Apócrifo de Ester de Massada

Apócrifo de Ester de Massada (Mas1m) é pequeno manuscrito hebraico do Deserto da Judeia. Datado período herodiano, são quinze fragmentos remontados em duas colunas. Infelizmente, o manuscrito é tão fragmentário que é difícil entendê-lo.

Apesar de não parece haver muito conteúdo que o conecte com o Livro de Ester, há algumas fraseologia comum ao “eles enforcaram” (cf. Ester 7:10) e “favor aos seus olhos” (cf Ester 5:8; 7:3).

BIBLIOGRAFIA

Talmon, Shemaryahu. “Fragments of Scrolls from Masada.” Eretz Israel 20 (1989), 280. A publicação preliminar do Mas1m.
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Conto de Bagasraw

Manuscrito do Mar Morto 4Q550, Proto-Ester.

É um conjunto de seis fragmentos aramaicos encontrados em Qumran entre os Manuscritos do Mar Morto (c. 250 aC – 50 dC) publicado por J. T. Milik em 1992 e intitulado “4Q proto Aramaic Esther”.

Trata-se de uma “história da corte” que parece recontar as aventuras de um grupo de judeus na corte dos reis persas Dario e Xerxes. O protagonista é Bagasraw (Bagasro e Bagasrava), talvez filho de Patireza. Homem temente a Deus, Bagarasraw foi recompensado pelo rei persa por suas boas ações.

Outro membro da corte, Bagashe (ou Bagoshi) avisa Bagasraw sobre seus adversários.

No início do texto (conforme reconstrução), uma “princesa” também é mencionada.

A narrativa é ambientada na corte da Pérsia, com o final do texto menciona especificamente a Media, a Pérsia e a Assíria. O rei persa parece ser filho de Dario I, talvez mesmo rei em Ester, Assuero (Xerxes).

BIBLIOGRAFIA

https://www.deadseascrolls.org.il/explore-the-archive/manuscript/4Q550-1?locale=en_US

Cook, Edward M. “The Tale of Bagasraw.” Pages 437–39 in The Dead Sea Scrolls: A New Translation. Translated by Michael O. Wise, Martin G. Abegg, Jr. and Edward M. Cook. San Francisco: HarperOne, 1996.

Collins, John J., Deborah A. Green. “The Tales from the Persian Court (4Q550a–e) in Antikes Judentum und Frühes Christentum, pp. 39–50. Berlin, 1999.

Crawford, Sidnie White. “Has Esther Been Found at Qumran? 4Qproto-Esther and the Esther Corpus.” Revue de Qumrân 17 (1996), 307–325.

Milik, J. T. “Les modeles arameens du livre d’Esther dans la Grotte 4 de Qumran.” Revue de Qumran 15 (1992): 321–406.

VanderKam, James C. and Peter Flint. The Meaning of the Dead Sea Scrolls: Their Significance for Understanding the Bible, Judaism, Jesus, and Christianity. New York: HarperCollins, 2002.

Wechsler, Michael G. “Two Para-Biblical Novellae from Qumran Cave 4: A Reevaluation of 4Q550.” Dead Sea Discoveries 7 (2000): 130–72.

Livro de Ester

O Livro de Ester é um romance da diáspora. Com astúcia e coragem, a moça Ester salva o povo judeu de um genocídio.

Canonicidade e Testemunhas Textuais
A canonicidade de Ester gerou debates históricos entre as comunidades religiosas, mas é agora amplamente aceita tanto por judeus como por cristãos.

O Livro de Ester, embora não mencionado no Novo Testamento, em Filo ou em Qumran, possui uma rica história textual. Sua mais antiga menção vem de Flávio Josefo, o qual sumarizou a história de Ester em suas Antiguidades Judaicas (11.184-296), demonstrando seu conhecimento e relevância no período. Já por volta de 135 d.C., Aquila elaborou uma tradução grega da Bíblia Hebraica, da qual um fragmento de sua versão de Ester sobreviveu em Ester Rabá 2:7, evidenciando que considerava Ester como Escritura. Os manuscritos mais antigos que possuímos incluem o Códice de Leningrado 19A, o Códice Vaticano e o manuscrito 319 da Septuaginta. A Vetus Latina, uma antiga tradução latina, também contém uma versão de Ester, datada de 330-350 d.C. As testemunhas textuais posteriores revelam uma abundância de manuscritos hebraicos, visto ser um dos livros mais copiados das Escrituras. As versões gregas, notadamente a LXX e o Texto Alfa (AT), apresentam seções adicionais ausentes no Texto Massorético.

Autoria e Data
A autoria de Ester permanece indefinida, envolta em anonimato. Alguns especulam o envolvimento de figuras como Mardoqueu, Esdras ou Neemias, mas as evidências são escassas. A narrativa do livro provavelmente situa-se entre 464-400 aC, sendo ambientado no período persa alinhado com o reinado de Xerxes (486-465 aC), embora Artaxerxes I ou Artexerxes II também sejam indicados como potenciais identidades para o rei Assuero.

Discrepâncias textuais
Os acréscimos gregos a Ester, especialmente nos capítulos 11-16, introduzem discrepâncias e expansões notáveis ausentes no Texto Massorético hebraico. Estas adições, embora ausentes nas tradições talmúdica, targúmica e siríaca, concentram-se em elementos religiosos, detalhes históricos e enfatizam a intervenção divina. Não foram encontrados versões de Ester entre os manuscritos do Mar Morto, mas há um putativo Apócrifo de Ester de Massada.

