Movimento dos Irmãos

Igreja dos Irmãos: também conhecidos como Casa de Oração, Salão Evangélicos, Irmãos Cristãos, Darbistas, Irmãos de Plymouth, Assembleia de Irmãos, Movimento dos Irmãos, dentre outros. É um movimento primitivista com origens nas ilhas britânicas na década de 1820.

Desde a Revolução Francesa, vários movimentos avivalistas e primitivas ocorreram nas Ilhas Britânicas. Por exemplo, 1807, quando, perto de Omagh, um grupo de jovens evangelistas presbiterianos foi encorajado por James Buchanan a compartilhar o pão e o vinho como os apóstolos. O grupo resolveu praticar apenas atos de adoração claramente ordenados e praticados pelas primeiras igrejas do Novo Testamento. Em oito anos, Buchanan, então cônsul britânico em Nova York, teve contato pessoal com vinte e dois grupos semelhantes que surgiram espontaneamente na Irlanda, Escócia, Inglaterra e América. Outros foram influenciados pelo ministério itinerante dos irmãos Haldane. Em comum, esses grupos tinham a Bíblia como sua única autoridade, se reuniam no primeiro dia da semana para a Ceia do Senhor, ensinavam uns aos outros a partir das Escrituras e tinham seus próprios anciãos, mas se recusavam a considerar seus líderes como clérigos.

O Movimento dos Irmãos surgiu no século XIX na Europa, inicialmente de forma descentralizada. Suas origens com características e identidades tal como hoje remontam a 1820, com a emergência de vários grupos de avivamento que, de maneira independente, compartilhavam características doutrinárias e práticas. Embora a assembleia de Dublim, em 1825, e a de Plymouth, em 1831, sejam frequentemente citadas como marcos fundadores, o movimento também se desenvolveu simultaneamente na Suíça e na Itália, onde a conversão do Conde Piero Guicciardini em 1836 foi um ponto de partida significativo.

O movimento foi impulsionado por uma insatisfação com as igrejas protestantes estabelecidas, percebidas como hierarquizadas e distanciadas das práticas do Novo Testamento. Entre os pioneiros, destacaram-se figuras como Anthony Norris Groves, George Müller e John Nelson Darby. Eles defendiam a autoridade exclusiva da Bíblia, o sacerdócio universal dos crentes, a rejeição de um clero formal e a celebração da Ceia do Senhor em cada domingo. O foco era na simplicidade e na busca por uma fé alinhada com as Escrituras, abandonando tradições de séculos em favor de um retorno às origens do cristianismo. Essa ênfase no biblicismo, no primitivismo e na escatologia millenarista conferiu-lhes uma identidade distinta.

O movimento enfrentou divisões internas, notadamente a de 1848, que resultou na separação entre os “Irmãos Abertos” e os “Irmãos Fechados”. A vertente aberta, à qual a maioria das “Assembleias dos Irmãos” contemporâneas pertence, adota uma postura mais cooperativa com outros grupos evangélicos. Em contraste, a ala fechada, associada às ideias de Darby, é mais exclusivista e se isola de outras denominações.

A história do Movimento dos Irmãos em Portugal teve início em 1854, com a chegada do engenheiro químico inglês Thomas Chegwin, que começou uma missão entre os trabalhadores de minas em Palhal. Mais tarde, em 1875, outro engenheiro britânico, George Colby Mackrow, chegou ao país. Em 1877, Mackrow convidou o missionário Richard Holden a vir para Portugal, e juntos eles abriram o primeiro templo da igreja, em Lisboa. Atualmente, a maioria das comunidades em Portugal está unida sob o registro legal de Comunhão de Igrejas de Irmãos em Portugal e publica o hinário “Hinos e Cânticos Espirituais”.

No Brasil, o movimento teve início em 1878 com a chegada do missionário inglês Richard Holden. As comunidades locais, conhecidas como “Casas de Oração”, enfatizam a autonomia congregacional, a liderança colegiada de anciãos e a dedicação ao evangelismo. No Brasil as estatísticas mais recentes indicam a existência de centenas de igrejas locais, concentradas principalmente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

O Movimento dos Irmãos na Itália teve sua origem nas Igrejas Cristãs Livres, fundadas na Toscana em 1833 pelo conde Piero Guicciardini e Teodorico Pietrocola Rossetti, que tiveram contato com o movimento no exílio. Influenciadas pelos Irmãos de Plymouth, essas igrejas rejeitaram a organização hierárquica e a ordenação de pastores, preferindo que a liderança fosse exercida por anciãos. A autonomia das igrejas locais se tornou um princípio central.

O movimento se expandiu da Toscana para o resto do país, com a ajuda de missionários ingleses. Em 1891, foi criada a Opera delle Chiese Cristiane dei Fratelli, um ente moral que centralizava a administração material das igrejas, permitindo sua continuidade e crescimento. Durante o período fascista, enfrentaram repressão devido à falta de uma estrutura formal centralizada. Após a Segunda Guerra Mundial, o movimento consolidou-se, estabelecendo fortes laços com o evangelicalismo internacional. Atualmente, existem 286 assembleias dos Irmãos na Itália, que se consideram um movimento de igrejas autônomas e não uma denominação formal.

