Roland de Pury

Roland de Pury (1907-1979) foi um teólogo protestante suíço, cuja vida e obra enfocavam a fé cristã e a justiça social.

Sua trajetória teológica foi marcada por uma intensa busca por uma compreensão autêntica do Evangelho, livre das amarras das ortodoxias tradicionais e das ideologias seculares.

De Pury defendeu uma teologia da encarnação que enfatizava a presença real de Cristo no mundo e a necessidade de os cristãos se engajarem nas lutas por justiça e libertação. Criticava a separação entre fé e vida, entre o sagrado e o secular, argumentando que o Evangelho deveria permear todas as dimensões da existência humana.

Sua teologia social, inspirada no profetismo bíblico, o levou a se envolver ativamente em questões como a luta contra o racismo, a defesa dos direitos dos trabalhadores e a promoção da paz. Via a Igreja como uma comunidade de serviço ao mundo, chamada a ser sinal e instrumento do Reino de Deus.

Pierre Maury

Pierre Maury (1890-1956) foi um teólogo protestante francês, parte do movimento da Teologia Dialética, influenciado por Karl Barth. Sua obra, embora não tão extensa quanto a de seus contemporâneos, exerceu um impacto no pensamento teológico do século XX.

Maury enfatizava a transcendência de Deus e na centralidade da revelação em Jesus Cristo. Ele criticava as teologias liberais que buscavam acomodar o cristianismo aos valores da cultura moderna, defendendo a necessidade de um retorno às fontes bíblicas e à tradição reformada.

Sua teologia ressaltava a importância da pregação da Palavra de Deus como um evento atual e transformador, capaz de confrontar o ser humano com a realidade do pecado e da graça divina. Maury também se envolveu ativamente no movimento ecumênico, buscando promover o diálogo e a unidade entre as diferentes denominações cristãs.

Alfabeto siríaco

O alfabeto siríaco éum sistema de escrita semítico que floresceu a partir do aramaico no século I d.C., sendo utilizando ainda hoje por comunidades de língua siríaca, além de uso litúrgico e do corpus textual preservado.

O alfabeto siríaco começa com suas raízes no aramaico, a língua franca do Levante durante o domínio persa. A ascensão do cristianismo siríaco levou à expansão e consolidação do alfabeto, com textos sagrados, teológicos e literários preservados em suas formas distintas.

Ao longo do tempo, o siríaco se ramificou em variantes: o Estrangelo, a forma clássica; o Serto, com suas curvas ocidentais; e o Madnhaya, oriental, com seus pontos vocálicos. Como um abjad, o siríaco anota principalmente consoantes, fluindo da direita para a esquerda.

Tabela do Alfabeto Siríaco:

Letra SiríacaNome em SiríacoTransliteraçãoLetra aproximada em português Valor Numérico
ܐĀlaphʼA1
ܒBēthB/VB2
ܓGāmalGG3
ܕDālaDD4
ܗHH5
ܘWawW/U/OV/U6
ܙZaynZZ7
ܚḤēthH8
ܛṬēthT9
ܝYōdhY/ĪI10
ܟKāphK/KhC20
ܠLāmadhLL30
ܡMīmMM40
ܢNūnNN50
ܣSemkathSS60
ܥʿĒʿ70
ܦP/FP80
ܨṢādhēS90
ܩQōphQQ100
ܪRēshRR200
ܫShīnShX300
ܬTawTT400

Hadadezer

Hadadezer, filho de Reobe, foi um rei arameu que lutou contra Davi, conforme registrado em 2 Samuel 8:3–8 (1 Crônicas 18:3–8) e 2 Samuel 10:15–19 (1 Crônicas 19:16–19).

As narrativas bíblicas sobre Hadadezer, rei arameu de Zobá, apresentam discrepâncias que geram diversas interpretações. Os relatos de seus conflitos militares com Davi, em 2 Samuel 8 e 2 Samuel 10, sugerem duas ou três batalhas distintas, mas ambos os capítulos afirmam a subjugação de Zobá por Davi. Isso levanta a possibilidade de serem o mesmo evento, ou de uma inversão na ordem cronológica, com a batalha menos conclusiva de 2 Samuel 10:15–19 ocorrendo antes da vitória decisiva de 2 Samuel 8.

