Karl Rahner

Karl Rahner (1904-1984), teólogo jesuíta alemão, proponente da teologia transcendal.

Nascido em Friburgo em Brisgóvia, Rahner ingressou na Companhia de Jesus em 1922. Estudou filosofia e teologia. Teve influências do tomismo e da filosofia existencial, especialmente a de Martin Heidegger, seu professor em Friburgo.

Seu trabalho teológico busca reconciliar a tradição católica com a modernidade. Rahner propôs uma “teologia transcendental”, que explora a interconexão entre a experiência humana e a revelação divina. Sua obra mais famosa, Grundkurs des Glaubens (1976), traduzida para o inglês como Foundations of Christian Faith, é um compêndio de sua teologia sistemática.

Rahner foi um perito durante o Concílio Vaticano II (1962-1965), onde suas ideias tiveram um impacto significativo na formulação dos documentos conciliares, especialmente na Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium. Sua teologia influenciou a eclesiologia, a mariologia, a cristologia e, particularmente, a hermenêutica bíblica e a teologia da graça, onde ele propôs o conceito de “cristão anônimo”. Nessa doutrina, acreditava que a salvação é acessível a todos, independentemente de seu conhecimento formal do cristianismo, por meio de uma graça transcendental que atua na consciência humana. A salvação só seria possível através de Jesus Cristo, ao mesmo tempo que reconhece que Deus deseja a salvação de todas as pessoas. A tese de Rahner é uma forma de inclusivismo na teologia cristã, que se opõe ao exclusivismo (a salvação é apenas para aqueles que professam explicitamente a fé cristã) e ao pluralismo (todas as religiões são caminhos igualmente válidos para a salvação).

Karl Rahner foi um dos teólogos católicos mais influentes do século XX. Sua teologia transcendental, que via a experiência humana como um ponto de partida para a Revelação, teve implicações significativas na forma como a Bíblia é lida. Nessa perspectiva, a Revelação divina não seria reduzida a um conjunto de proposições doutrinárias, mas um encontro pessoal e existencial com Deus, que se manifesta na história e nas Escrituras. Essa perspectiva influenciou o desenvolvimento da hermenêutica bíblica da segunda metade do século XX, incentivando uma leitura da Bíblia que busca tanto o seu sentido histórico quanto o seu significado teológico e existencial para o leitor. Rahner também defendeu o uso do método histórico-crítico, mas o integrou em uma visão teológica mais ampla, que considerava a autoridade e a inspiração divina das Escrituras.

Gian Pietro Meille

Gian Pietro Meille (1817-1887) foi um pastor, teólogo e historiador valdense do século XIX, atuante na reorganização e expansão da Igreja Valdense na Itália após a emancipação de 1848.

Como professor na Faculdade Valdense de Teologia e autor de obras sobre a história e doutrina valdenses, Meille moldou gerações de pastores e fortaleceu a identidade teológica da igreja, com ênfase na autoridade das Escrituras e na justificação pela fé. Seu trabalho ajudou a definir o entendimento valdense de sua própria história e missão.

Embora falecido antes do Sínodo de 1894, que visou clarificar pontos da Confissão de Fé como os mencionados nos documentos fornecidos, o legado intelectual e teológico de Meille constituiu um pano de fundo essencial para essas deliberações posteriores.

Bartolomeo Malan

Bartolomeo Malan (1819-1874) foi uma ministro na Igreja Valdense durante um período crucial de sua história no risveglio do século XIX.

Nascido nos Vales Valdenses do Piemonte, Itália, Malan dedicou sua vida ao ministério pastoral e à liderança teológica dentro de sua comunidade. Ordenado pastor, serviu em diversas paróquias. Logo se destacou por sua erudição e comprometimento com a fé valdense. Sua influência cresceu, levando-o a ocupar posições de professor no Colégio Valdense (posteriormente Faculdade Valdense de Teologia, transferida para Florença) e, por múltiplos mandatos, a de Moderador da Távola Valdense, o órgão executivo da igreja.

A carreira de Malan coincidiu com a emancipação civil dos valdenses no Reino da Sardenha-Piemonte (1848) e com o movimento de avivamento espiritual conhecido como Réveil, que trouxe novas influências teológicas e missionárias.

Em seu pensamento, Malan representou uma voz importante na navegação entre a preservação da identidade histórica e confessional valdense e o engajamento com as correntes evangélicas mais amplas que chegavam à Itália. Esteve envolvido nos debates teológicos de sua época, buscando articular a fé valdense de maneira relevante para os novos tempos de liberdade religiosa e expansão missionária, ao mesmo tempo em que defendia a continuidade com a herança doutrinária reformada.

Howard Thurman

Howard Thurman (1899-1981) foi um teólogo, educador e ativista dos direitos civis americano,

A obra Thurman foi permeada por uma interpretação da Bíblia centrada na experiência dos marginalizados. Thurman, formado em teologia, utilizou a Bíblia como fonte de esperança e resistência, especialmente para a comunidade afro-americana. Seus livros, como “Jesus and the Disinherited” (1949), discorrem sobre os ensinamentos de Jesus para aqueles que sofrem opressão, conectando a fé cristã com a luta pela justiça social.

A teologia de Thurman enfatiza a dignidade intrínseca de cada ser humano e a necessidade de uma espiritualidade que impulsione a ação social. Seus escritos têm sido objeto de estudo em diversas áreas, incluindo teologia, ética e estudos afro-americanos.

A influência de Thurman transcende o contexto acadêmico, impactando líderes do movimento dos direitos civis, como Martin Luther King Jr., que o considerava um mentor. A sua abordagem bíblica, que destaca a relevância da mensagem de Jesus para os oprimidos, continua a inspirar debates sobre fé, justiça e transformação social.

Georges Casalis

Georges Casalis (1917-1987) foi um teólogo protestante francês, notável por seu engajamento com as teologias da libertação e por sua crítica às estruturas de poder. Casalis refletia sobre a relação entre fé e ação política. Articulava uma teologia que dialogasse com as lutas por justiça social.

Casalis defendia uma leitura crítica da Bíblia, que ressaltava o compromisso de Deus com os oprimidos e a necessidade de a Igreja se engajar na transformação do mundo. Criticava a teologia tradicional por sua passividade diante das injustiças, defendendo uma teologia da práxis que colocava a ação transformadora no centro da fé cristã.

Sua obra aborda temas como a luta de classes, o racismo, a violência e a esperança, buscando articular uma teologia que inspirasse a ação em favor dos marginalizados. Casalis também se envolveu ativamente em movimentos sociais e políticos, defendendo os direitos humanos e a democracia.