No mundo, o movimento cresceu e se expandiu, contando com mais de dois milhões de seguidores em mais de 140 países.

African Apostolic Church (Masowe)

Johane Masowe Chishanu Church, também chamada de the Vapostoli a Johane Masowe (Gospel of God Church), Apostolic Sabbath Church of God, Vahosanna.

Johane Masowe (1889–1973) foi um líder espiritual que fundou a Igreja Apostólica Johane Masowe Chishanu na década de 1920. Nascido como Masedza Gadzema em uma área rural do Zimbábue, cresceu em condições de pobreza. Segundo relatos, teve uma visão de um anjo que o incumbiu de pregar arrependimento e santidade. Iniciou suas pregações nas ruas de Harare, atraindo multidões com suas mensagens espirituais e despertando grande interesse entre os habitantes locais.

Durante seus ensinamentos, rejeitou a forma ocidental do cristianismo, enfatizando a espiritualidade africana. Suas práticas incluíam jejum, oração e a imposição de mãos para a cura de enfermos. Na década de 1930, foi associado brevemente à Apostolic Faith Mission na África do Sul, mas acabou desenvolvendo uma abordagem distinta, baseada em revelações. Uma de suas orientações mais marcantes foi a rejeição inicial de rituais religiosos e textos, incluindo a Bíblia, defendendo o abandono de bens materiais e invenções associadas aos colonizadores brancos.

Em 1947, seus seguidores estabeleceram-se em Port Elizabeth, na África do Sul, especificamente na favela de Korsten, onde adotaram um modelo comunitário de vida, compartilhando bens e desenvolvendo atividades como a confecção de cestos para sustento. Em 1961, devido a tensões políticas e religiosas, 1.880 membros de sua comunidade foram deportados para o Zimbábue. Posteriormente, sua influência se espalhou por outros países, incluindo Zâmbia, Quênia, Tanzânia, Moçambique e Congo.

Ao longo de sua trajetória, as mudanças nas práticas religiosas de Johane provocaram divisões dentro do movimento. Quando voltou a adotar a Bíblia e declarou o sábado como dia santo, em vez da sexta-feira, parte de seus seguidores interpretou essa mudança como um desvio do caminho espiritual original. Esse grupo rompeu com Johane e formou uma nova ramificação, que continua a rejeitar a Bíblia e outros elementos materiais, enfatizando a orientação direta do Espírito Santo. Suas práticas incluem reuniões em espaços abertos, a rejeição da eucaristia, uma estrutura eclesiástica horizontal, a não arrecadação de dinheiro durante os cultos e a ausência de registros escritos de cânticos ou profecias.

Johane Masowe faleceu na Zâmbia em 1973, mas seu legado perdura em diversas comunidades religiosas que seguem os princípios de suas revelações e visão espiritual.

Pentecostal Church of God

A Igreja Pentecostal de Deus (Pentecostal Church of God, ou PCG) é uma denominação pentecostal da Obra Plena, com sede em Bedford, Texas, Estados Unidos.

A PCG foi originalmente estabelecida como Assembleias Pentecostais dos EUA (Pentecostal Assemblies of the USA) em uma reunião realizada em 29 e 30 de dezembro de 1919, na Missão Pentecostal Herald, de George Brinkman, em Chicago. Entre os fundadores estavam ministros que rejeitaram a afiliação ao Concílio Geral das Assembleias de Deus, estabelecida em 1914, devido a divergências sobre adotar uma declaração doutrinária de 1916. Recebeu influências de William Durham e William Piper, além de seus quadros iniciais terem sido participantes da rede servida por esses dois pioneiros.

John Sinclair foi eleito o primeiro presidente da organização, e um comitê executivo foi formado para supervisionar as atividades iniciais. Entre os principais participantes e pioneiros estavam George Brinkman, Edward Matthews, John B. Huffman, Silas Shepard, Osborn Gilliland, Rik Field, A.D. McClure, Alfred Worth, e outros. Em 1922, a organização foi renomeada com a designação atual. Em 1934, a denominação adicionou “of America” ao seu nome oficial, mas este foi retirado em 1979.

Desde o início, a PCG adot uopolíticas liberais para ordenação, adesão de membros e questões relacionadas a divórcio e novo casamento entre os ministros. Destacou-se também por sua diversidade, sendo um dos membros fundadores, W.C. Thompson, um pastor afro-americano, e a primeira ministra ordenada, Ida Tribbett, uma mulher.

A denominação rapidamente adquiriu equipamentos de impressão e, em 1927, começou a publicar a revista oficial, The Pentecostal Messenger, consolidando sua capacidade de evangelização e comunicação. No ano seguinte, fundou a Associação de Jovens Pentecostais (Pentecostal Young People’s Association), com foco na evangelização da juventude.