A menção de Hadadezer como rei de Zobá no reinado de Salomão (1 Reis 11:23) complica a reconstrução histórica, questionando como ele poderia ter mantido o poder após a derrota por Davi. Alguns estudiosos propõem que “ben-Reobe” seja interpretado como “Bete-Reobe”, indicando que Hadadezer governava duas regiões, Zobá e Bete-Reobe, correspondentes a reinos que enfrentaram Salmanaser III em 853 a.C.

A localização e extensão do reino de Hadadezer são temas de debate. Enquanto 2 Samuel 8:3 e 1 Reis 11:23 o situam em Zobá, ao norte de Damasco, 2 Samuel 10:16 o coloca no comando de forças arameias a leste do Eufrates, sugerindo um território vasto. Essa expansão poderia ter ocorrido durante um período de fraqueza assíria, permitindo que reinos arameus se consolidassem. A vitória de Davi em 2 Samuel 8, nesse contexto, implicaria a incorporação de um império significativo. Alternativamente, o relato bíblico pode ter exagerado o controle de Davi sobre os reinos arameus.

A historicidade das narrativas é contestada. Alguns estudiosos buscam reconstruir a história por trás dos relatos, enquanto outros, como Na’aman, argumentam que o historiador deuteronomista do século VII a.C. modificou uma crônica judaíta do século VIII a.C. sobre as guerras entre Hazael, rei de Aram, e Israel. Segundo essa visão, Hadadezer seria uma criação literária baseada em Hazael, com a vitória invertida para Davi. Outros relatos de guerra em 2 Samuel 8 também são considerados ficções que invertem derrotas sofridas por Israel e Judá no final do século IX a.C., como a perda da Transjordânia para Mesa de Moabe.

Hadade (divindade)

Hadade (הדד, hdd) é uma divindade da tempestade do noroeste mesopotâmico e sírio, um dos primeiros deuses desse tipo venerados no Levante, também conhecido como Baal.

Na Bíblia, “Hadad” ocorre apenas uma vez, em Zacarias 12:11, como Hadad-rimom (הדד־רמון, hddrmwn), cuja interpretação varia entre uma referência à morte do rei Josias, uma manifestação local da divindade, ou um topônimo. “Rimon” provavelmente deriva do acádio ram(m)an, “trovejador”, e não do hebraico “romã”, como atestam nomes teofóricos como Tabrimom e a “Casa de Rimom”.

Baal, título comum de Hadade, aparece frequentemente no Antigo Testamento, notadamente em 1 Reis 18:20–40, onde seus profetas são derrotados, enfatizando a impotência de Baal e o poder de Yahweh. Baal manifesta-se localmente como Baal de Peor, Baal-berite e Baal-zebube, provavelmente Baal-zebul. Seu nome integra topônimos e nomes pessoais, como Baal-gad e Baal-hanan. No primeiro século d.C., Baal persiste no pensamento judaico, mas com conotações demoníacas, como Beelzebul no Novo Testamento.

A Bíblia registra a adoração de Baal/Hadade entre os israelitas, indicando uma interação com a sociedade israelita e judaíta, embora em conflito com a adoração exclusiva de Yahweh. A mitologia de Baal/Hadade pode ter influenciado o desenvolvimento teológico do yahvismo, com Yahweh assumindo atributos de deus guerreiro e controlador dos elementos, comparáveis a Baal, mas Yahweh é distinto por sua intervenção histórica e não cíclica.

O nome “Hadade” aparece em nomes pessoais como Hadorã, Hadadezer e Ben-Hadade, atestando seu culto na Síria e entre os edomitas. Hadade é atestado desde o final do quarto milênio a.C. na Suméria, com o elemento teofórico Adad. No período Ur III, “dIM” representava Ishkur e Adad. Em iconografia mesopotâmica, Adad é retratado como um touro ou um guerreiro barbudo.

Na Síria, Hadade, filho de Dagon, era centralizado em Yamhad (Alepo). Em Ugarite, Hadade, chamado Baal, é proeminente nos épicos míticos, como o Ciclo de Baal, que narra suas batalhas e morte/ressurreição, ligadas ao ciclo sazonal. Estelas de Ugarite o representam como um guerreiro.

Em Canaã, Hadade era conhecido desde o segundo milênio a.C., com nomes teofóricos em textos egípcios e nas Cartas de Amarna. No período da Idade do Ferro II, seu culto é evidenciado pelas narrativas bíblicas de rivalidade com Yahweh e nomes pessoais teofóricos.