Bete-Áven

Bete-Áven (בֵּית אָוֶן, Beth Aven) significa em hebraico “Casa da Vaidade”, “Casa da Iniquidade” ou “Casa do Nada”. Na Bíblia, o termo é usado de duas maneiras principais:

1. Uma cidade na tribo de Benjamim. Localizava-se perto da antiga cidade de Ai, a leste de Betel e a oeste de Micmás, no deserto (Josué 7:2; 18:11-12; 1 Samuel 13:5; 14:23). Foi palco de uma batalha onde Saul e Jônatas derrotaram os filisteus (1 Samuel 13-14). Sua localização exata hoje não é identificada.

2. Um nome depreciativo para Betel. Os profetas Oseias e Amós usaram o nome Bete-Áven em vez de Betel para se referirem à cidade que antes era chamada de “Casa de Deus” (Bet-El). Essa mudança de nome era uma crítica à idolatria que se estabeleceu em Betel, particularmente a adoração do bezerro de ouro instituída por Jeroboão I (1 Reis 12:28-30). Ao chamá-la de “Casa da Vaidade” ou “Casa da Iniquidade”, os profetas denunciavam a inutilidade e o pecado da adoração idólatra ali praticada (Oseias 4:15; 5:8; 10:5, 8; Amós 5:5).

Geteus

Os geteus eram os habitantes da cidade filisteia de Gate, uma das cinco principais cidades-estado da Filístia, juntamente com Gaza, Asquelom, Asdode e Ecrom. Gate era conhecida por ser a terra natal de Golias, o gigante filisteu que desafiou o exército de Israel e foi derrotado por Davi (1 Samuel 17). Esse evento confere a Gate uma notoriedade especial nas narrativas bíblicas.

Além de Golias, Gate é mencionada em outras ocasiões, frequentemente associada à presença de outros guerreiros filisteus de grande estatura (2 Samuel 21:19-22; 1 Crônicas 20:5-8), sugerindo que a cidade poderia ter sido um centro de poder militar filisteu. Durante o reinado de Davi, ele próprio buscou refúgio em Gate por um período, junto com seus seguidores, temendo a perseguição de Saul (1 Samuel 21:10-15). Davi serviu sob Aquis, o rei de Gate, e essa experiência demonstra a complexidade das relações entre Israel e os filisteus, que envolviam tanto conflito quanto interação.

Gate é também mencionada em contextos de fronteira e em listas de cidades filisteias (Josué 13:3; 1 Samuel 6:17). Profecias contra a Filístia também incluem Gate, indicando sua importância regional (Amós 1:6-8). Escavações arqueológicas em Tel es-Safi, geralmente identificado como a antiga Gate, revelaram evidências de uma grande e importante cidade com uma longa história de ocupação, confirmando sua relevância no mundo antigo.

Saron

A planície de Saron ou Sarom, em hebraico שָׁרוֹן, é uma faixa costeira fértil que se estende ao longo da costa do Mediterrâneo, entre Jope e o Monte Carmelo, na antiga Israel. Era conhecida por seus pastos ricos e sua produtividade agrícola.

A área se estende por cerca de 90 km ao longo da costa do Mar Mediterrâneo, desde a região do Monte Carmelo ao norte até as proximidades de Jope (atual Tel Aviv) ao sul. Sua largura varia entre 7 e 20 km, entre o mar e as colinas da Samaria e Judá.

A região de Saron é mencionada em algumas passagens bíblicas, sendo conhecida por sua beleza, fertilidade e pastagens:

  • Cântico dos Cânticos 2:1: A famosa frase “Eu sou a rosa de Saron, o lírio dos vales” é atribuída à sulamita, descrevendo sua beleza em comparação com as flores abundantes e belas que cresciam na planície de Saron. Essa imagem poética ressalta a fertilidade e o encanto da região.
  • Isaías 33:9: O profeta Isaías usa a devastação de Saron como uma imagem da desolação que viria sobre a terra por causa do juízo divino. A menção de Saron “murcha” e “seca” enfatiza a perda de sua conhecida fertilidade.
  • Isaías 35:2: Em contraste com a desolação, Isaías profetiza a restauração e a glória futura de Israel, comparando-a à beleza de Saron: “Florescerá abundantemente, e também exultará de alegria e cantará; a glória do Líbano se lhe deu, a excelência do Carmelo e de Saron; eles verão a glória do Senhor, a excelência do nosso Deus.” Aqui, Saron é um símbolo de prosperidade e beleza restaurada.
  • 1 Crônicas 27:29: Sitrai, o saronita, é mencionado como o encarregado das manadas de gado do rei Davi que pastavam em Saron, indicando a importância da região para a criação de animais e a economia do reino.
  • Atos 9:35: Embora não seja uma referência direta à planície em si, a cidade de Lida (anteriormente chamada Lode), localizada na planície de Saron, é mencionada nos Atos dos Apóstolos como um lugar onde Pedro realizou a cura de Eneias.

O termo “saronita” era uma alcunha dada a Sitrai, que servia como encarregado das manadas de gado do rei Davi que pastavam na região de Sarom (1 Crônicas 27:29). A designação “o saronita” indica que Sitrai era originário da planície de Sarom ou tinha uma associação significativa com essa área.

Sifmita

O termo “sifmita” era uma alcunha dada a Zabdi, que servia como encarregado dos suprimentos de vinho do rei Davi (1 Crônicas 27:27). A designação “o sifmita” sugere que Zabdi era originário ou tinha alguma conexão significativa com um lugar chamado Sifmote ou Sefão.

A Bíblia menciona uma cidade chamada Sifmote na região sul de Judá, para onde Davi enviou parte dos despojos após derrotar os amalequitas (1 Samuel 30:28). Se Zabdi fosse de Sifmote, sua alcunha indicaria sua origem geográfica.

Não há uma menção direta de uma localidade chamada Sefão nos textos bíblicos conhecidos que se encaixe nesse contexto. Portanto, a possibilidade de Zabdi proceder de Sefão é menos certa e pode representar uma variação textual ou uma localidade menos conhecida.

Susã

Susã é o cenário principal do livro de Ester. A história de Ester se desenrola na cidadela de Susã, onde o rei persa Assuero (geralmente identificado como Xerxes I) residia e onde Ester, uma judia que se tornou rainha, desempenhou um papel crucial na salvação de seu povo de um plano de genocídio. Mordecai, primo e pai adotivo de Ester, também era uma figura importante na comunidade judaica de Susã.

Além do livro de Ester, Susã é mencionada no livro de Neemias. Neemias servia como copeiro do rei Artaxerxes I em Susã antes de receber a notícia da difícil situação em Jerusalém e, posteriormente, obter permissão para retornar e reconstruir a cidade (Neemias 1:1; 2:1). O profeta Daniel também teve visões enquanto estava em Susã (Daniel 8:2).

Os susanquitas eram os habitantes ou naturais da cidade persa de Susã (também conhecida como Susa). Susã era uma das cidades mais importantes do antigo Oriente Médio, servindo como uma das capitais do Império Aquemênida persa. Sua relevância histórica e bíblica é significativa, especialmente no período do exílio e pós-exílio do povo judeu.