Aristotle Papanikolaou

Aristotle Papanikolaou é teólogo e acadêmico especializado em cristianismo ortodoxo contemporâneo. Atua como Professor de Teologia e ocupa a Cátedra Arquidiocesana Demetrios em Teologia e Cultura Ortodoxa na Fordham University. É também cofundador e diretor do Orthodox Christian Studies Center da mesma instituição, que promove estudos sobre o cristianismo ortodoxo.

Nascido em Chicago, Illinois, Papanikolaou graduou-se em Artes pela Fordham University em 1988. Continuou sua formação teológica na Holy Cross Greek Orthodox School of Theology, onde concluiu um Master of Divinity em 1991. Em 1998, obteve o doutorado pela University of Chicago, com foco em teologia ortodoxa contemporânea.

A pesquisa de Papanikolaou examina as relações entre a teologia ocidental e as tradições ortodoxas. Entre suas principais obras estão: Being with God: Trinity, Apophaticism, and Divine-Human Communion (2006) e The Mystical as Political: Democracy and Non-Radical Orthodoxy (2012), ambas publicadas pela Notre Dame University Press. Sua produção acadêmica aborda temas como teologia política, a relação entre ortodoxia e democracia liberal, e os impactos da modernidade no pensamento ortodoxo.

Em 2012, recebeu o Award for Excellence in Undergraduate Teaching in the Humanities da Fordham University. Além de suas atividades docentes, atua como mentor e participa de iniciativas educacionais e projetos de extensão promovidos pelo Orthodox Christian Studies Center.

Papanikolaou propõe uma abordagem não radical à teologia política ortodoxa, explorando possibilidades de compatibilizar crenças tradicionais com princípios democráticos contemporâneos. Argumenta que o apoio da ortodoxia à democracia liberal pode ser sustentado dentro de seus próprios marcos teológicos, questionando interpretações que apresentam essas ideias como incompatíveis.

Sob sua liderança, o Orthodox Christian Studies Center desenvolveu projetos que abordam questões relevantes à comunidade ortodoxa, como direitos humanos e diversidade sexual. O centro também colabora em iniciativas internacionais, incluindo o Bridging Voices Project, promovido pelo British Council, que discute a identidade ortodoxa frente às transformações sociais.

Em 2024, Papanikolaou foi nomeado Alum of the Year pela Divinity School da University of Chicago, em reconhecimento por suas contribuições à teologia e ao estudo do cristianismo ortodoxo.

Pentecostal Church of God

A Igreja Pentecostal de Deus (Pentecostal Church of God, ou PCG) é uma denominação pentecostal da Obra Plena, com sede em Bedford, Texas, Estados Unidos.

A PCG foi originalmente estabelecida como Assembleias Pentecostais dos EUA (Pentecostal Assemblies of the USA) em uma reunião realizada em 29 e 30 de dezembro de 1919, na Missão Pentecostal Herald, de George Brinkman, em Chicago. Entre os fundadores estavam ministros que rejeitaram a afiliação ao Concílio Geral das Assembleias de Deus, estabelecida em 1914, devido a divergências sobre adotar uma declaração doutrinária de 1916. Recebeu influências de William Durham e William Piper, além de seus quadros iniciais terem sido participantes da rede servida por esses dois pioneiros.

John Sinclair foi eleito o primeiro presidente da organização, e um comitê executivo foi formado para supervisionar as atividades iniciais. Entre os principais participantes e pioneiros estavam George Brinkman, Edward Matthews, John B. Huffman, Silas Shepard, Osborn Gilliland, Rik Field, A.D. McClure, Alfred Worth, e outros. Em 1922, a organização foi renomeada com a designação atual. Em 1934, a denominação adicionou “of America” ao seu nome oficial, mas este foi retirado em 1979.

Desde o início, a PCG adot uopolíticas liberais para ordenação, adesão de membros e questões relacionadas a divórcio e novo casamento entre os ministros. Destacou-se também por sua diversidade, sendo um dos membros fundadores, W.C. Thompson, um pastor afro-americano, e a primeira ministra ordenada, Ida Tribbett, uma mulher.

