J. B. Lightfoot

Joseph Barber Lightfoot (1828–1889) foi um teólogo, biblista e bispo anglicano inglês. Legou obras significativas aos estudos do Novo Testamento, além de se destacar por sua liderança dentro da Igreja Anglicana.

Lightfoot nasceu em Liverpool, filho de um contabilista. Estudou na King Edward’s School em Birmingham, onde demonstrou habilidades linguísticas excepcionais, dominando grego, latim e hebraico. Suas proezas acadêmicas lhe renderam inúmeros elogios e bolsas de estudo, incluindo a prestigiada bolsa Porson em grego.

Em 1854, tornou-se membro do Trinity College, Cambridge. Ao longo dos anos, serviu como tutor e conferencista. Em 1870, Lightfoot foi nomeado Professor de Divindade da cátedraa Lady Margaret na Universidade de Cambridge, cargo que ocupou até sua nomeação como Bispo de Durham em 1879. Como bispo, ele desempenhou um papel fundamental em assuntos eclesiásticos e fez contribuições notáveis ​​para seu diocese.

O compromisso de Lightfoot com estudos rigorosos e seu envolvimento em debates teológicos contemporâneos fizeram dele uma figura proeminente dentro da Igreja Anglicana. Seus escritos, incluindo muitos artigos e livros, refletiam sua erudição e profunda compreensão dos textos bíblicos. Obras notáveis ​​incluíram “Epístola de São Paulo aos Gálatas” e “Os Padres Apostólicos”.

Além de suas atividades acadêmicas, Lightfoot permaneceu um clérigo humilde e dedicado. Participou ativamente dos deveres pastorais e defendeu a unidade cristã e a integridade intelectual dentro da igreja. Sua visão abrangia uma educação abrangente que harmonizasse o estudo acadêmico rigoroso com a formação espiritual. Estimulava a educação dos ministros, muitas das vezes utilizando seus próprios recursos. Encorajava o ministério leigo na Igreja Anglicana e a admissão das mulheres nas universidades e profissões.

A sua devoção às causas sociais, como servir como presidente do Congresso Cooperativo em 1880 e proferir palestras para o movimento social cristão, sublinhou o seu compromisso mais amplo com o bem-estar social e a sua dedicação à igreja e à sociedade.

Cheryl Bridges Johns

Cheryl Bridges Johns (nascida em 1953) é uma teóloga pentecostal americana. Investiga a espiritualidade e práticas pentecostais e suas relações com o mundo.

Cheryl Bridges Johns está enraizada na tradição pentecostal. Sua bisavó participou do Avivamento da Rua Azusa em 1907 e desempenhou um papel significativo na formação de sua igreja local e de sua fé. Cheryl é ministra ordenada da Igreja Pentecostal Internacional de Santidade (International Pentecostal Holiness Church) e pastoreia com seu marido a congregação New Covenant Church of God.

Teve passagens por várias instituições de ensino e pesquisa ao redor do mundo. Estudou no Emmanuel College, Wheaton College e concluiu seu doutorado no Southern Baptist Theological Seminary.

Como acadêmica, Cheryl Bridges Johns fez contribuições significativas para os estudos pentecostais. Atuou como presidente da Sociedade de Estudos Pentecostais e participou ativamente de várias iniciativas interdenominacionais, incluindo o Diálogo Internacional Católico Romano-Pentecostal; Evangélicos e Católicos Juntos (ECT), diálogo entre anabatistas e pentecostais, dentre outros. O seu trabalho como ponte entre diferentes tradições cristãs tem sido fundamental para promover a compreensão e o diálogo.

Uma das contribuições intelectuais mais notáveis de Cheryl Bridges Johns é seu livro intitulado Pentecostal Formation: A Pedagogy among the Oppressed (Formação Pentecostal: Uma Pedagogia entre os Oprimidos). Neste trabalho, desafia suposições negativas sobre o movimento pentecostal e argumenta que os pentecostais empregam um processo catequético poderoso que permite aos crentes articular a história cristã. Com base nas teorias educacionais de Paulo Freire, enfatizando a importância da aprendizagem experiencial e indo além do mero racionalismo na pedagogia.

Cheryl também destaca a necessidade de reencantar a Bíblia e recuperar sua natureza sagrada, misteriosa e cheia de presença. Enfatiza a presença ativa do Espírito Santo no cenário textual da Bíblia, desafiando a tendência moderna de objetificar e controlar as Escrituras. A Bíblia seria mais do que uma compilação de regras e princípios. Pelo contrário, é um apelo à participação na revelação que une o ser, o saber e o fazer, refletindo a “ontologia moral da relação”. Em outras palavras, existe um “caráter sacramental” das Escrituras, pois a Bíblia serve como um sinal eficaz, conduzindo à realidade que significa. Ler a Bíblia em uma comunidade cheia do Espírito torna-se uma atividade dinâmica, onde os participantes habitam o mundo da história da Bíblia e experimentam Deus conforme narrado pelo texto bíblico.

