Massimiliano Tosetto

Massimiliano (Maximilian ou Max) Tosetto (1877-1949) foi um pioneiro, compositor de hinos e ancião nas igrejas cristãs italianas nos Estados Unidos e Canadá. Foi um dos principais autores dos hinos da Congregação Cristã e um dos proponentes dos Doze Pontos de Doutrinas.

The Legacy of Massimiliano Tosetto: Italian American Pentecostal Pioneer |  Flower Pentecostal Heritage Center

Tosetto nasceu em Campiglia dei Berici, Província de Vincenza, Itália. Perdeu a mãe cedo, mas cresceu comprometido com a igreja, a família e a educação. Foi a Milão estudar Arte Decorativa no Instituto de Arte em Milão, tornando-se pintor de afrescos. Cerca de 1889, Tosetto converteu-se a Cristo numa igreja batista evangélica em Milão.

Tosetto migrou para os Estados Unidos em 1901 e no final de 1903 passou a viver Chicago para trabalhar como decorador para a Marshal Field, Co, na qual alguns outros pioneiros também trabalhavam. Nessa cidade, Tosetto frequentava tanto reuniões de estudos bíblicos na Igreja Moody quanto o grupo sem denominacional chamado “Chiesa dei Toscani”, cujos líderes eram G. Beretta, P. Ottolini e P. Menconi.

Em fevereiro de 1907, Tosetto retornou a sua cidade natal, Campiglia dei Berici. Iniciou a evangelizar, formando uma igreja sob cerrada perseguição do clero. Construiu uma casa de oração, inaugurada em 15 de agosto de 1908 na presença de cinco pastores evangélicos e cem pessoas. Tosetto então entregou a igreja aos cuidados dos metodistas wesleyanos e retornou a Chicago.

Em 1909, Tosetto recebeu o batismo no Espírito Santo com sinais de falar em novas línguas. No ano seguinte, casou-se com Luisa Isola (1891-1913), com quem teve um filho. Enviuvado, em 1914 casou-se com Maria Carmella Pontarelli, com quem teve seis filhos.

Em 1914, juntamente com Michele Palma e Luigi Terragnoli, compilou o primeiro hinário Inni e Salmi Spirituali. Seria o editor dos sucessivos hinários, até sua versão-padrão em 1928. Traduziu vários hinos do inglês para o italiano além de compor várias das músicas.

Em 1916, após ser milagrosamente curado de uma infecção no ouvido, entregou-se ao ministério de tempo integral. Mudou-se para Niagara Falls, NY, onde assumiu as responsabilidades da Chiesa Cristiana, depois renomeada Walnut Avenue Christian Church.

Atendeu a obra pentecostal italiana no noroeste do estado Nova York, responsável por igrejas em Lockport, Tonawanda, Buffalo, Jamestown e Niagara Falls, bem como no Canadá. Trabalhou em estreita colaboração com Michele Palma e Luigi Terragnoli nessa época.

Diante da controvérsia sobre o consumo de sangue entre os crentes italianos, Tosetto convocou a primeira reunião das igrejas da obra pentecostal italiana nos Estados Unidos. Para tal, reformou e ampliou a casa de oração de Niagara Falls. A primeira Convenção Geral das Igrejas Cristãs Italianas residentes nos Estados Unidos e Caandá foi realizada em 1927. Tosetto foi um dos presidentes e o proponente dos doze pontos de doutrina e de fé — os artigos de fé que viria servir como base para o movimento.

Nos anos segunites, Tosetto serviu no como um dos cinco ‘supervisores’ da então chamada Unorganized Italian Christian Church of North America.

