H. Wheeler Robinson

Henry Wheeler Robinson (1872– 1945) foi um teólogo e acadêmico britânico.

Teve formação batista e passagem em várias universidades britânicas e na Europa continental. Em uma época quando Oxford mantinha prencoceitos com pessoas não anglicanas, Wheeler Robinson tornou-se docente e pesquisador do Antigo Testamento. Foi pioneiro em usar conhecimentos da sociologia e antropologia nos estudos bíblicos e teológicos. Propôs uma forma de antropologia teológica a respeito da constituição do ser humano de modo monista e integral, a personalidade corporativa.

Restrições alimentares

As restrições alimentares na Bíblia refletem a preocupação com a pureza e a santidade, especialmente no Antigo Testamento. A proibição do consumo de sangue (Gênesis 9:4) e as leis sobre animais puros e impuros (Levítico 11; Deuteronômio 14) visavam distinguir Israel dos povos vizinhos e consagrá-lo a Deus. Sacerdotes e nazireus seguiam restrições adicionais (Êxodo 22:31; Levítico 3:17; 10:9; Números 6:3).

No Novo Testamento, as restrições alimentares são flexibilizadas (Atos 15:19,20,28,29). Paulo defende a liberdade de consciência e a orientação do Espírito Santo (Romanos 14; 1 Coríntios 8), priorizando o amor e a consideração mútua entre os cristãos. A ênfase se desloca para a abstinência do pecado e o cultivo de uma vida santa.

Reforma Radical

A Reforma Radical foi um movimento multifacetado surgido no contexto da Reforma Protestante do século XVI. Seus participantes buscaram uma transformação mais profunda da igreja e da sociedade, destacando a experiência pessoal com Deus, a fé voluntária e a separação entre igreja e estado. Diferentemente das principais correntes reformistas, como o luteranismo e o calvinismo, os reformadores radicais rejeitaram alianças com o poder político, promovendo uma fé centrada na comunidade e no discipulado.

O termo “Reforma Radical” foi cunhado por George Huntston Williams, cujo trabalho seminal sobre o tema destaca a diversidade e complexidade do movimento. Outros historiadores, como Harold S. Bender, enfatizaram a teologia e o foco na vida em comunidade dos anabatistas. James M. Stayer investigou o contexto social e econômico do movimento, ligando-o a revoltas camponesas. Werner O. Packull destacou o papel do espiritualismo e Hans-Jürgen Goertz estudou o desenvolvimento teológico do anabatismo. Rufus Jones forneceu uma visão abrangente das diversas correntes radicais, incluindo grupos como os quakers.

Os reformadores radicais defendiam o batismo de crentes, rejeitando o batismo infantil e insistindo que a decisão de seguir a Cristo deveria ser consciente e voluntária. Eles pregavam a separação entre igreja e estado, considerando a igreja como uma comunidade de fiéis distinta do poder coercitivo estatal. O discipulado ativo era central, envolvendo pacifismo, vida comunitária e um compromisso ético rigoroso. A interpretação literal da Bíblia, especialmente com foco no Novo Testamento, guiava suas práticas. Além disso, muitos grupos enfatizavam a experiência direta de Deus, o que frequentemente resultava em expressões místicas ou proféticas.

A diversidade foi uma marca da Reforma Radical. Enquanto alguns grupos eram pacifistas, outros se engajaram em revoltas armadas. Alguns praticavam vida comunitária, enquanto outros valorizavam a piedade individual. Essa pluralidade reflete a amplitude de crenças e práticas dentro do movimento, que, apesar das diferenças internas, compartilhou o objetivo comum de buscar uma fé mais autêntica e desvinculada das instituições religiosas tradicionais

Evangelhos de Rabbula

Os Evangelhos de Rabbula, também conhecidos como Evangelhos de Rabula, são um manuscrito iluminado do século VI dos Evangelhos em siríaco.
Concluído em 586 d.C. por um escriba chamado Rabbula no Mosteiro de São João de Zagba, localizado na Síria moderna, este códice tem valor artístico e histórico.

O manuscrito contém a versão Peshitta dos Evangelhos, escrita em escrita Estrangela. Ele é estruturado em três seções principais: o próprio texto do Evangelho, tabelas canônicas ilustradas e leituras litúrgicas adicionais adicionadas posteriormente12. As miniaturas ilustram eventos bíblicos importantes, incluindo a Crucificação, que é notável por ser a representação mais antiga sobrevivente desta cena em um manuscrito iluminado3.

Retrata a produção e circulação de manuscritos no Mediterrâneo oriental durante a Antiguidade Tardia. O manuscrito passou por várias comunidades monásticas e suas anotações em vários idiomas (incluindo siríaco e árabe).

Christopher Rollston

Christopher A. Rollston é um estudioso do antigo Oriente Próximo, com especialização na Bíblia Hebraica, no Novo Testamento Grego, nos Apócrifos do Antigo Testamento e na literatura semítica noroeste. Mestre e doutor pela Universidade Johns Hopkins, atualmente é professor de Línguas e Literaturas Semíticas Noroeste na Universidade George Washington, onde também ocupa o cargo de chefe do Departamento de Línguas e Civilizações Clássicas e do Oriente Próximo.

Sua trajetória acadêmica abrange áreas de pesquisa como epigrafia, paleografia, práticas de escrita antiga, educação de escribas e alfabetização no mundo antigo. Rollston publicou extensivamente sobre esses temas, incluindo sua monografia Writing and Literacy in Ancient Israel: Epigraphic Evidence from the Iron Age, que recebeu o Prêmio Frank Moore Cross por sua contribuição à epigrafia semítica noroeste.

Além de suas publicações, Rollston atuou como consultor epigráfico para a National Geographic Society e participou de escavações arqueológicas na Síria e em Israel. Ele integrou conselhos editoriais de diversas revistas acadêmicas e realizou palestras em universidades ao redor do mundo. Sua pesquisa tem se concentrado em áreas como epigrafia e paleografia, contribuindo para a compreensão das práticas de alfabetização em Israel antigo e no contexto mais amplo do Oriente Próximo. No campo dos estudos bíblicos, ele explorou a relação entre os textos antigos e seus contextos históricos e culturais. Rollston também investigou a formação e a educação de escribas no mundo antigo, lançando luz sobre os processos de transmissão de textos e conhecimento.

Além de sua monografia premiada, Rollston editou volumes e publicou artigos em periódicos como o Journal of Biblical Literature e o Bulletin of the American Schools of Oriental Research.