A denominação rapidamente adquiriu equipamentos de impressão e, em 1927, começou a publicar a revista oficial, The Pentecostal Messenger, consolidando sua capacidade de evangelização e comunicação. No ano seguinte, fundou a Associação de Jovens Pentecostais (Pentecostal Young People’s Association), com foco na evangelização da juventude.

Por um tempo, a PCG experimentou rápido crescimento. Foi uma das denominações de maior expansão nos Estados Unidos em meados do século XX. Embora suas atividades em missões estrangeiras fossem limitadas, a denominação desenvolveu ministérios extensivos entre povos indígenas norte-americanos.

A sede foi transferida diversas vezes ao longo dos anos: de Chicago para Ottumwa, Iowa, em 1927; para Kansas City, Missouri, em 1933; para Joplin, Missouri, em 1951; e finalmente para Bedford, Texas, em 2012, onde permanece até hoje.

A igreja também estabeleceu o Messenger College, localizado em Bedford, que oferece programas de formação ministerial e aconselhamento cristão.

Em 2010, a PCG contava com aproximadamente 620.000 membros, 6.750 ministros e 4.825 igrejas em todo o mundo. Em 2024, havia 960 igrejas nos Estados Unidos. A PCG é membro do Pentecostal/Charismatic Churches of North America (PCCNA).

Processus Sathanae

O Processus Sathanae ou Processo de Satanás é uma fábula medieval dos séculos XIII ou XIV. Satanás acusa a humanidade por seus pecados, enquanto a Virgem Maria atua como defensora. Jesus Cristo, juiz do caso, concede misericórdia à humanidade. A narrativa simboliza a redenção pela ressurreição de Cristo, vencendo o poder do diabo.

Pregação expositiva

A pregação expositiva é uma abordagem homilética da seleção de passagens bíblicas a serem pregadas. Fundamenta-se na pregação contínua, capítulo a capítulo, verso a verso de um livro ou mesmo da Bíblia toda.

A pregação expositiva é frequentemente mal compreendida, especialmente em relação à sua definição e escopo. Em essência, a pregação expositiva envolve uma abordagem sistemática de pregar através de um livro específico da Bíblia, capítulo por capítulo e versículo por versículo. Este método, derivado da lectio continua, tem como objetivo fornecer uma compreensão abrangente das Escrituras dentro de seu contexto completo. Contudo, mesmo em manuais homiléticos não acadêmicos, o termo “pregação expositiva” tem sido empregado como pregação baseada em exegese.

As raízes pré-modernas estão nas exposições bíblicas dos sermões de Orígenes, Agostinho, Cristóstomos, os biblistas de Paris, dentre outros. Significante foi o dia 1 de janeiro de 1519, quando marca o início da Reforma zwingliana com a pregação expositiva de Mateus 1:1 em Zurique, dando continuindade nos próximos serviços.

João Calvino foi um adepto desse método. Em sua primeira estada em Genebra, pregou Gênesis, Deuteronômio, Jó, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, os Profetas Maiores e Menores, os Evangelhos, Atos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Hebreus. Quando retornou à Genebra em setembro de 1541 depois de três anos de exílio, Calvino disse: ‘Agora no próximo versículo!’ e retomou exatamente no próximo versículo do livro de Isaías.

Na prática, é rara as ocasiões que a Bíblia inteira foi pregada de forma expositiva. Em tempos recentes, nos anos 1940 e 1950, W. A. Criswell, pastor da Primeira Igreja Batista de Dallas, pregou de Gênesis a Apocalipse, verso a verso, domingo a domingo, em um período que levou dezessete anos e oito meses.

Na prática, há sempre uma tendência de dar mais ênfase em uma parte do em outra. Isso ocorre, por exemplo, em capítulos sobre genealogias.

