Onri

Onri (עָמְרִי, ʿOmri), cujo nome significa “Javé é minha vida”, foi o sexto rei de Israel, governando por 12 anos (885-874 a.C.) após um período de guerra civil (1Rs 16:23). Embora a Bíblia não forneça detalhes sobre sua ascendência, Onri demonstrou grande habilidade política e militar, consolidando o reino e estabelecendo uma dinastia que duraria quatro gerações.

Onri subiu ao poder após a morte de Zimri, que havia assassinado o rei Elá (1Rs 16:16-22). Após superar a oposição de Tibni, outro pretendente ao trono, Onri estabeleceu a capital em Samaria, uma cidade estrategicamente localizada e facilmente defensável (1Rs 16:24).

Onri também é mencionado em textos assírios e na Pedra Moabita, que atestam seu poder e influência na região. Apesar de seus feitos políticos e militares, a Bíblia critica Onri por “fazer o que era mau aos olhos do Senhor” (1Rs 16:25), mantendo a idolatria e a desobediência aos mandamentos divinos.

Após sua morte, Onri foi sepultado em Samaria e sucedido por seu filho, Acabe (1Rs 16:28).

Ordo Salutis

O conceito de ordo salutis (latim para “ordem da salvação”) em alguns sistemas teológicos (notoriamente na teologia reformada) refere-se à sequência teológica pela qual a redenção alcançada por Cristo é aplicada aos indivíduos por meio do Espírito Santo. Embora as tradições cristãs o tenham desenvolvido de maneiras diversas, o termo é geralmente usado para descrever os processos e etapas da salvação em termos cronológicos, lógicos ou teleológicos.

O fundamento do ordo salutis frequentemnte aparece associado à passagem de Romanos 8:29-30:

“Porque os que Deus de antemão conheceu, também os predestinou […] aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou.”

Este texto apresenta uma série de conceitos relacionados à aplicação da salvação. A passagem descreve elementos como predestinação, chamado, justificação e glorificação, que foram organizados de maneiras diferentes por pensadores ao longo da história.

HISTÓRIA

Agostinho de Hipona deu contribuições significativas ao estudo da salvação ao enfatizar a graça interna. Para Agostinho, conceitos como regeneratio (regeneração) e sanctificatio (santificação) estavam intrinsecamente ligados à justificação. No entanto, Agostinho não desenvolveu um ordo salutis sistemático, utilizando os termos de maneira intercambiável.

Na Reforma, o conceito começou a ser sistematizado. Reformadores como João Calvino sublinharam a soberania de Deus na salvação e destacaram elementos como predestinação, chamado eficaz, justificação e santificação. Posteriormente, luteranos como Abraham Calov e Johann Quenstedt forneceram um tratamento mais detalhado, incluindo elementos como conversão, fé justificante e união mística.

John Murray (século XX) elaborou uma sequência detalhada, incluindo chamada, regeneração, conversão, justificação, adoção, santificação, perseverança e glorificação. Ele enfatizou que essas etapas são distintas, mas inter-relacionadas. Por outro lado, críticos como Karl Barth questionaram a segmentação temporal do processo, preferindo uma visão teleológica em que justificação e santificação ocorrem simultaneamente.

Ordo Salutis e Via salutis

O conceito de via salutis (“caminho da salvação”) oferece uma abordagem menos linear e mais processual, frequentemente associada a tradições como o metodismo. John Wesley, por exemplo, enfatizou a via salutis como um caminho contínuo que inclui graça preveniente, justificação, regeneração, santificação inicial e santificação plena. Enquanto o ordo salutis tende a focar nos aspectos objetivos da aplicação da salvação, a via salutis destaca a jornada do crente e seu crescimento espiritual.

Kenneth J. Archer propôs que a via salutis é mais adequada ao pentecostalismo, enfatizando uma experiência dinâmica e contínua da obra salvífica, enquanto Randy Maddox argumenta que Wesley rejeitou a rigidez do ordo salutis da escolástica reformada, preferindo um processo pastoral de graça responsável.