Tosetto morreu em Montreal em 1949 enquanto pregava sobre “Preciosa aos olhos do Senhor é a morte de seus santos”. Após exortar a viver em paz e amor, finalizou com as palavras: “Sinto como se tivesse asas, pronto para voar. “

BIBLIOGRAFIA

https://sites.google.com/view/explorations-in-italian-protes/p-t/tosetto-massimilian

Garon, Emilio, ‘L’evangelico Tosetto e gli strali del vescovo’, Il Giornale di Vicenza, https://www.ilgiornaledivicenza.it/argomenti/cultura/l-evangelico-tosetto-e-gli-strali-del-vescovo-1.6849277

Tosetto, Maximillian, “Primo, secundo, e terzo trattato: non mangiate alcun sangue”, 1926.

Palma, Paul (2019), Italian American Pentecostalism and the Struggle for Religious Identity, London: Routledge 2019.

Quaglio, Lorenzo, ‘La Chiesa Cristiana Evangelica di Campiglia dei Berici’.

Strippoli, Giuseppe, Slide Deck, 7 Nov 2015, http://www.adivenezia.it/wordpress/wp-content/uploads/2015/02/Massimiliano-Tosetto.pdf

Em termos gerais, é um estado psicológico e relação com algo. Em sentido bíblico corresponde à fidelidade, confiança, comunhão relacional, convicção e depósito de crença.

No Antigo Testamento vários termos, normalmente não traduzidos, referem-se à fé. O mais comum deles é o ‘emunah,  אמונה, cujos sentidos originários eram do campo semântico de firmeza e estabilidade, do qual emerge o sentido de confiança e constância. Um de seus derivados é a palavra “Amém”. O emprego desse termo é diverso e tem conotações ativas. São geralmente traduzidas na Septuaginta por pisteoo, acreditar, e pistos, fiel.

Dois substantivos derivados são ‘emeth אֱמֶת, e ‘emunah אֱמוּנָה. Possuem um sentido passivo de fidelidade mais que algum sentido ativo de acreditar ou crer. Existem várias outras palavras que estão intimamente associadas à ideia de fé e fidelidade no Antigo Testamento, particularmente aquelas que denotam esperança. Outra raíz, h-s-d, denota a relação de Deus e o homem e do homem e o homem sob a aliança.

Os tradutores da Septuaginta preferiram o termo alētheia para ‘emeth e ‘emūnāh, o que quase sempre aparecem no Novo Testamento como verdade, realidade e autenticidade. Autores tardios do período do Segundo Templo refinaram o conceito, empregando também o termo grego antigo pístis (πίστις) com conotações distintas (Lindsay, 1993).

É bem notório que pístis aparece nesses textos de forma polissêmica. De uma lado do campo semântico pístis versa sobre o estado de espírito ou uma emoção de confiança a algo ou alguém. De outro lado do campo semântico, pístis é sobre o relacionamento e práxis feitos com segurança, lealdade, aliança e comunhão. (Morgan, 2015; Bates, 2017; Diggle, 2021).

Nas traduções latinas, consequentemente para o mundo ocidental, ‘emunah e pístis ganharam a conotação de fides, termo que já era utilizado para se referir à Pístis filosófica grega. A teologia latina, sobretudo a escolástica e mesmo a protestante transformou a semântica de fides para limitar-se à atividade cognitiva. Conforme formulado por Melâncton, a fides passou a compreender três coisas: notitia (entendimento), assensus, (reconhecimento) e fiducia (confiança). Entretanto, desde o século XVIII, tanto pelos avanços da epistemologia quanto pela ciências linguísticas e filológicas, os sentidos grego e hebraico de fé conforme a Bíblia foram redescobertos no mundo ocidental.

SAIBA MAIS

Bates, Matthew W. Salvation by Allegiance Alone: Rethinking Faith, Works, and the Gospel of Jesus the King. Baker Academic, 2017.

Diggle, James. The Cambridge Greek Lexicon. Cambridge University Press, 2021.

Lindsay, Dennis R. Josephus and Faith:” pístis” and” pisteúein” as Faith Terminology in the Writings of Flavius Josephus and in the New Testament. Vol. 19. Brill, 1993.

Morgan, Teresa. Roman faith and Christian faith: Pistis and fides in the early Roman Empire and early Churches. OUP Oxford, 2015