Inscrição da Cidadela de Amã

A Inscrição da Cidadela de Amã (KAI 307) é um artefato encontrando na antiga capital dos amonitas, datada do século VIII a.C.

Descoberta em 1961 na Cidadela de Amã e publicada vez em 1968 por Siegfried Horn, a Inscrição seria proveniente do templo-fortificado dos amonitas, na atual Amã, capital da Jordânia.

A inscrição é esculpida em um bloco de calcário branco de aproximadamente 26 × 19 cm, com partes da inscrição perdidas, nos lados direito e esquerdo. A maioria das letras são claramente visíveis e a pedra tem poucos vestígios de erosão. Contém oito linhas. Nas oito linhas aparecem 93 letras em estimadas 33 palavras em língua amonita, uma variante do contínuo linguístico cananeu.

  1. [… Mi] lcom construiu para vós as entradas da cidadela […]
  2. […] que todos os que te ameaçam certamente morrerão […]
  3. […] Certamente destruirei, e todos os que entrarem […]
  4. […] e entre todas as suas colunas os justos habitarãoo […]
  5. […] pendurará em suas portas um ornamento […]
  6. […] será oferecido dentro seu pórtico […]
  7. […] e segurança […]
  8. […] paz a vós e pa[z …]

Amom, Amonitas

Os amonitas (os “filhos de Amom”) são na narrativa bíblica um povo próximo, porém competidor dos israelitas. Este povo viveu a leste do rio Jordão, na área da Jordânia (Jz 11:13) do final do Segundo Milênio até por volta de 500 a.C.

Os amonitas em Gn 19:30-38 aparecem como descendentes de um filho de Ló, sobrinho de Abraão, Ben-ammi. Os conflitos entre Amom e Israel incluem Jefté contra uma coalizão de amonitas e filisteus (Jz 10:6-11:40). Os amonitas foram derrotados por Saul em Jabes-Gileade (1Sm 11) e depois por Davi em Rabá (2Sm 11:14-21).

Localizado em rotas de caravanas, na Idade do Ferro a pequena, mas densa região Documentos neo-assírios mencionam Amom. Um documento da época de Tiglate-Pileser menciona o tributo de um rei amonita. Os anais de Senaqueribe e Assurbanipal listam os reis de Amom. Em suas campanhas militares, o rei assírio Senaqueribe (c. 704-681 a.C.) dominou Buduili (Bod’el?) de Amom, Kammushu-nadbi (Chemosh-nadab) de Moabe e Ayarammu de Edom. O mesmo rei Buduili é mencionado em várias outros documentos. A emergência de estados aramaeus, neo-assírio e neo-babilônico no final da Idade do Ferro coincide com o fim dos amonitas como povo e sociedades distintas (Josefo, Antiquidades Judaicas 10.180–182). A região foi progressivamente ocupada por povos árabes. Nos períodos helenísticos e romano, Amã foi renomeada Filadelfia por Ptolomeu II e era parte de Decápolis.

A língua amonita é parcamente atestada por materiais epigráficos. Contudo, as inscrições são suficiente para estabelecer sua relação como parte do dialeto contínuo cananeu, os quais também incluem o hebraico e o moabita. Os registros epigráficos incluem a inscrição da cidadela de Amã (início do século VIII aC); uma grande coleção de selos, um jarro com inscrições de Tel Siran (século VI aC); a inscrição do Teatro de Amã (século VI aC). Arqueologicamente, os amonitas legaram uma tradição de esculturas com técnicas bem avançada quando comparadas com seus vizinhos da civilização sírio-cananeia.

A religião dos amonitas era centrada no culto a Moloque ou Milcom, conforme a Bíblia e onomástica teofórica. A raiz mlk indica rei ou governante e o sufixo possessivo –m parece indicar que o nome seria “seu rei”.

BIBLIOGRAFIA

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