A Associação Cristã de Moços ou YMCA (Young Men’s Christian Association), também conhecida como “the Y”, é uma organização global com sede em Genebra, Suíça, presente em 120 países e beneficiando mais de 64 milhões de pessoas. Fundada no século XIX sobre os princípios do Cristianismo muscular, a YMCA promove o desenvolvimento de jovens por meio de atividades que incluem esportes, educação, valores cristãos e trabalho humanitário.
A YMCA opera como uma federação não governamental, em que cada associação local é conectada a uma organização nacional. Essas organizações nacionais são parte de alianças regionais que abrangem Europa, Ásia-Pacífico, Oriente Médio, África, América Latina, Caribe, Estados Unidos e Canadá. A coordenação global é facilitada pela Aliança Mundial das YMCAs, fundada em 1855 durante uma conferência em Paris.
O movimento YMCA tem como base de sua fé a Base de Paris, um documento que orienta sua missão e valores. Este enfatiza a unidade entre aqueles que reconhecem Jesus Cristo como Deus e Salvador e promovem seu Reino entre os jovens. O documento também destaca a independência das associações locais e a neutralidade em questões políticas, preservando a harmonia entre as sociedades confederadas.
A história da YMCA é marcada por sua origem em diferentes países. As primeiras associações surgiram na Alemanha (Bremen, 1834), Escócia (Glasgow, 1824) e Suíça (Basileia e Genebra, 1847). A associação de Londres, fundada em 1844, foi a primeira a adotar o nome “Young Men’s Christian Association”. Na América do Norte, as primeiras associações foram fundadas em Cincinnati (1848) e em Nova York (1850) por imigrantes alemães. A difusão no continente americano ganhou força após a participação de líderes da YMCA na Exposição Universal de Londres em 1851.
O modelo norte-americano de YMCA trouxe inovações significativas, como a criação de associações metropolitanas, com foco em grandes centros urbanos, equipes profissionais remuneradas e instalações esportivas. Esse modelo combinava educação física, programas recreativos, estudo bíblico e apoio a jovens trabalhadores. Durante períodos de guerra, como a Guerra Civil Americana e a Guerra Hispano-Americana, a YMCA desempenhou um papel importante ao oferecer suporte espiritual e serviços de assistência a soldados.
Além de sua expansão na Europa e na América do Norte, a YMCA estabeleceu uma presença marcante em outros continentes. No Brasil, a primeira associação foi fundada no Rio de Janeiro em 1893, com foco no desenvolvimento juvenil, saúde e responsabilidade social. Em Portugal, a YMCA foi estabelecida em 2011, dedicando-se à inclusão social e ao apoio a grupos vulneráveis, como jovens e refugiados.
Yahwismo refere-se às práticas religiosas dos antigos israelitas e outros povos centradas em YHWH como Deus principal. No Yahwismo, o culto de YHWH ou Yahweh coexistia (sobretudo, de forma competitiva) com outros cultos. A Bíblia atesta a afirmação de YHWH como o único e verdadeiro Deus, que havia feito uma aliança com os israelitas, prometendo protegê-los enquanto demandava sua obediência e adoração.
Fora da Bíblia, Yhwh é relativamente escassamente documentado e não é necessariamente uma divindade especificamente israelita. Há atestações arqueológicas do culto de Yahweh tanto em ambientes pré e pós-exílicos:
O governador hitita de Hamate, na Síria, tem o nome teofórico Yahu-Bihdi, cujo nome foi escrito com o determinante divino DINGIR, no século VIII a.C.
Yahu nos nomes das tabuletas de Murashu, na Mesopotâmia; em Elefantina no Egito e na transjordânia.
Menções intrabíblicas de YHWH associado com a região sul do Levante.
O surgimento do culto a Yahweh, conforme descrito em fontes extra-bíblicas, revela uma evolução complexa no contexto das religiões semíticas ocidentais. Yahweh ou YHWH, não seria inicialmente uma divindade exclusiva dos israelitas.
As hipóteses correntes são várias. Uma perspectiva é que a adoração de Yahweh teria evoluído a partir de uma mistura de elementos religiosos cananeus, combinando várias divindades como El com outros deuses cananeus para formar uma divindade suprema. A transição da monolatria para o monoteísmo em Israel é um processo debatido, com estudiosos como Mark S. Smith propondo uma mudança gradual pós-exílio, enquanto outros, como Nissim Amzallag, defendem um monoteísmo latente dentro da cultura cananeia. Outra perspectiva é a hipótese midianita, postulando que o culto de Yahweh teria origem na região de Edom e Midiã. Uma variante dessa perspectiva é a hipótese quenita. Os seminômades queneus teriam introduzido o culto de Yahweh na região do norte. O historiador da religião holandês, Cornelis P. Tiele em 1872 caracterizou Yahweh como sendo historicamente o Deus do deserto, que havia sido adorado pelos queneus. Tal teoria foi desenvolvida por Karl Budde na Alemanha e por Harold Henry Rowley na Inglaterra. Outra perspectiva localiza no Reino do Norte a emergência do culto exclusivo de Yahweh.