Distinguindo a pregação expositiva de outros métodos exegéticos para os sermões

Embora a exegese— a interpretação crítica dos textos bíblicos— seja um componente essencial da pregação eficaz, nem todos os sermões fundamentados na exegese se qualificam como expositivos. Aqui estão as principais distinções entre vários estilos de pregação:

  1. Pregação Expositiva
    • Abordagem: Sistemática e minuciosa, focando em um livro inteiro da Bíblia.
    • Objetivo: Apresentar o significado do texto, reconhecendo preconceitos pessoais e desafios interpretativos e de atualização.
    • Método: Engaja-se com temas, versículos e mensagens gerais de uma maneira que respeita o contexto original.
    • Limitações: Corre o risco de descontextualizar uma passagem em relação com outras ou com a mensagem total.
  2. Pregação Temática
    • Definição:  Centra-se em assuntos ou temas específicos extraídos de várias passagens das Escrituras.
    • Forças: Capacidade de conciliar várias passagens sobre um único ponto.
    • Limitações: Riscos de usar versos decontextualizados, cujas interpretações não suportam o tema proposto.
  3. Pregação Tópica
    • Definição: Semelhante à pregação temática, mas foca em temas mais amplos em vez de textos ou livros específicos.
    • Ênfase: Destaca conceitos bíblicos abrangentes sem necessariamente realizar um estudo exaustivo das Escrituras.
    • Forças: Demonstra a importância de um tópico pelo modo em que é abordado em diversas passagens das Escrituras.
    • Desvantagem: Pode sacrificar a profundidade pela amplitude, levando a uma compreensão menos nuançada de passagens particulares.
  4. Pregação Leccionária
    • Definição: Segue um cronograma predeterminado de leituras das Escrituras alinhadas com o calendário litúrgico.
    • Benefícios: Incentiva a exposição a uma amplitude diversificada de textos bíblicos ao longo do tempo.
    • Desvantagens: Pode não fornecer a mesma profundidade que a pregação expositiva, já que pode limitar o engajamento com passagens individuais.
  5. Pregação Narrativa
    • Foco: Pode centrar-se em uma única passagem ou abranger um arco narrativo maior dentro das Escrituras.
    • Estilo: Enfatiza elementos de narrativa para transmitir verdades bíblicas, tornando-a envolvente e relacionável para os ouvintes.

BIBLIOGRAFIA

Old, Hughes Oliphant. The Reading and Preaching of the Scriptures in the Worship of the Christian Church. Vol. 7, Eerdmans, 2002, p. 172.

Lawson, Steven J. The Expository Genius of John Calvin. Crossway Books, 2010, p. 33.

Gregório Palamas

Gregório Palamas (1296–1359) foi um teólogo e monge bizantino que desenvolveu a teologia hesicasta, centrada na oração e na experiência da energia divina.

Gregório Palamas nasceu em Constantinopla, mais tarde se tornou monge no Monte Atos, onde se aprofundou nas práticas de oração e contemplação. Palamas envolveu-se na controvérsia hesicasta, um debate teológico que opôs os defensores do hesicasmo, que buscavam a experiência direta de Deus, aos críticos que viam essas práticas como heréticas.

Palamas sustentava pela distinção entre a essência divina e as energias divinas, sustentando que a luz divina experimentada pelos hesicastas não era a essência de Deus, mas sim uma manifestação de suas energias. Essa ideia foi crucial para a defesa do hesicasmo, pois permitiu que os praticantes buscassem a união com Deus sem confundir a experiência mística com a visão da essência divina, algo considerado impossível nesta vida.

Escreveu extensivamente em defesa do hesicasmo, participando de sínodos em Constantinopla na década de 1340. Suas obras abordaram temas como a Oração de Jesus e a importância da pureza interior para alcançar a iluminação. Através de seus escritos, Palamas não apenas consolidou o hesicasmo como uma prática central na espiritualidade ortodoxa, mas também estabeleceu as bases para sua aceitação como dogma da Igreja Ortodoxa.