Raimundo Lúlio

Raimundo Lúlio (c. 1232–c. 1315/16), conhecido em catalão como Ramon Llull, foi um filósofo, teólogo, poeta, missionário, apologista cristão e ex-cavaleiro nascido no Reino de Maiorca. Reconhecido como uma figura central na literatura catalã, Lúlio é considerado um precursor da teoria da computação e influenciou diversas áreas do conhecimento.

Nascido em uma família abastada em Palma de Maiorca, Lúlio levou uma vida cortesã em sua juventude. Por volta dos 30 anos, teve uma experiência religiosa profunda que o levou à conversão e ao compromisso com a propagação do cristianismo, especialmente entre muçulmanos no Norte da África. Ele aprendeu árabe, viajou amplamente e se envolveu em diálogos inter-religiosos, buscando construir pontes entre diferentes tradições religiosas.

Lúlio desenvolveu o Ars Magna (Grande Arte), um sistema que combinava lógica, filosofia e teologia para demonstrar a verdade do cristianismo. Utilizando diagramas e símbolos, o Ars Magna explorava combinações de atributos divinos e conceitos, sendo considerado uma contribuição inicial à computação moderna. O uso de métodos combinatórios e simbólicos nesse sistema influenciou pensadores posteriores, como Gottfried Leibniz. Além de seu aspecto lógico, os escritos de Lúlio também comunicam reflexões místicas.

Lúlio escreveu em catalão, latim e árabe. Discorria sobre temas filosóficos, teológicos e literários. Sua obra inclui tratados, poesia, romances e um manual sobre cavalaria. Ele foi um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da língua catalã como meio literário.

Como missionário, Lúlio empreendeu várias jornadas ao Norte da África, enfrentando riscos e oposição. Defendia a criação de escolas de línguas para apoiar os esforços missionários e dedicou sua vida a promover o diálogo entre religiões. Sua dedicação à missão cristã culminou em sua morte, possivelmente como mártir em Túnis.

O legado de Raimundo Lúlio abrange filosofia, teologia, literatura e ciência. Ele é celebrado como um dos pilares da cultura catalã e um pioneiro no diálogo inter-religioso. Seu Ars Magna continua sendo estudado por sua relevância histórica e pelas perspectivas que oferece sobre o conhecimento e a computação.

Hans Jonas

Hans Jonas (1903-1993) foi um filósofo, teólogo e bioeticista germano-americano que procurou preencher a lacuna entre ciência e religião.

Jonas enfatizou as implicações éticas da tecnologia e a necessidade de a humanidade assumir a responsabilidade pelo impacto de suas ações no mundo natural. Jonas foi autor de vários livros, incluindo The Imperative of Responsibility: In Search of an Ethics for the Technological Age (O imperativo da responsabilidade: em busca de uma ética para a era tecnológica) (1979).

Nascido em uma família judia em Mönchengladbach, Alemanha, Jonas estudou filosofia e teologia em diversas universidades, incluindo Freiburg, Berlim e Heidelberg. Teve influências de Edmund Husserl, Martin Heidegger e Rudolf Bultmann. Em 1928, obteve seu doutorado com uma tese sobre Gnosticismo.

Fez contribuições quanto ao existencialismo, à ética e à filosofia da tecnologia. Jonas abordou as implicações éticas dos avanços tecnológicos modernos. 

O desenvolvimento intelectual de Jonas passou da pesquisa para o gnosticismo da antiguidade tardia através de um foco no conceito de responsabilidade. Explorou as responsabilidades éticas que os humanos têm para com as gerações futuras e o meio ambiente. A filosofia de Jonas integrou preocupações existencialistas com perspectivas ecológicas profundas, enfatizando a importância de preservar o mundo natural e abraçar um futuro sustentável. Suas obras continuam a moldar as discussões sobre ética, tecnologia e os desafios morais enfrentados pela humanidade na era moderna.

BIBLIOGRAFIA

nas, Hans. The Principle of Responsibility: Ethics for the Technological Age. 1979.

Jonas, Hans. The Phenomenon of Life: Toward a Philosophical Biology. Chicago: University of Chicago Press, 2001.

Jonas, Hans. The Imperative of Responsibility: In Search of an Ethics for the Technological Age. Chicago: University of Chicago Press, 1984.

Jonas, Hans. Mortality and Morality: In Search for the Good after Auschwitz. Evanston: Northwestern University Press, 1996.

Friedrich Nietzsche

Friedrich Nietzsche (1844-1900) foi um filósofo e crítico cultural alemão, conhecido por sua crítica à moralidade cristã tradicional e por sua defesa de uma nova ética de afirmação da vida. Embora filho de um clérigo protestante, seu pensamento desafiava o cristianismo. Para ele, o cristianismo mantinha uma moralidade escrava que sufocava a criatividade e o potencial humano. Contudo, suas críticas contribuíram para autorreflexões anti-idólatras no cristianismo, além de influenciar a hermenêutica do século XX.

Adelardo de Bath

Adelardo de Bath ou Adelardus Bathensis (1080? – 1152?) foi um filósofo, viajante e tradutor britânico.

Viajou pelo Mediterrâneo, visitando o sul da Itália, o Norte da África e a Ásia Menor. Traduziu os Elementos de Euclides para o latim, a primeira versão extante conhecida. Foi um dos introdutores dos algarismos arábicos na Europa.

Na questão dos universais, tentou concilar Platão e Aristóteles. Considerava um perspectivismo: os particulares e ou universais existiam a partir da perspectiva do sujeito. Influenciou a filosofia natural de Roberto Grosseteste e Roger Bacon.