Críticas

Teólogos como G.C. Berkouwer criticaram o ordo salutis por concentrar-se excessivamente na experiência subjetiva do crente, correndo o risco de obscurecer a soberania da graça divina. Ele argumentou que a ênfase nas etapas pode criar a impressão de que a salvação depende da ação humana, em vez da iniciativa divina.

Outros, como O. Weber, rejeitaram sequências temporais rígidas, temendo que a justificação fosse desvalorizada ao ser tratada como apenas uma fase entre outras. Por outro lado, defensores do ordo salutis, como Louis Berkhof, insistem que ele descreve a obra de Deus na vida do pecador, oferecendo um quadro lógico para compreender os movimentos do Espírito Santo.

Orebe

Orebe (עֹרֵב, orev) é um dos príncipes dos midianitas que foram derrotados e mortos pelos efraimitas sob Gideão, o juiz de Israel. O relato é encontrado em Juízes 7:25 e 8:3. Após a derrota militar dos midianitas, Orebe foi executado em um local denominado posteriormente como “Rocha de Orebe”. Outro chefe midianita, Zeebe foi executado no “lagar de Zeebe,” também nomeado em referência a este evento.

A Rocha de Orebe é mencionada também em Isaías 10:26. Aparece como uma referência literária que rememora a derrota de Orebe e, por extensão, simboliza o julgamento divino sobre os inimigos de Israel. Embora a localização exata da Rocha de Orebe não seja identificada com precisão, o nome carrega significado memorial para a vitória concedida por Deus ao povo de Israel.

Daniel C. O. Opperman

Daniel Charles Owen Opperman (1872–1926) foi um pioneiro pentecostal.

Opperman nasceu em Clinton Township, Elkhart County, Indiana em uma família da Igreja dos Irmãos Batistas Alemães, conhecidos como “Dunkards”. Após a morte de seu pai em 1887, assumiu a responsabilidade pela fazenda da família e pelo sustento de sua mãe viúva e irmãos.

Opperman estudou em várias instituições, incluindo Manchester College em North Manchester, Indiana, e Brethren College em Mount Morris, Illinois. Em 1899, ingressou no Moody Bible Institute em Chicago, onde entrou em contato com os ensinamentos de John Alexander Dowie, fundador da cidade de Zion, Illinois. Tornou-se membro da Igreja Católica Apostólica Cristã de Dowie e, posteriormente, dirigiu o programa educacional da cidade de Zion.

Casou-se com Ella Syler em 1900, que faleceu em 1901, após o nascimento de seu filho, Daniel Paul. Apesar da perda, continuou a ensinar e evangelizar.

Em 1905, devido a um diagnóstico de tuberculose, mudou-se para o Texas em busca de um clima mais favorável à sua saúde. Lá, conheceu Charles F. Parham, figura central do movimento pentecostal, e passou a pregar a mensagem pentecostal, incluindo cura divina e batismo no Espírito Santo. Recebeu o batismo no Espírito Santo em 13 de janeiro de 1908, em Belton, Texas.

A partir de 1909, Opperman organizou uma série de escolas bíblicas de curto prazo em diversas localidades do Meio-Oeste e Sul dos Estados Unidos. Essas escolas ofereciam treinamento prático em ministério e estudo das Escrituras, sem cobrança de mensalidades ou taxas, e influenciaram a criação de instituições educacionais pentecostais permanentes.

Opperman foi membro fundador das Assembleias de Deus em 1914, onde atuou como vice-presidente. Em 1916, retirou-se devido a diferenças teológicas e assumiu a liderança do movimento pentecostal unicista, presidindo a Assembleia Geral das Assembleias Apostólicas e fundando a primeira escola bíblica pentecostal unicista em Eureka Springs, Arkansas.

Opperman exerceu impacto por meio de seu trabalho educacional e formação de líderes. Faleceu em um acidente envolvendo um automóvel e um trem em Baldwin Park, Califórnia, enquanto viajava para pregar em um culto noturno.