Ramatita

Ramatita (רָמָתִי, “homem de Ramá”) é a designação dada a Simei, um dos oficiais de Davi responsável pelas vinhas reais (1Cr 27:27). O termo indica sua origem em uma das cidades chamadas Ramá (רָמָה), nome comum na antiga Israel, significando “lugar alto”. A identificação precisa da cidade natal de Simei é impossível devido à multiplicidade de localidades com esse nome, incluindo Ramá em Benjamim (Js 18:25), Ramá em Naftali (Js 19:36), e Ramá em Gileade (2Rs 8:29).

As vinhas, além de sua importância econômica, possuíam significado simbólico na cultura israelita, representando prosperidade e bênção divina (Sl 128:3; Is 5:1-7).

Tiratitas

Tiratitas (תִּרְעָתִים, tir’atim) são mencionados em 1 Crônicas 2:55 como um grupo de escribas que habitavam a cidade de Jabez. Descritos como descendentes de Hamate, pai da casa de Recabe, os Tiratitas eram queneus (קֵינִי, qeyni), um povo nômade associado aos midianitas e conhecido por sua habilidade na metalurgia e por seus costumes singulares, como a abstenção de vinho (Jr 35:6-10).

A presença de escribas queneus em Jabez sugere uma interação cultural e possivelmente religiosa entre os israelitas e esse grupo. A função de escriba era crucial na sociedade israelita, responsável por registrar leis, histórias e genealogias, além de desempenhar papéis administrativos e religiosos.

Rio Pisom

O rio Pisom (פִּישׁוֹן, pishon), mencionado em Gênesis 2:11, é um dos quatro rios que fluíam do Éden, o paraíso terrestre. Descrito como “o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro”, o Pisom é associado à abundância e riqueza, embora sua localização seja incerta.

A menção do ouro em Havilá (Gn 2:11-12) evoca imagens de prosperidade e beleza. A tradição judaica, expressa em Sirácida 24:25, associa o Pisom à sabedoria transbordante, aprofundando o simbolismo do rio como fonte de vida e conhecimento.

Tisbe

Tisbe (תֹּשָׁבֵי, toshavey), termo que aparece em 1 Reis 17:1 para descrever a origem do profeta Elias, apresenta dificuldades interpretativas.

Tradicionalmente, Tisbe é entendida como uma localidade em Gileade, terra natal de Elias. Profetas frequentemente eram identificados por suas cidades de origem (1Rs 11:29; 19:16; 2Rs 14:25), e em seis passagens (1Rs 17:1; 21:17, 28; 2Rs 1:3, 8; 9:36) Elias é chamado de “o tisbita” (הַתִּשְׁבִּ֜י, hattishbiy).

No entanto, essa interpretação geográfica apresenta problemas. Não há evidências arqueológicas de assentamentos em El-Istib, local frequentemente associado a Tisbe, antes da era romana. Além disso, a repetição “Elias, o tisbita, de Tisbe em Gileade” é considerada redundante, pois a expressão “o tisbita” já indicaria a procedência de Elias.

A Septuaginta (LXX) traduz o termo como um nome próprio, “Tesbom”, localizando-o na Transjordânia (ἐκ Θεσβων τῆς Γαλααδ, ek Thesbōn tēs Galaad), assim como Josefo (Antiguidades 8.13.2). Tobias 1:2 menciona uma “Tisbe” na Galileia, o que pode ter influenciado a tradução da LXX.

Diante dessas dificuldades, surgem interpretações alternativas. Alguns estudiosos, baseados na leitura do Targum Jonathan, sugerem que “Tisbe” se refira a uma classe social, significando “colono” ou “residente”. Elias, então, seria um residente permanente em Gileade, mas não originário da região.

Outra proposta considera a possibilidade de Elias ter sido deslocado de sua aldeia natal, Tisbe na Galileia, para Gileade devido a conflitos, como a invasão aramaica durante o reinado de Baasa (1Rs 15:16-22). Essa hipótese, embora plausível, carece de evidências arqueológicas que confirmem a existência de uma Tisbe na Galileia.

Eliú

Eliú (אֱלִיהוּא, “meu Deus é Ele”), nome teofórico que designa diferentes personagens na narrativa bíblica.

  1. Eliú filho de Semaías é um porteiro levita durante o reinado de Davi, incumbido de guardar o tesouro do templo. 1 Crônicas 26:7.

2. Eliú, filho de Baraquel, o buzita, em Jó 32:2-6 surge como um personagem intrigante no drama de Jó. Mais jovem que os demais debatedores, ele intervém com fervor e eloquência, criticando tanto a autojustificação de Jó quanto as respostas insatisfatórias de seus amigos. Sua teologia, centrada na soberania e justiça divinas, oferece uma nova perspectiva sobre o sofrimento humano (Jó 33:14-30; 36:8-12).

3. Eliú, mencionado em 1 Crônicas 12:20-21, é um guerreiro da tribo de Manassés que se junta ao exército de Davi em Ziclague, contribuindo para sua ascensão ao trono.