Os ciclos de Elias e Eliseu na Bíblia estão intimamente relacionados ao Yahwismo. Elias e Eliseu foram profetas que viveram durante o período da monarquia dividida em Israel, quando o reino do norte de Israel e o reino do sul de Judá eram entidades políticas separadas. Ambos eram ferrenhos defensores de Yahweh e de sua adoração exclusiva, e frequentemente entravam em conflito com os profetas de Baal, um culto competitivo.
Os ciclos de Elias e Eliseu retratam a luta entre as forças de Yahweh e as forças de Baal, com os profetas de Yahweh saindo vitoriosos no final. Os ciclos também enfatizam o poder de Yahweh para realizar milagres e intervir nos assuntos de seu povo, como visto no confronto de Elias com os profetas de Baal no Monte Carmelo e na cura da lepra de Naamã por Eliseu. Similar a outros profetas literários vinculados ao reino do norte em Israel (principalmente Amós e Oseias), esse ciclo atesta um conjunto de práticas religiosas e crenças aparentemente desconhecedora da Torá mosaica tal como a conhecemos atualmente.
No período pós-exílico o culto de Yahweh é atestado em Judá e Samaria, na Mesopotâmia, na Transjordânia e no Egito. Contudo, nem todos esses locais são associados com uma identidade judia. Eventualmente, desses cultos emergiram os judaísmos do Segundo Templo.
Característica
Ciclo de Elias-Eliseu
Yahwismo Mosaico
Yahwismo Davídico-Sionista
Yahwismo Pós-Exílico
Figuras Centrais
Elias, Eliseu
Moisés
Reis Davídicos, Sacerdotes
Escribas, Sacerdotes
Ênfase
Profecia, Milagres, Confronto com Baal
Aliança, Lei (Torá), Êxodo, Libertação
Realeza, Templo, Teologia de Sião
Monoteísmo, Estudo da Torá, Sinagoga
Local de Culto
Pouca ênfase no Templo; foco em encontros proféticos
Tabernáculo (santuário portátil)
Templo de Jerusalém como santuário central
Sinagoga
Local de Culto
Profetas
Sacerdotes e levitas
Sacerdotes e levitas
Sacerdotes e levitas
Representação de Yahweh
Deus da tempestade, Poderoso, Intervém dramaticamente
Legislador, Libertador, Justo, Misericordioso
Rei, Patrono, Fonte de bênção nacional
Transcendente, Universal, Juiz de todas as nações
Tratamento dos Vulneráveis
Ambíguo; mistura de compaixão e severidade
Forte ênfase na justiça e proteção; provisões legais para grupos vulneráveis
Potencial para negligência; crítica profética da injustiça social
Maior responsabilidade comunitária; interpretação escriba das leis que protegem os vulneráveis
Textos-chave
1 Reis 17-2 Reis 13
Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio
Samuel, Reis, Salmos, Crônicas
Isaías, Jeremias, Ezequiel, Profetas Menores, Reinterpretação da Torá
BIBLIOGRAFIA
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Lillian Yeomans (1861-1942) foi uma médica e evangelista canadense-americana que dedicou sua vida à cura e ao ministério.
Ela foi pioneira no movimento Santidade e ficou conhecida por seus ensinamentos sobre a cura divina. Yeomans desistiu de sua prática médica para se dedicar em tempo integral ao ministério e viajou extensivamente pela América do Norte, pregando e curando os enfermos. Lecionou no L.I.F.E. College em Los Angeles.
John Howard Yoder (1927-1997) foi um teólogo menonita americano que enfatizou a importância do pacifismo e da não-violência na ética cristã. Seus trabalhos incluem “The Politics of Jesus” (1972) e “The Original Revolution” (2003).
Yahweh, YHWH, Jeová, Tetragrammaton, Javé, Iavé, em hebraico יהוה, um nome é encontrado 6828 vezes nas Escrituras Hebraicas ou o Antigo Testamento para referir-se a Deus.
De acordo com Êxodo 6:2-4, sob este nome foi revelado pela primeira vez a Moisés na sarça ardente. Entretanto, aparece na interação com humanos desde o tempo de Enos antes do dilúvio (Gn 4:26).
Uma teoria é que YHWH deriva-se do verbo hebraico hayah, “ser” implicando que Yahweh seja o criador e senhor da história.
O nome e o culto a Yahweh ocorre de forma ocasional em vestígios arqueológicos e em nomes teofóricos de vários povos semitas no Levante, especialmente na região sul do Mar Morto.
A pronúncia desse nome virou um tabu entre os judeus no período helenista. A pronúncia Yāhū é provável através da pronúncia de nomes pessoais compostos como Ēliyyāhū (Elias) e Zəkharyāhū (Zacarias). Como a forma consonatal recebe as vogais “Adonai”, passou-se a ser lido como “Jehovah” ou Jeová em muitas línguas europeias.
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