Criada em uma tradição pentecostal conservadora igualitarista bíblica, desde pequena foi encorajada a empregar seus dons na igreja e sociedade, sem restrições alguma por ser mulher. Também Cheryl investiga o potencial transformador da menopausa, abordando questões como a raiva e fornecendo uma estrutura para as mulheres navegarem nesta fase da vida.

Seu trabalho abrange três aspectos principais: natureza, criação e novidade, enfatizando a importância do cuidado da criação, do ministério de ensino e pregação e de preencher a lacuna entre as diferentes tradições cristãs.

Francisco Suarez

Francisco Suarez (1548-1617), muitas vezes referido como “Doutor Eximius”, foi um teólogo e filósofo jesuíta do final do Renascimento e do início do período barroco.

Suarez, expoenta da Escola de Salamanca, influenciou o desenvolvimento da segunda escolástica. A obra de Suárez marcou uma transição do pensamento escolástico renascentista para o barroco, um marco na filosofia católica.

Seu tratado sistemático de metafísica, intitulado “Disputationes Metaphysicae” (1597) construiu sobre os fundamentos lançados por Aristóteles e Tomás de Aquino. Suárez introduziu várias ideias distintas, incluindo a rejeição da distinção real entre essência e existência, a negação do princípio de individuação pela pura potencialidade da matéria e o conceito de que qualquer entidade é um princípio de individuação em si.

Em sua obra “De Legibus”, Suárez desenvolveu uma teoria volitiva do direito natural. Argumentou que a lei natural representa a Vontade de Deus, enquanto a lei humana reflete a vontade dos humanos. Segundo Suárez, essas duas esferas do direito devem ser harmonizadas para estabelecer a justiça. Assim, seus argumentos de defesa do direito natural alcança inclusive povos não cristãos, como era a questão sobre o direito dos indígenas americanos.

O fundamento da ética estaria na natureza humana, chegando ao ponto de propor que a ordem natural seria válida mesmo na hipotética ausência de Deus.

Apesar de fundamentar-se em Aquino e Aristóteles, pode-se dizer que Suárez fundou sua própria escola filosófica, o Suarismo ou Suarezianismo. Esta escola enfatizou princípios como a individuação pela própria entidade concreta dos seres, uma distinção rationis ratiocinatae entre a essência e a existência dos seres criados e a possibilidade de as substâncias espirituais serem numericamente distintas.

A obra metafísica de Francisco Suárez representou uma síntese do pensamento medieval, incorporando o tomismo, o escotismo e o nominalismo. O legado de Suárez inclui suas contribuições para a metafísica, a teoria do direito natural e a ética.

Peter dell’Aringa

Peter dell’Aringa ou Pietro dell’Aringa (1893-1980) foi um pioneiro, teólogo, missionário e ancião da Obra pentecostal italiana.

Nascido em Porcari, em Lucca, emigrou com seus pais para Chicago em 1905. Lá, seus pais Daniel e Angeline Dell’Aringa conheceram e passaram a congregar em uma comunidade livre, a chamada “igreja dos toscanos”, também constituída por muitos compatriotas de Lucca.

Em 1907 Peter passou por uma experiência de converter-se ao buscar fervorosamente o perdão divino numa última oração. Também seria batizado no Espírito Santo. No ínicio de 1908 foi batizado nas águas.

Aos quinze anos começou a pregar na igreja, a qual se tornaria a Assemblea Cristiana, além de fazer evangelismo nas ruas. Seu irmão Giulio também teve um chamado ministerial, sendo tutorado por Pietro Menconi.

Trabalhava de garçom quando teve um chamado para deixar seu trabalho e ir a New York pregar. Mudou-se para essa cidade por fé, iniciando uma missão na Rua 23 em Manhattan.

No ano seguinte, mudou-se para Philadelphia, onde colaborou com G. Marcucci e conheceu sua futura esposa, Amalia Marcucci. Tiveram três filhos. Nos anos 1920 serviu no início das igrejas de Corona (NY), Boston, Bristol (PA), West Philadelphia (PA), Reading (PA), e por último, em Malaga e Glassboro (NJ), onde serviria como ancião até o final da vida.

Nos anos 1930, Peter seria líder de uma organização denominacional que na década seguinte se fundiria com a Igreja Cristã (Italiana) da América do Norte. Suas congregações de Malaga e Glassboro hospedariam convenções e escolas bíblicas de verão. Dessas escolas bíblicas surgiria o Pine Grove Bible Institute, do qual foi diretor.

Dos anos 1950 aos 1970, o casal foi missionário na Tunísia. Nessa época, Peter dell’Aringa esboçou um tratamento sistemático da doutrina ensinada desde o início da obra.

William Hasker

William Hasker (nascido em 1935) é um filósofo e teólogo americano.

Suas contribuições à filosofia da mente e à filosofia da religião incluem tópicos como livre arbítrio, consciência e o problema do mal. Hasker é um proponente do teísmo aberto, uma posição teológica que enfatiza o livre-arbítrio humano e a abertura de Deus para o futuro. O trabalho teológico de Hasker procura reconciliar a existência do mal com a crença em um Deus todo-poderoso e todo-bom. Discute sobre a natureza de Deus, a agência humana e o problema do mal.