Enoque

Enoque é um personagem bíblico contado entre os patriarcas. em hebraico חֲנוֹךְ, com significado de “dedicar, iniciar, fundar”. Foi bisavô de Noé e a sétima geração descendente de Adão.

Enoque é mencionado brevemente em Gênesis 5:24, retratando-o como filho de Jarede e pai de Matusalém. Seu destino singular, “caminhava com Deus; então ele não existia mais, porque Deus o levou”, ressalta um afastamento excepcional da existência mortal. As interpretações do texto hebraico e grego diferem ligeiramente, com esta última dizendo que foi transladado. O autor de Hebreus interpreta o translado como não vendo a morte (Hb 11:5-6).

Alguns estudiosos notaram um paralelo entre Enoque e Enmeduranki, Enmenduranki aparece como sétimo rei da Lista de Reis Sumérios associado ao deus sol Shamash (contra, Gmirkin aponta leituras como sexto ou oitavo rei). Ambos contêm uma viagem celestial e a ênfase na sabedoria e no poder revelador. Ambas as figuras mantêm relações divinas, com Enoque vivendo precisamente 365 anos, simbolizando o calendário solar. Os dois antecederam o dilúvio.

No período helenístico surgiram várias literaturas que constam Enoque como protagonista ou autor.

Século II a.C. os livros enóquicos, como a Epístola de Enoque (1 Enoque 91–105; talvez 106–108), desenvolvem ainda mais o caráter de Enoque como profeta escatológico e sábio. O Livro dos Sonhos apresenta a revelação de Enoque através de uma visão sobre o julgamento escatológico e os eventos que o precederam.

Os primeiros livros da literatura enoquiana, incluindo o Livro Astronômico e o Livro dos Vigilantes, retratam Enoque como o pai de Matusalém, um intermediário entre anjos e humanos e um revelador do conhecimento astronômico. Esses livros enfatizam o papel de Enoque como sábio e escriba, contribuindo para a transmissão do conhecimento entre gerações.

Outras fontes, incluindo o aramaico Levi, Ben Sira, Pseudo-Eupolemo, Jubileus e Enoque em Qumran, oferecem perspectivas variadas sobre a vida, a sabedoria e o papel de Enoque nos assuntos celestes. Essas fontes retratam coletivamente um quadro complexo de Enoque como adivinho, mediador e registrador do conhecimento divino.

A Sabedoria de Salomão tem uma visão mais sóbria, apresentando Enoque como uma figura justa que foi arrebatada para evitar a corrupção do seu entendimento. O Livro das Similitudes, por outro lado, atribui títulos únicos a Enoque, como o “ungido”, “o escolhido”, “o justo” e “filho do homem”, enfatizando seu status exaltado e seu papel no julgamento.

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VEJA TAMBÉM

Enoque Astronômico

SJudaismo enoquita

Livro de Enoque

Sete

Sete, em hebraico שֵׁ֑ת; e em grego Σηθ, nome de dois personagens bíblico, com significado incerto

Uma possibilidade é que o nome tenha sido escolhido por sua assonância com o verbo hebraico “shath”, que significa “designar”, sem necessariamente implicar uma relação direta de substituição.

Adicionalmente, pode significar “designado” ou “colocado”, sugerindo que ele foi um substituto para Abel, que foi assassinado por Caim.

  1. Sete, o terceiro filho de Adão e Eva, nascido após a morte de Abel (Gênesis 4:25). É o ancestral de várias linhagens genealógicas bíblicas (Gênesis 5:3, 4; 1 Crônicas 1:1; Lucas 3:38, cf. Eclesiástico 49:16)

De acordo com o Texto Massorético e a versão samaritana da Bíblia, Sete teve um filho chamado Enos quando tinha 105 anos, porém a Septuaginta indica 205 anos para esse evento. Sete viveu até os 912 anos de idade (Gênesis 4:26; 5:6-8).

O nascimento de Sete é apresentado em contraste com a linhagem de Caim, marcada pela violência e depravação. A partir do nascimento de Sete ha o início da prática de invocar o nome de Yahweh (Gênesis 4:26).

2. Filhos de Sete aparece em Números 24:17, em uma passagem obscura onde Balaão se refere a um povo inimigo de Israel. Seria possível corrupção do texto original ou um jogos de palavras que pode conectar os moabitas (o povo inimigo em questão) aos israelitas, descendentes de Sete. Jeremias 48:45 há algo similar, como “filhos do tumulto” (bnei sheth).