Paluítas, clã familiar descendente de Palu, filho de Rúben. Números 26:5.
Categoria: P
Johanna Eleonora Petersen
Johanna Eleonora Petersen, nascida von Merlau (1644 – 1724) foi uma escritora, teóloga e líder do pietismo radical alemão.
Nascida em Frankfurt am Main, era a segunda de quatro filhas de Georg Adolph von Merlau, um oficial da corte, e de Sabina Ganß von Utzberg. Durante a Guerra dos Trinta Anos, sua família buscou refúgio em Frankfurt, mas posteriormente dividiu-se entre propriedades rurais em Merlau e Philippseck, enfrentando dificuldades econômicas. Após a morte de sua mãe, Johanna Eleonora assumiu responsabilidades domésticas ainda jovem.
Aos doze anos, ingressou como dama de companhia no serviço de famílias nobres. Inicialmente, trabalhou para a condessa Eleonora von Solms-Rödelheim, onde relatou ter enfrentado maus-tratos. Posteriormente, foi empregada pela duquesa Anna Margarete von Hessen-Homburg, atuando por 14 anos em funções domésticas e cerimoniais. Durante esse período, sua devoção religiosa se intensificou, estabelecendo laços com figuras influentes, como Benigna von Solms-Laubach. Uma tentativa de casamento com um oficial militar foi desfeita, e uma proposta de união com o pastor Johann Winckler foi rejeitada por seu pai.
Em 1672, conheceu os líderes pietistas Philipp Jacob Spener e Johann Jakob Schütz, com quem manteve correspondência. Depois de encerrar seu serviço na corte, mudou-se para Frankfurt, onde residiu no Saalhof com Maria Juliane Baur von Eyseneck. Juntas, organizaram reuniões inspiradas nos Collegia pietatis de Spener, voltadas para a prática de uma vida cristã mais austera. As atividades atrairam críticas, levando temporariamente à expulsão de Johanna Eleonora de Frankfurt.
Em 1676, conheceu o teólogo Johann Wilhelm Petersen, com quem se casou em 1680. A união marcou o início de uma vida conjunta dedicada à escrita teológica e ao apoio mútuo em meio a controvérsias religiosas. Johann Wilhelm enfrentou acusações de heresia e foi destituído de cargos eclesiásticos, levando o casal a buscar refúgio em propriedades de amigos nobres. Durante esse período, Johanna Eleonora escreveu várias obras, muitas vezes em colaboração com o marido.
Seu primeiro livro publicado, Gespräche des Hertzens mit Gott (1689), reunia meditações bíblicas e incluía uma autobiografia inicial, que mais tarde foi ampliada e tornou-se referência para autobiografias pietistas. Entre suas obras mais notáveis estão Anleitung zu gründlicher Verstandniß der Heiligen Offenbarung Jesu Christi (1696), um comentário sobre o Apocalipse que articulava a expectativa de um Milênio, e Das ewige Evangelium der allgemeinen Wiederbringung aller Creaturen (1698), que defendia a doutrina da apocatástase. Suas publicações posteriores concentraram-se em interpretações meditativas da Bíblia.
Johanna Eleonora Petersen faleceu na propriedade de Thymern, perto de Lübars.
Pelagianismo
O pelagianismo é um conjunto de ideias, tidas como heréticas, atribuídas a Pelágio e seus seguidores.
As caracterizações do pelagianismo vêm dos escritos de Agostinho e das condenações dos concílios de Cartago.
O concílio de Cartago de 416 d.C. condenou as doutrinas de Celéstio, um seguidor de Pelágio. Segundo a condenação, Celéstio sustentava que o pecado de Adão não teve impacto sobre a humanidade e que os seres humanos poderiam viver sem pecado sem a ajuda divina. Esse concílio representou uma rejeição inicial das ideias sobre o pecado original e a graça.
O concílio de Cartago de 418 d.C. foi mais categórico em sua condenação, estabelecendo vários cânones que rejeitavam explicitamente as doutrinas atribuídas. O Cânon 1 negou que Adão tenha sido criado mortal independentemente do pecado, afirmando que a morte entrou no mundo por meio do pecado. O Cânon 2 declarou que os recém-nascidos precisam do batismo para a remissão dos pecados devido ao pecado original herdado. O Cânon 4 condenou a ideia de que a graça justificadora se limita ao perdão de pecados passados, destacando a necessidade da graça para a realização de qualquer boa ação. O concílio afirmou que a salvação depende inteiramente da graça de Deus e que os seres humanos não podem alcançar a justiça por seus próprios esforços, como se tal ideia foi doutrina de Pelágio.
