Anrafel

Anrafel, em hebraico אַמְרָפֶל‎; em grego: Αμαρφάλ, é mencionado em Gênesis 14:1 como o rei de Sinar, uma região geralmente associada à Babilônia ou Suméria. Ele é um dos quatro reis que se unem para guerrear contra os cinco reis da planície do Jordão, incluindo Sodoma e Gomorra, onde Ló, sobrinho de Abraão, residia. A narrativa bíblica descreve a vitória de Anrafel e seus aliados, que saqueiam as cidades e capturam Ló, desencadeando a intervenção heroica de Abraão para resgatar seu sobrinho.

A identidade precisa de Anrafel permanece incerta. Há diversas teorias, buscanádo associá-lo a figuras históricas conhecidas através de registros arqueológicos e documentos. Algumas das identificações propostas incluem:

  • Hamurabi: Uma hipótese popular, embora atualmente menos aceita, associa Anrafel a Hamurabi, o famoso rei babilônico conhecido por seu código de leis. Essa associação se baseia em semelhanças fonéticas entre os nomes e na possível correspondência entre Sinar e a Babilônia de Hamurabi.
  • Amar-Sin: Outra teoria, proposta por David Rohl, identifica Anrafel com Amar-Sin, um rei da Terceira Dinastia de Ur. Essa identificação se baseia em evidências linguísticas e na possibilidade de Sinar se referir à região da Suméria.
  • Ninrode: Na tradição judaica posterior, Anrafel é às vezes identificado com Ninrode, uma figura lendária mencionada em Gênesis 10 como um poderoso caçador e construtor de cidades. Essa associação, no entanto, não possui base histórica sólida.

Apesar das diversas teorias, a identificação de Anrafel permanece incerta.

Independentemente de sua identidade histórica, Anrafel desempenha um papel na narrativa de Gênesis 14. Ele representa o poderio militar e a ameaça que os reinos da Mesopotâmia representavam para as cidades da planície do Jordão. Sua campanha militar e a captura de Ló servem como catalisador para a ação de Abraão ao resgatar seu sobrinho e derrotar os reis invasores.

A figura de Anrafel também destaca a instabilidade política e os conflitos que marcaram a região do Oriente Próximo na antiguidade. As alianças e guerras entre diferentes reinos eram frequentes, e a narrativa de Gênesis 14 ilustra a complexidade das relações entre os povos da época.

Admá

Admá era uma das cidades da planície perto de Sodoma, localizada em Israel. (Gênesis 10:19; 14:1-3). Uma das cinco cidades na região da “Baixada de Sidim”. vizinhas de Sodoma, Gomorra, Zeboim e Bela (Zoar).

Admá e seu rei, Sinabe foram invadidos pelos quatro reis orientais. (Gênesis 14:8-11). Deuteronômio 29:23 indica que Admá foi destruída junto com Sodoma, Gomorra e Zeboim.

Hipótese Seirita

A hipótese Seirita é uma teoria em estudos bíblicos que postula a existência de uma fonte edomita/seirita na Bíblia Hebraica, bem como influência edomita na formação do monoteísmo israelita.

A proximidade geográfica e étnica entre os edomitas e israelitas é bem atestada. A suposta sabedoria dos edomitas é mencionada em várias passagens bíblicas, como Jeremias 49:7; 1 Samuel 24:13-15. Obadias 7-8. Alguns estudiosos sugeriram que Jó, os Salmos 88 e 89, Provérbios 30 e 31 e o material egípcio contido nos Salmos 104 e Provérbios 22:17-24 possam ter origem edomita. Gênesis 2 e partes dos capítulos 14–35, 36 e 38 teriam origens em Edom.

A ausência de menção a cultos a outros deuses, bem como a escassa evidência arqueológica a este respeito em território edomita, suportam a ideia que os seiritas seguiam uma forma de monoteísmo.

A partir disso, esta teoria foi inicialmente proposta por Robert H. Pfeiffer. Nos anos 1930, Pfeiffer sugeriu vários elementos em Gênesis indicavam uma fonte Seirita ou S, conforme o paradigma da Hipótese Documental. Notou também que teologia do Livro de Jó, aparentemente edomita, foi combinada em Segundo Isaías com a tradição israelita de um Deus da história na teologia. Notou que teologia da literatura Edomita rejeita recompensas divinas (cf. Sl 14), além de haver um certo pessimismo e resignação (cf. Eclesiastes).

Uma nova forma dessa hipótese é proposta por Nissim Amzallag. Nesse modelo, a teologia seirita foi elaborada e promovida por refugiados edomitas que se juntaram à comunidade pós-exílica e foram contados como levitas nas reformas de Neemias.

Embora a hipótese Seirita teve pouca aceitação em estudos bíblicos, fornece uma perspectiva sobre as possíveis influências na religião do Antigo Israel e na Bíblia hebraica.

VEJA TAMBÉM

Hipótese Midianita

BIBLIOGRAFIA

Amzallag, Nissim. Esau in Jerusalem – The Rise of a Seirite Religious Elite in Zion at the Persian Period.Leuven: Peeters, 2015.

Amzallag, Nissim. “Edomite Defectors among the Israelites: Evidence from Psalm 124.” Old Testament Essays 34.1 (2021): 27-49.

Morgenstern, Julian. The Oldest Document of the Hexateuch. Hebrew Union College, 1927.

Pfeiffer, Robert H. “A Non-Israelitic Source of the Book of Genesis.” Zeitschrift für die alttestamentliche Wissenschaft 48.Jahresband (1930): 66-73. https://doi.org/10.1515/zatw.1930.48.1.66