Debates sobre canonicidade
A canonicidade de Ester enfrentou escrutínio nos círculos judaicos, com a sua ausência nos Manuscritos do Mar Morto levantando questões. Embora a versão do Old Greek (a Septuaginta) conste esse livro, as opiniões variaram entre os rabinos. Os primeiros debates cristãos incluíram a observação de Jerônimo de que os acréscimos estavam ausentes nos textos hebraicos de sua época.

O livro de Ester aparece entre os Cinco Megillot dos Escritos na versão hebraica. Já nas versões gregas aparece no final dos livros históricos.

Historicidade

A historicidade de Ester, antes amplamente aceita, agora encontra questionamentos. Improbabilidades e contradições com fontes externas, como Heródoto, levantam dúvidas. No entanto, o livro se alinha com os costumes, a arquitetura e os nomes persas/iranianos, sugerindo um cenário histórico. A continuidade da tradição do purim é um elemento para reivindicar sua historicidade.

Gênero e Objetivo
O gênero de Ester abrange elementos de conto de sabedoria, conto de corte, história da diáspora, comédia e etiologia de festival. Seu propósito vai além da documentação histórica, visando dar legitimidade à festa de Purim, não instituída na Lei Mosaica, e incentivar a resistência à assimilação.

Teologia
Embora a presença de Deus permaneça oculta (é o único livro bíblico sem referência explícita sobre Deus), temas religiosos permeiam Ester. O jejum, as coincidências providenciais e a declaração de Mardoqueu sobre o papel de Ester sublinham a intervenção divina, mesmo no oculto. Os motivos teológicos destacam a interação entre a ação divina e a iniciativa humana.

Esboço estrutural

  1. Contexto Histórico e Apresentação dos Personagens (1:1-22)
    Apresentação do rei Assuero, seu vasto império e a rainha Vasti.
    Banquete real e a deposição da rainha Vasti por desobediência.
    Busca por uma nova rainha e a seleção de Ester.
    Mordecai, primo e tutor de Ester, e sua importância na trama.
  2. A Ascensão de Ester e a Conspiração de Hamã (2:1-18)
    Ester é levada para o harém real e se destaca entre as candidatas.
    Ester é coroada rainha, mas mantém sua identidade judia em segredo.
    Mordecai descobre uma conspiração contra o rei e a revela através de Ester.
    Hamã, um oficial de alta patente, é promovido e exige honra de todos.
  3. O Decreto de Extermínio e o Desespero dos Judeus (3:1-15)
    Hamã, enfurecido por Mordecai não se curvar diante dele, planeja destruir todos os judeus do império.
    Hamã lança sortes (Purim) para determinar a data do extermínio.
    O rei Assuero, sem saber do ódio de Hamã contra os judeus, assina o decreto.
    A notícia do decreto se espalha e causa grande desespero entre os judeus.
  4. A Coragem de Ester e a Reviravolta da História (4:1-17)
    Mordecai informa Ester sobre o decreto e a persuade a interceder pelo povo judeu.
    Ester, apesar do risco, decide revelar sua identidade judia ao rei.
    Ester organiza um banquete para o rei e Hamã, onde revela o plano de Hamã.
    O rei, furioso, ordena a execução de Hamã e eleva Mordecai a uma posição de destaque.
  5. A Salvação dos Judeus e a Festa de Purim (5:1-10:3)
    Ester intercede novamente pelo povo judeu, e o rei permite que eles se defendam.
    Os judeus se reúnem e derrotam seus inimigos, liderados por Mordecai.
    É instituída a festa de Purim para comemorar a salvação dos judeus.
    Mordecai se torna o segundo homem mais poderoso do reino, e Ester é honrada por sua coragem.

Ester

Ester, em hebraico אֶסְתֵּר, ambém conhecida pelo nome hebraico Hadassah, é a protognista do Livro de Ester.

Inicialmente apresentada como habitante de Susã e vivendo com seu primo Mardoqueu, ganha destaque como Rainha Ester do rei persa Assuero. O nome Ester, possivelmente derivado da palavra iraniana antiga para “estrela”, carrega conotações de ocultação, alinhando-se com o tema do livro. A narrativa de Ester desenrola-se à medida que navega estrategicamente pela corte persa para salvar o seu povo, revelando a sua identidade judaica num momento crítico. O livro culmina com o triunfo dos judeus e o estabelecimento do festival anual de Purim.

A natureza histórica, semi-histórica ou ficcional de Ester gerou debates, mas ela permanece significativa no Judaísmo tradicional. Embora as críticas modernas questionem o seu momento e assertividade em comparação com heroínas como Judite, os riscos estratégicos e a habilidade retórica de Ester dentro das restrições da sociedade persa demonstram a sua resiliência e perspicácia política. Suas ações moldam uma narrativa de coragem e inteligência, contribuindo para discussões contínuas na exegese ampla e na exegese especializada feminista.

O livro que leva seu nome é um romance da diáspora. Com astúcia e coragem, a moça Ester salva o povo judeu de um genocídio.

Midrash e Apócrifos

A Midrash e a versão deuterocanônica das Adições a Ester abordam questões sobre sua observância das práticas judaicas e a apresentam como um exemplo do Segundo Templo e dos ideais rabínicos.