Pantaleone Laudisa

Pantaleone Laudisa (1889–1970) foi um artista plástico, arquiteto e pioneiro da Obra pentecostal na Itália.

Órfão aos oito anos, tornou-se escultor e arquiteto autodidata. Converteu-se por volta dos anos 1920. Junto de sua filha Fiordisa Primo-maggio enfrentou a perseguição fascista contra os crentes.

Laudisa e sua filha foram presos no dia 2 de junho 1936. Foram condenados ao confinamento civil a San Mauro Forte por participar de cultos pentecostais. Receberam liberdade condicional dez meses depois a 23 de março de 1937.

Suas três inteligentes filhas foram ativas na igreja de Roma. Fiordisa Primo-maggio Laudisa organizou as conveções de Roma em 1928 e 1929.

BIBLIOGRAFIA

PENACH, Enrico. L’architetto Pantaleone Laudisa. L’Artista Moderno. Rivista Illustrata D’Arte Applicata. Torino: 1912. n. 5. p.79

Mercedes Lourdes Frias

Mercedes Lourdes Frias (nascida em 1962) é uma política italiana de origem dominicana. Foi a primeira mulher negra e pentecostal eleita para servir na Câmara dos Deputados italiana de 2006 a 2008.

Formada em geografia, desde 1990 reside na Itália, com foco em questões de antirracismo, construção social de diferenças e mediação cultural. Assessora na Câmara Municipal de Empoli, quanto questões ambientais, direitos de cidadania, igualdade de oportunidades e diversidade cultural. Frias é membro da Igreja Apostólica da Itália, participando ativamente da Federação das Igrejas Evangélicas Italianas.

Sua pauta política orienta-se pelos direitos humanos, especialmente das comunidades marginalizadas, como o povo cigano, os imigrantes e as mulheres.

Smith Wigglesworth

Smith Wigglesworth (1859 – 1947) foi um evangelista britânico no início do movimento pentecostal.

Nascido na pobreza em Menston, Yorkshire, trabalhou no campo desde pequeno. Depois, tornou-se encanador. Analfabeto até quando sua esposa, a salvacionista Polly Featherstone, ensinou-lhe a Bíblia. Frequentava reuniões metodistas, batistas e dos irmãos de Plymouth. Participou do movimento de Keswick, quando foi batizado no Espírito Santo em 1893 e recebeu o dom de falar em línguas durante o Avivamento de Sunderland em 1907.

Wigglesworth passou a ocupar-se do ministério de tempo integral, concentrando-se na condução de cruzadas de cura a partir de 1907. O seu ministério o levou por todo o mundo, incluindo visitas à Itália, onde testemunhou poderosas manifestações de intervenção divinas.

No início de 1926, Smith Wigglesworth escreveu: “Recebi um chamado para a Itália para visitar alguns doentes. Tive a maior alegria da minha vida pregando em Roma. Orei muito sobre isso, para que Deus me fornecesse um intérprete e o primeiro homem que conheci em Roma foi um homem que estava em minhas reuniões em San Jose, Califórnia, um italiano, e ele realmente fez um bom trabalho para mim. Tivemos uma ótima reunião que me lembrou de um avivamento em chamas no País de Gales. Lá havia uma grande multidão de italianos clamando a Deus por misericórdia, muitos bons homens entre eles, e depois disso, muitos buscando o batismo. Um grande número recebeu e outros estavam sob o poder. Alguns foram curados. Eu sei que há trinta assembleias pentecostais Na Itália.”

“Estive em Roma, onde vi milhares de peregrinos beijando os degraus de lá. Isto me deixou triste. Como agradeço a Deus pela Sua Palavra! Existem muitas pentecostais na Itália, e vi nas pessoas de lá uma grande fome e sede de Deus. Deus agiu poderosamente entre eles, e as pessoas foram salvas e batizadas no Espírito Santo na mesma reunião.”

Entre 1914 e 1926, as viagens de Wigglesworth estenderam-se aos Estados Unidos, Suíça, Noruega, Suécia, Dinamarca e outros países, onde realizou conferências e reuniões de cura. Seu envolvimento na União Missionária Pentecostal e colaboração com líderes como Thomas Ball Barratt na Escandinávia contribuíram significativamente para o crescimento do Pentecostalismo na Suíça, Noruega e Inglaterra.

Apesar do seu impacto, Wigglesworth enfrentou controvérsias, incluindo questões legais por praticar medicina sem licença durante as suas cruzadas de cura. Também considerava enfermidades que não curavam como falta de fé. Desdenhava a medicina e mantinha uma postura anti-intelectual.

Smith Wigglesworth faleceu em Wakefield.

