Buzita

Buzita (בּוּז), termo enigmático que aparece apenas em Jó 32:2 e 6, designa Eliú, filho de Baraquel, o buzita, um dos quatro amigos que visitam Jó em seu sofrimento. A identidade e a linhagem de Eliú são obscuras, gerando diversas interpretações. O termo “buzita” (בּוּזִי) pode indicar sua descendência de Buz, sobrinho de Abraão (Gn 22:21), o que o ligaria à linhagem aramaica, ou pode se referir a uma localização geográfica desconhecida.

Eliú, descrito como “da família de Ram” (Jó 32:2), irrompe no diálogo com Jó e seus amigos após um longo silêncio. Sua juventude (Jó 32:6) contrasta com a idade avançada dos outros debatedores, e sua fala é marcada por fervor e eloquência. Eliú critica tanto Jó por sua autojustificação quanto os três amigos por sua incapacidade de oferecer respostas satisfatórias ao sofrimento de Jó.

Embora se apresente como um observador imparcial, Eliú demonstra uma teologia distinta, enfatizando a soberania divina e a justiça de Deus. Ele argumenta que o sofrimento pode ser um meio de Deus disciplinar e purificar o ser humano (Jó 33:14-30; 36:8-12).

A intervenção de Eliú, apesar de extensa, não recebe resposta direta de Jó nem de seus amigos. O discurso de Deus que se segue (Jó 38-41) parece endereçar as questões levantadas por Eliú, embora não o mencione explicitamente.

Bronze

O bronze (נְחֹשֶׁת, χαλκός), liga metálica de cobre e estanho, destaca-se na Bíblia por sua utilização na confecção de objetos rituais, utensílios domésticos e armas. A “Serpente de Bronze” (נחשתן) feita por Moisés (מֹשֶׁה) no deserto (Nm 21:4-9) e o “Mar de Bronze” (ים מוצק) no Templo de Salomão (שלמה) (1 Rs 7:23-26) são exemplos emblemáticos. O bronze também era empregado na fabricação de instrumentos musicais, como címbalos (צלצל) (1 Cr 15:19) e trombetas (חֲצֹצְרָה) (Nm 10:2). A expressão “pé de bronze” (דניאל ב) simbolizava força e estabilidade (Dn 2:32). A passagem de Ezequiel 1:7 descreve “a aparência dos seus pés como a de bronze polido”.

Bete-Horom

Bete-Horom (בית חורון, que significa “casa do buraco” ou “casa da caverna”), mencionada em Josué 16:3-5 e 21:22, consistia em duas cidades gêmeas – Bete-Horom Alta e Bete-Horom Baixa – localizadas na região montanhosa de Efraim. Construídas por Seerá, uma descendente de Efraim (1 Cr 7:24), as cidades eram habitadas por levitas coatitas (Js 21:22).

Sua localização estratégica, na rota entre a planície costeira e o interior, conferia-lhe importância militar, evidenciada na batalha entre Josué e os amorreus (Js 10:10-11). Em 1 Samuel 13:18, os filisteus atacaram Saul pela rota de Bete-Horom, enviando tropas para controlar a passagem. Após serem dispensados pelo rei Amazias, mercenários israelitas saquearam cidades de Judá “desde Samaria até Bete-Horom” (2 Cr 25:13).

A inscrição do faraó Shishak registra a conquista egípcia de Bete-Horeom durante o reinado de Roboão.

O nome Bete-Horom aparece também em documentos extrabíblicos. As ruínas das cidades são identificadas com os sítios arqueológicos de Beit Ur al-Fauqa e Beit Ur al-Tahta, na Cisjordânia.

Testimonia

Testimonia seriam coleções de passagens das Escrituras usadas para apoiar ou provar doutrinas, particularmente aquelas de significado messiânico, empregadas por judeus e cristãos antigos. A hipótese dos testimonia sustenta que os primeiros cristãos reuniram, editaram e deram status autoritativo a essas coleções de excertos bíblicos. Embora haja debate sobre a extensão do uso de testimonia no primeiro século, a hipótese estimulou pesquisas sobre o uso do Antigo Testamento no Novo Testamento.

Características dos Testimonia:

  • Citações compostas, combinando várias passagens. (Rm 3:10-18)
  • O mesmo conjunto de citações usado por diferentes autores. (Sl 118:22-23 em Mt 21:42; Mc 12:10; Lc 20:17; Ef 2:20; At 4:11; 1 Pe 2:6-8)
  • Atribuição aparente de citações ao autor errado. (Mc 1:2-3)
  • Citações que não correspondem perfeitamente ao texto original hebraico ou à Septuaginta. (Is 28:16 em Rm 9:33 e 1 Pe 2:6)

A falta de evidências físicas de testimonia anteriores ao segundo século d.C. levanta dúvidas sobre a hipótese. As características acima podem ser explicadas por outros fatores, como a tradição oral rabínica de citar passagens temáticas. A teoria do “cânon dentro do cânon” propõe que a igreja primitiva usava um conjunto de textos do Antigo Testamento para apologética e adoração, circulando por tradição oral.

Documentos do Mar Morto como 4Q175 (4QTestimonia) e 4Q174 (4QFlorilegium) contêm listas de Escrituras, às vezes com interpretações. Isso demonstra que grupos judaicos no primeiro século da Palestina criavam testimonia, apoiando a possibilidade do uso de tais listas pela igreja primitiva.

Ursa

Embora a constelação da Ursa (Ursa Maior) não seja mencionada explicitamente na Bíblia pelo nome, é possível que esteja implícita em passagens que se referem às estrelas do norte. Em Jó 9:9, por exemplo, o autor menciona “A Ursa, o Órion e as Plêiades”, o que pode indicar um conhecimento da constelação e sua posição proeminente no céu noturno.

A Ursa Maior, com suas sete estrelas principais (דֹּב, dov; ἄρκτος, arktos), era conhecida pelos povos antigos como um guia para a navegação e um símbolo de constância e orientação. Sua proximidade ao polo norte celeste a torna visível durante todo o ano no hemisfério norte, representando um ponto fixo em meio ao movimento aparente das estrelas.

Alguns estudiosos sugerem que a Ursa Maior pode estar relacionada ao “Sete-estrelo” mencionado em Amós 5:8 e Jó 38:31, onde Deus desafia Jó a “soltar os laços do Sete-estrelo”, demonstrando seu poder sobre a criação.