Oração

Oração (תְּפִלָּה, tefillah, em hebraico; προσευχή, proseuché, em grego) é um ato de comunicação com a divindade, central na experiência religiosa bíblica. Embora existam várias palavras hebraicas e gregas relacionadas à oração, tefillah e proseuché são os termos mais abrangentes e frequentes. Tefillah deriva da raiz פלל (pll), que significa “julgar”, “intervir”, “interceder”, e implica um apelo à intervenção divina. Proseuché vem de πρός (pros, “em direção a”) e εὔχομαι (eúchomai, “orar”, “desejar”), enfatizando a orientação da comunicação para Deus.

Na Bíblia, a oração assume diversas formas:

  1. Petição: Pedir a Deus por necessidades, tanto materiais quanto espirituais (Salmo 5:1-3; Mateus 6:11; Filipenses 4:6).
  2. Ação de Graças: Expressar gratidão a Deus por suas bênçãos e provisão (Salmo 100:4; Filipenses 4:6; 1 Tessalonicenses 5:18).
  3. Adoração e Louvor: Exaltar a Deus por seus atributos e obras (Salmo 95:1-7; Apocalipse 4:8-11).
  4. Confissão: Reconhecer os pecados e pedir perdão a Deus (Salmo 51; Daniel 9:4-19; 1 João 1:9).
  5. Intercessão: Orar em favor de outras pessoas (Gênesis 18:22-33; Êxodo 32:11-14; Tiago 5:16).
  6. Lamento: Expressar a angústia a Deus em tempos de adversidade (Salmos 13; 22).

A Bíblia apresenta exemplos de oração individual (1 Reis 18:36-37; Daniel 6:10; Mateus 6:6) e coletiva (2 Crônicas 6:12-42; Atos 4:24-31). A oração pode ser espontânea ou seguir fórmulas estabelecidas (como o Pai Nosso, em Mateus 6:9-13 e Lucas 11:2-4).

No Antigo Testamento, a oração é frequentemente associada ao sacrifício no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo (1 Reis 8:22-53). No entanto, a oração pessoal e em outros locais também é evidente (Daniel 6:10).

No Novo Testamento, Jesus enfatiza a importância da oração sincera, em secreto (Mateus 6:5-6), e da fé (Mateus 21:22; Marcos 11:24). Ele próprio é apresentado como um modelo de oração, passando tempo em comunhão com o Pai (Marcos 1:35; Lucas 6:12). O ensino de Jesus sobre a oração culmina no Pai Nosso, que serve como modelo para a oração cristã, abrangendo adoração, petição, confissão e submissão à vontade de Deus.

Voto

Um voto denota um compromisso solene feito a uma entidade divina, muitas vezes acompanhado de um compromisso ou sacrifício. Ao longo da história e em várias tradições religiosas, os votos tiveram uma importância significativa, servindo como expressões de devoção, gratidão ou pedidos de intervenção divina.

Os votos abrangem um espectro de compromissos, que vão desde compromissos de abstenção de certas ações, como visto no voto nazireu (Números 6), até promessas de ofertas ou sacrifícios para expressar devoção ou petição por assistência.

O verbo נָדַר (nadar, “votar”) significa o ato de prometer solenemente uma ação ou sacrifício ao Senhor. Da mesma forma, o substantivo נֶדֶר (neder, “voto”) denota a oferta prometida a Deus, muitas vezes na forma de sacrifícios ou ofertas voluntárias, especialmente durante momentos de coação ou súplica.

Um dos primeiros votos registrados é atribuído a Jacó (Gênesis 28:20-22), quando se compromete a oferecer um décimo de seus ganhos a Deus em troca de proteção. O Antigo Testamento descreve regulamentos que regem os votos (Malaquias 1:14) e descreve os pagamentos necessários para validá-los (Levítico 27:8). Várias figuras bíblicas, como Jefté (Juízes 11:30), Ana (1 Samuel 1:11) e Absalão (2 Samuel 15:7–8), fizeram votos de buscar o favor divino ou cumprir obrigações pessoais.

No Novo Testamento, Atos documenta a adesão do apóstolo Paulo a um voto. Na ocasião, corta o cabelo como um ato de cumprimento (Atos 18:18). No entanto, a natureza específica e o propósito deste voto permanecem não revelados.

Simon Chan

Simon K. H. Chan, teólogo pentecostal, professor de Teologia Sistemática no Trinity Theological College (Cingapura).

Fez seu doutorado com ênfase em teologia histórica pela Universidade de Cambridge, sob a direção de Eamon Duffy (1986). É um ministro ordenado nas Assembléias de Deus de Cingapura e editor do Trinity Theological Journal.

Chan critica divisão da teologia sistemática em disiciplinas isoladas. Para integrá-las, propõe que a Espiritualidade seja uma disciplina em seu próprio mérito.

O foco de Chan no culto como cerne ontológico da Igreja remedia deficiências em eclesiologia que consideram o culto e a liturgia como acidentes sociológicos ou aspectos funcionais. Para Chan, o culto define a Igreja.

TEOLOGIA

Chan, Simon. Spiritual Theology: A Systematic Study of the Christian Life. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1998.

Chan, Simon. Pentecostal Theology and the Christian Spiritual Tradition. Sheffield: Sheffield Academic Press, 2000.

Chan, Simon. Liturgical Theology: The Church as Worshipping Community. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2006.