Por um tempo, a PCG experimentou rápido crescimento. Foi uma das denominações de maior expansão nos Estados Unidos em meados do século XX. Embora suas atividades em missões estrangeiras fossem limitadas, a denominação desenvolveu ministérios extensivos entre povos indígenas norte-americanos.

A sede foi transferida diversas vezes ao longo dos anos: de Chicago para Ottumwa, Iowa, em 1927; para Kansas City, Missouri, em 1933; para Joplin, Missouri, em 1951; e finalmente para Bedford, Texas, em 2012, onde permanece até hoje.

A igreja também estabeleceu o Messenger College, localizado em Bedford, que oferece programas de formação ministerial e aconselhamento cristão.

Em 2010, a PCG contava com aproximadamente 620.000 membros, 6.750 ministros e 4.825 igrejas em todo o mundo. Em 2024, havia 960 igrejas nos Estados Unidos. A PCG é membro do Pentecostal/Charismatic Churches of North America (PCCNA).

World’s Faith Missionary Association

A Associação Missionária de Fé Mundial (World’s Faith Missionary Association WFMA) foi uma organização evangélica fundada em 1887 pelo pelo pregador de Santidade Charles S. Hanley e sua esposa Minnie Hanley em Shenandoah, Iowa, para promover o cristianismo evangélico globalmente.

Inicialmente concebida como uma plataforma para ensinamentos radicais do movimento de Santidade, a associação também operava sob o nome de “Organização Sarça Ardente”.

Como organização, não controlava congregações locais, mas efetivamente era uma denominação. Levantava fundo para missões, promovia reuniões de avivamento e credenciava minisros. Dentre seus convertidos estava William H. Durham, o qual seria ordenado pela WFMA.

Após o falecimento de C.S. Hanley em 1925, a WFMA passou por disputas que levaram à sua fragmentação. Depois houve o restabelecimento de facções separadas, cada uma competindo pela legitimidade da WFMA. Uma delas, liderada CS Osterhus criou a WFMA em Robbinsdale, Minnesota, enquanto outra facção, liderada por rev. Montgomery, iniciou operações em Webster Groves, Missouri. Para distinguir as duas entidades, esta última facção adotou o nome de “Associação Ministerial Fundamental” em 1931, enfatizando a unidade doutrinária da organização.

Em 1958, durante a convenção anual realizada no Trinity Seminary e no Bible College em Chicago, Illinois foi promulgada uma reforma organizacional, renomeada Aliança da Igreja Evangélica (ECA). Hoje a ECA conta com mais de 1.600 constituintes, incluindo pastores, professores, missionários e capelães de diversas origens denominacionais.

BIBLIOGRAFIA
DeLong, Joseph I. “It Ought to Be Written”: The Story of Charles and Minnie Hanley, Founders of the World Faith Missionary Association, and the Origin of the Evangelical Church Alliance, Inc. Lulu, 2006.

Bond van Vrije Evangelische Gemeente

A Bond van Vrije Evangelische Gemeente, ou a Liga das Congregações Evangélicas Livres (VEG) são um a denominação protestante holandesa na tradição das igrejas livres.

A história do VEG remonta a meados do século XIX, quando congregações independentes surgiram ao lado da Igreja Reformada Holandesa e da Secessão de 1834. Figuras notáveis como Jan de Liefde, Hermanus Willem Witteveen e Hubert Jacobus Budding desempenharam papéis significativos na formação inicial do movimento.

A Liga das Congregações Evangélicas Livres foi instituído em 1879, unindo inicialmente cinco comunidades. Foi influenciada pelo ministério de D. L. Moody, Ira Sankey e pelo movimento de Keswick. Desde seu início adotou uma postura não credal, valorizando o evangelismo.

Sua forma congregacional é baseada na independência, sem um sínodo ou estrutura de autoridade sinodal. Localmente, é governada por um corpo de presbíteros e diáconos. Influenciado pelo movimento Réveil do século XIX e vários reavivamentos evangélicos, o VEG também mostra influências do Movimento Litúrgico em algumas congregações.

O VEG tem afiliações com organismos internacionais como a Federação Internacional de Igrejas Evangélicas Livres, a Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas e o Conselho de Igrejas na Holanda. Eles também mantêm conexões com outras denominações protestantes, como os batistas na Holanda. Os VEG valorizam sua independência e enfatizam seus propósitos missionários e evangélicos.

Teologicamente é uma denominação evangelical aberta e não credal (ou seja, ser aderir a confissões de fé como instrumento normativo). Seu motto presente no selo denominacional descreve sua fé comum “ICHTUS: Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.” Por sua vez, é expandido como “Jesus Cristo, o Filho de Deus, como foi prometido no Antigo Testamento e revelado no Novo Testamento, como o Cabeça da Igreja e o Salvador do mundo.”

Celebram a Santa Ceia e o batismo. O batismo é tido como simbólico, podendo ser ministrado a filhos de membros ou para adultos, embora essa última posição prevaleça. Contudo, reconhece como válido os batismos adulto e infantil de outras denominações reformadas e evangélicas holandesas.