Ben Pink Dandelion

Ben Pink Dandelion (1960-presente) é um historiador e teólogo quaker britânico que enfatiza a importância de uma compreensão histórica e contextual do quakerismo, bem como o papel das práticas quacres na vida contemporânea.

Dandelion fez contribuições significativas para o estudo do Quakerismo, incluindo a história, teologia e práticas da tradição Quaker. Publicou vários livros e artigos sobre tópicos Quaker e atuou como diretor do Centro de Pesquisa em Estudos Quaker no Woodbrooke Quaker Study Centre no Reino Unido.

A partir do conceito de “convicção”, Dandelion desenvolveu o conceito de “convencimento” no Quaker, que se refere ao processo pelo qual uma pessoa se torna um Quaker por meio de sua própria experiência espiritual interior. Ele explorou a história e a teologia do convencimento em seus escritos e argumentou que é um aspecto fundamental da identidade Quaker.

Na integração da espiritualidade Quaker com questões contemporâneas Dandelion explorou as maneiras pelas quais a espiritualidade Quaker pode ser aplicada a questões contemporâneas, como sustentabilidade, construção da paz e justiça social. Escreveu sobre o papel da espiritualidade Quaker na abordagem de questões globais e enfatizou a importância dos valores Quaker como simplicidade, paz e integridade na promoção de mudanças sociais positivas.

Dandelion contribuiu para o estudo da diversidade religiosa, incluindo as maneiras pelas quais diferentes tradições religiosas podem aprender umas com as outras. Escreveu sobre a importância do diálogo e da compreensão inter-religiosa e explorou as maneiras pelas quais o quakerismo pode ser entendido em relação a outras tradições religiosas.

John Woolman

John Woolman (1720-1772) foi um ministro quaker (ou quacre) e abolicionista americano que enfatizou a importância de viver uma vida simples e justa de acordo com as crenças quacres.

Nascido em Northampton, Nova Jersey, na América Britânica, teve uma educação Quaker, que enfatizava a simplicidade e a “Luz Interior”, que postula uma presença divina dentro de todos os indivíduos. Sua vida inicial envolveu aprendizados como lojista e alfaiate, mas logo sentiu um desconforto com o comercialismo prevalecente de sua época, um sentimento que caracterizaria grande parte de seu trabalho posterior.

Um momento crucial na vida de Woolman ocorreu por volta dos 23 anos, quando teve uma visão, o que o levou a embarcar em um ministério entre os Quakers. Esse despertar espiritual o levou a uma oposição fervorosa à escravidão. Em 1746, notavelmente se recusou a redigir um contrato de venda para um escravo, marcando sua primeira posição pública contra a instituição. Sua publicação de 1754, “Some Considerations on the Keeping of Negroes” (Algumas Considerações sobre a Manutenção de Negros), destaca-se como um dos primeiros tratados antiescravagistas na América, articulando um argumento moral contra a prática que ressoou profundamente dentro da comunidade Quaker e além. O ativismo de Woolman envolveu extensas viagens, quando visitou Quakers proprietários de escravos, exortando-os a emancipar aqueles que mantinham em cativeiro. Além disso, praticou o que pregava, boicotando bens produzidos através do trabalho escravo, como açúcar, algodão e anil.

A defesa de Woolman se estendeu além do abolicionismo. Era um pacifista compromissado, adepto da não violência, uma convicção que o levou a viajar para assentamentos de nativos americanos em 1763 durante a Guerra de Pontiac para promover a paz e a reconciliação. Seu compromisso com a simplicidade era evidente em sua vida pessoal; vestia roupas não tingidas como um protesto contra a indústria de corantes exploratória e se recusava a participar de hospitalidade luxuosa ou usar vasos de prata.

Em seus anos finais, Woolman viajou para a Inglaterra em 1772 para exortar os Quakers britânicos a se oporem à escravidão. Ele morreu de varíola em York, Inglaterra.

Seu “Journal” (Diário), publicado postumamente em 1774, tornou-se um clássico espiritual dentro do Quakerismo e ressoou com um público mais amplo, incluindo figuras como William Wilberforce.

As ideias teológicas de Woolman estavam enraizadas na doutrina Quaker da Luz Interior. Defendia que a graça de Deus manifestava em uma revelação universal presente em todas as pessoas, independentemente de raça ou religião. Essa crença formou a base de sua oposição à escravidão, que ele via como uma violação direta da dignidade inerente de cada ser humano. Seu pacifismo derivava de uma interpretação literal dos ensinamentos de Cristo, enfatizando a não retaliação e a reconciliação. Seu compromisso com a simplicidade e o anti-materialismo refletia sua crença de que a desigualdade de riqueza era um pecado, e ele procurava viver de acordo com o mandamento de Jesus de “amar o próximo”.

Seus escritos, incluindo “A Plea for the Poor” (Um Apelo pelos Pobres) (1793), ilustram ainda mais sua crítica à injustiça econômica. As contribuições de Woolman para o abolicionismo foram significativas, ajudando a mudar o sentimento Quaker contra a escravidão e lançando as bases para movimentos de reforma social mais amplos. Além disso, sua preocupação premonitória com a administração ecológica, evidente em seus alertas contra a exploração gananciosa da natureza, o posiciona como um ambientalista precoce.

O legado de Woolman é o de um pioneiro no abolicionismo e um modelo de discipulado radical. Ele inspirou figuras como Leon Tolstói, Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr.