcopal cristã ocidental– um chapéu alto e pontiagudo, frequentemente bipartido – é um desenvolvimento complexo e não totalmente documentado nos primeiros séculos do cristianismo. Não há evidências diretas do uso da mitra como adorno episcopal distintivo antes do século XI. A mitra episcopal, tal como se desenvolveu na tradição ocidental, provavelmente evoluiu de toucados cerimoniais usados por autoridades civis e religiosas, adquirindo gradualmente sua forma característica e simbolismo litúrgico. A partir do século XII, a mitra tornou-se um símbolo amplamente reconhecido da autoridade episcopal na Igreja Católica e, posteriormente, em algumas igrejas da Reforma.