George Saunders

George Saunders (1946-2020) foi um antropólogo que realizou seus estudos psicológicos e etnográficos no norte da Itália.

Saunders estudou a história da antropologia na Itália e o pentecostalismo italiano. O envolvimento de Saunders com os estudos europeus ficou evidente em seu envolvimento com a Society for the Anthropology of Europe, uma seção da American Anthropological Association que ele ajudou a fundar em 1986. Além de sua pesquisa na Itália, ele fez um trabalho com refugiados Hmong em Appleton, Wisconsin, e na Índia. Saunders foi professor de antropologia na Lawrence University por 26 anos, onde orientou e ensinou alunos. Ele foi premiado com o Young Teacher Award logo após chegar a Lawrence e passou a presidir seu departamento e foi nomeado para uma posição dotada como Henry Merritt Wriston Professor de Ciências Sociais.

Seus papéis e notas de campo foram guardados no Smithsonian National Anthropological Archives.

Em sua pesquisa etnográfica, Saunders fez trabalho de campo em duas congregações pentecostais na Toscana. Saunders explora por que algumas pessoas escolhem o cristianismo pentecostal em um contexto tão completamente dominado pelo catolicismo.

professor da Lawrence University.

Nascido em Perris, Califórnia, fez serviços no Corpo da Paz na Venezuela e extenso trabalho de campo etnográfico na Itália. Saunders explorou a interseção do Cristianismo Pentecostal e da cultura italiana. Utilizou as categorias de presença e crise de presença de Ernesto de Martino em suas análises etnográficas conduzidas em congregações pentecostais na Itália.

Seu livro The Language of the Spirit: Heart and Mind in Italian Evangelical Protestantism estava quase completo 2001 quando foi diagnosticado com tumor cerebral. Sua obra seria publicada em italiano, Il Linguaggio dello Spirito: Il Cuore e la Mente nel Protestantesimo Evangelico (2010).

Nesse livro, Saunders define uma epistemologia pentecostal distinta daquela das cosmovisões “científicas” contemporâneas e da maioria das cosmovisões seculares. Os pentecostais sabem com o coração e consideram a experiência emocional mais profunda e confiável do que o conhecimento da mente. Adicionalmente, enquanto na maior parte da cultura ocidental a linguagem é considerada uma faculdade “intelectual”, os pentecostais “irracionalizam-na” através de orações, falar em línguas, testemunhos e pregações. Essas práticas epistemólogicas e comunicativas são intimamente associadas com cura e uma ideologia da totalidade da pessoa. A concepção crente do mundo e do eu é contra a disjunção contemporânea entre emoção e razão, o físico e o espiritual, o divino e o comum. Por fim, os milagres são uma subversão das instituições que parecem controlar a vida das pessoas na Itália. O milagre resolve as burocracias, médicos que decretam a vida e a morte, uma economia que fornece recursos de forma inconsistente e famílias das quais dependemos, mas que acabam por serem não confiáveis.

O livro argumenta que o pentecostalismo constitui uma espécie de “contracultura” ou “antiestrutura” que reflete e contesta os valores centrais da cultura popular italiana. A epistemologia pentecostal é destacada, o que inclui a confiança em uma epistemologia distinta daquela das cosmovisões “científicas” e mais seculares contemporâneas. Os pentecostais “conhecem com o coração” e consideram a experiência emocional mais profunda e confiável do que o conhecimento da mente. A prática pentecostal torna a linguagem e a fala centrais para a experiência religiosa. O livro se conecta a vários gêneros e tipos de literatura, como a natureza da cultura e das contradições internas na cultura, literatura recente sobre o eu e a emoção na antropologia psicológica e trabalhos recentes sobre o Eu como uma construção cultural.

BIBLIOGRAFIA

Saunders, George. Il Linguaggio dello Spirito: Il Cuore e La Mente nel Protestantesimo Evangelico (The Language of the Spirit: Heart and Mind in Italian Evangelical Protestantism). George Saunders, trans by Adelina Talamonti into Italian. Pisa: Pacini Editore. 2010.

Francescon. Congregação Cristã (denominada pentecostal) breves considerações sobre sua organização

Este documento foi preparado e impresso por Louis Francescon por ocasião da segunda assembleia geral das igrejas na Itália em 1929. Serviu como estatuto das igrejas na Itália até o início da perseguição em 1935. É citado por Francescon em sua circular de 1939.

Francescon, Louis. Congregazione Cristiana (Denominata Pentecostale): brevi cenni sull’organizzazione della medesima. [Editado por Alves, Leonardo Marcondes. Círculo de Cultura Bíblica, 2021]. Roma, 1929. DOI https://doi.org/10.5281/zenodo.5102731