Zalmona

Zalmona (צַלְמֹנָה, Tsalmonah em hebraico) é um nome de lugar mencionado no livro de Números, como um dos locais de acampamento dos israelitas durante sua jornada pelo deserto após o Êxodo do Egito.

A única referência bíblica a Zalmona encontra-se em Números 33:41-42: “Partiram de Hor-Haguidgade e acamparam-se em Jotbatá. Partiram de Jotbatá e acamparam-se em Abrona. Partiram de Abrona e acamparam-se em Eziom-Geber. Partiram de Eziom-Geber e acamparam-se no deserto de Zim, que é Cades. Partiram de Cades e acamparam-se em Hor, monte, na extremidade da terra de Edom, Partiram do monte Hor, e acamparam-se em Zalmona. Partiram de Zalmona, e acamparam-se em Punom.”

A localização exata de Zalmona é desconhecida e tem sido objeto de especulação. O contexto de Números 33 sugere que ficava em algum lugar entre o Monte Hor (onde Arão morreu) e Punom, provavelmente na região a leste do Arabá (o vale que se estende do Mar Morto ao Golfo de Aqaba). Alguns estudiosos sugerem uma possível identificação com a moderna ruína de Feinan (Khirbet Feinan), um antigo local de mineração de cobre, mas não há evidências conclusivas.

O significado do nome Tsalmonah também é incerto. Pode derivar de uma raiz hebraica que significa “sombra” ou “escuridão”, talvez referindo-se a alguma característica geográfica do local, como a presença de desfiladeiros ou montanhas que projetavam sombra. Outra possibilidade, menos provável, é uma relação com a palavra hebraica para “imagem” ou “ídolo” (צֶלֶם, tselem), mas não há contexto bíblico ou arqueológico que sugira qualquer conexão com idolatria naquele local específico.

Bispo

A palavra “bispo” deriva do grego ἐπίσκοπος (epískopos), que significa “supervisor”, “vigilante” ou “superintendente”. No Novo Testamento, o termo epískopos é usado para se referir ao ministro na igreja cristã primitiva, mas sua função exata e relação com outros termos, como “presbítero” (πρεσβύτερος, presbýteros, “ancião”), são temas de debate acadêmico e teológico.

As principais passagens do Novo Testamento que mencionam epískopos são:

  • Atos 20:28: Paulo, dirigindo-se aos presbíteros (anciãos) da igreja de Éfeso, exorta-os a pastorear a igreja de Deus, “na qual o Espírito Santo vos constituiu episkopoi (bispos/supervisores)”. Essa passagem é crucial porque parece usar os termos epískopos e presbýteros de forma intercambiável, referindo-se ao mesmo grupo de ministros.
  • Filipenses 1:1: Paulo e Timóteo saúdam “todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os episkopoi (bispos/supervisores) e diáconos”. Aqui, epískopos aparece como um grupo distinto, juntamente com os diáconos.
  • 1 Timóteo 3:1-7: Paulo lista as qualificações para um epískopos (bispo/supervisor), incluindo caráter irrepreensível, capacidade de ensino, bom governo da própria casa, e outras virtudes.
  • Tito 1:5-9: Paulo instrui Tito a estabelecer presbíteros (anciãos) em cada cidade, e em seguida (v. 7) afirma que o epískopos (bispo/supervisor) deve ser irrepreensível, como “administrador da casa de Deus”. Novamente, parece haver uma sobreposição ou equivalência entre epískopos e presbýteros.

A partir dessas passagens, surgem diferentes interpretações sobre a função do epískopos no Novo Testamento:

  1. Episcopalismo: Argumenta que epískopos e presbýteros se referem a ofícios distintos desde o início, com os episkopoi (bispos) tendo autoridade sobre os presbýteros (presbíteros/anciãos). Essa é a visão tradicional das igrejas Católica, Ortodoxa e Anglicana.
  2. Presbiterianismo: Sustenta que os termos epískopos e presbýteros são usados de forma intercambiável no Novo Testamento, referindo-se ao mesmo ofício de ministério. A ênfase está na pluralidade de líderes (presbíteros/bispos) em cada igreja local.
  3. Congregacionalismo: Concorda que os termos são intercambiáveis, mas enfatiza a autonomia da igreja local, sem uma estrutura hierárquica de bispos ou presbíteros governando sobre várias congregações.

A evolução do ofício de bispo, como um cargo monárquico (um único bispo como líder de uma diocese), ocorreu nos séculos seguintes ao Novo Testamento. A figura do bispo como sucessor dos apóstolos e principal ministro da igreja local desenvolveu-se gradualmente. Já a supervisão episcopal sobre uma região maior coincide com a administração romana das dioceses.

Cal

Calcário, é uma rocha sedimentar composta principalmente de carbonato de cálcio (CaCO3), geralmente na forma de calcita ou aragonita. Embora o calcário seja abundante na Palestina e em outras regiões mencionadas na Bíblia, não existe um termo hebraico ou grego único e específico que corresponda diretamente ao termo geológico moderno calcário.

As palavras hebraicas e gregas traduzidas como “pedra” nas Escrituras (por exemplo, אֶבֶן, ‘even, em hebraico; λίθος, líthos, em grego) são termos genéricos que podem se referir a diversos tipos de rocha, incluindo o calcário, mas não o distinguem especificamente de outras rochas, como arenito, basalto, etc. A Bíblia menciona o uso de pedras para construção de casas, muros, altares e outros edifícios (Levítico 14:40-42; 1 Reis 5:17; Mateus 24:2), mas não especifica o tipo de rocha utilizada.

A cal (CaO), obtida pela queima do calcário, é mencionada em alguns textos. Em Isaías 27:9, a destruição dos altares idólatras é comparada à transformação de pedras em cal (כְּאַבְנֵי־גִר, ke’avnei-gir, “como pedras de cal”). Amós 2:1 descreve a profanação de um túmulo, onde os ossos de um rei foram queimados até virarem cal. A palavra hebraica usada aqui é שִׂיד (sid), que é traduzida como “cal”. No Novo Testamento, não há referência explícita nem à cal nem ao calcário.