Posteriormente, o papa Zósimo, que inicialmente hesitou, acabou por apoiar as decisões tomadas em Cartago após a pressão dos bispos africanos. Emitiu uma encíclica condenando Pelágio e Celéstio.
Bonner argumenta que o “pelagianismo” foi uma construção artificial, um conjunto de ideias atribuídas a Pelágio sem correspondência em seus escritos. Seus ensinamentos se alinhavam à tradição ascética preexistente, que defendia a capacidade humana para a virtude e o livre-arbítrio efetivo, como visto em autores como Atanásio (Vida de Antônio), Jerônimo e Teodoreto de Ciro.
BIBLIOGRAFIA
Beck, John H. “The Pelagian Controversy: An Economic Analysis.” American Journal of Economics and Sociology 66, no. 4 (2007): 681–96. [invalid URL removed].
Bonner, Ali. The Myth of Pelagianism. Oxford, UK: Oxford University Press, 2018.
Ferguson, John. Pelagius: A Historical and Theological Study. Cambridge: W. Heffer & Sons, 1956.
Scheck, Thomas P. “Pelagius’s Interpretation of Romans.” In A Companion to St. Paul in the Middle Ages, edited by Steven Cartwright, 79–114. Leiden: Brill, 2012.
Pirkei de Rabi Eliezer
Pirkei DeRabi Eliezer, também conhecido como Pirkei de-Rabi Eliezer é uma obra midrashica do final do século VIII ou início do século IX dC. Consiste de uma literatura parabíblica com interpretações e expansões da narrativa bíblica, desde Gênesis até Números. Embora atribuída a Rabi Eliezer ben Hyrcanus, sua autoria permanece incerta. A obra, caracterizada por sua estrutura não linear e estilo sermônico, entrelaça temas como ética, costumes judaicos, lendas e cálculos cosmológicos.
A jornada se inicia com a história de Rabi Eliezer, seguida por uma exploração dos seis dias da criação, ecoando Gênesis 1. O midrash mergulha então nas narrativas de Adão e Eva, o Jardim do Éden, e a serpente identificada com Samael, expandindo sobre Gênesis 2-3. A obra avança pelas gerações, abordando a Torre de Babel e a dispersão dos povos, baseando-se em Gênesis 11.
A saga de Abraão é recontada, destacando seus “dez testes” e a aliança com Deus, entrelaçando Gênesis 12-25. Episódios como a história de Judá e Tamar são omitidos. Em contraste, a história de Ester recebe atenção detalhada. A narrativa prossegue com Moisés, o Êxodo, e a revelação divina no Sinai , expandindo Êxodo 1-24 e 33-34. A obra culmina com o pecado de Baal-Peor e a coragem de Fineias, referenciando Números 25.
Pirkei DeRabbi Eliezer se destaca por sua inclusão de tradições não rabínicas e elementos da literatura apócrifa do período do Segundo Templo. Um exemplo notável é a identificação dos “filhos de Deus” em Gênesis 6:1 com os anjos caídos, um tema recorrente em textos como 1 Enoque 22. Essa característica singular coloca a obra em diálogo com a literatura pseudoepígrafa, demonstrando que o cânone rabínico não era exclusivo.
BIBLIOGRAFIA
https://www.sefaria.org/Pirkei_DeRabbi_Eliezer?tab=contents
Adelman, R. (2009). The return of the repressed : Pirqe de-Rabbi Eliezer and the Pseudepigrapha: Vol. v. 140. Brill.
Pecado Original
A doutrina do pecado original, na teologia cristã agostiniana, afirma que a transgressão de Adão e Eva no Éden deixou uma marca indelével herdada na humanidade. Todos herdam uma natureza pecaminosa, inclinada ao mal, e a culpa da desobediência original, sendo essa natureza transmitida por ato sexual (seminalismo de Agostinho) ou por consequência legal (Grócio).
O pecado original, presente desde o nascimento, corrompe a vontade humana e impede a busca natural pelo bem. A concupiscência, o desejo desordenado, é uma manifestação dessa natureza decaída. O pecado original separa a humanidade de Deus e torna necessária a graça divina para a salvação. Essa doutrina influenciou o batismo infantil e gerou debates sobre graça e livre-arbítrio. No entanto, críticas apontam para a inconsistência da culpa herdada com a responsabilidade individual.
