Karl Kertelge

Karl Kertelge (1926-2009) foi um teólogo católico alemão e estudioso do Novo Testamento.

Kertelge estudou teologia católica e filosofia em Paderborn e Munique. Foi ordenado sacerdote em 1952. Obteve seu doutorado em teologia em 1957, em Munique. Kertelge completou sua habilitação em 1967. Tornou-se professor de exegese do Novo Testamento na Universidade de Trier em 1968. Em 1973, Kertelge foi nomeado professor na Universidade de Münster, onde lecionou até sua aposentadoria em 1991.

Sua pesquisa concentrou-se na teologia paulina, eclesiologia do Novo Testamento e hermenêutica bíblica. Kertelge publicou livros e artigos. Serviu como editor e coeditor de periódicos acadêmicos e séries de comentários bíblicos. Foi membro de diversas sociedades teológicas.

Parácleto

Parácleto (παράκλητος, paraklētos; מֵלִיץ, melitz [equivalente funcional, não tradução direta]) é um termo grego encontrado exclusivamente nos escritos joaninos (Evangelho de João e 1 João) no Novo Testamento. A palavra é tradicionalmente traduzida como “Consolador”, “Advogado”, “Ajudador” ou “Intercessor”. O paraklētos é descrito como o Espírito Santo, enviado por Deus Pai e por Jesus Cristo para guiar, ensinar, consolar e defender os discípulos após a partida de Jesus (João 14:16, 26; 15:26; 16:7).

A função do Parácleto é multifacetada. Ele atua como um mestre, recordando aos discípulos os ensinamentos de Jesus (João 14:26); como uma testemunha de Cristo (João 15:26); como um acusador do mundo em relação ao pecado, à justiça e ao juízo (João 16:8-11); e como um guia para a verdade completa (João 16:13). Em 1 João 2:1, o próprio Jesus é chamado de paraklētos, atuando como advogado dos crentes perante o Pai.

Embora não haja um equivalente hebraico exato para paraklētos no Antigo Testamento, o conceito de um intercessor ou mediador celestial encontra paralelos em figuras como o anjo do Senhor e em conceitos como o Espírito de Deus. O termo melitz (מֵלִיץ), que significa “intérprete” ou “mediador”, como em Jó 16:20 e 33:23, pode ser considerado um equivalente funcional em alguns contextos. A compreensão do Parácleto como o Espírito Santo é fundamental para a teologia joanina e para a pneumatologia cristã.

Meribá

Meribá, que significa “contenda” ou “discussão” em hebraico (מְרִיבָה, merivah), é o nome dado a dois lugares distintos no Antigo Testamento, ambos associados a eventos em que o povo de Israel questionou Moisés e a provisão de Deus.

O primeiro Meribá, também chamado de Massá (“provação”), localiza-se próximo a Refidim, no deserto do Sinai (Êxodo 17:1-7). Ali, o povo, sedento, reclamou com Moisés sobre a falta de água. Moisés, por ordem de Deus, feriu uma rocha em Horebe com seu cajado, fazendo jorrar água para saciar a sede do povo. O local foi chamado de Meribá por causa da “contenda” do povo com Moisés e de Massá porque eles “provaram” o Senhor, duvidando de sua capacidade de suprir suas necessidades.

O segundo Meribá, perto de Cades, no deserto de Zim (Números 20:1-13), também foi palco de um evento similar. O povo, mais uma vez sedento, questionou Moisés e Arão. Deus ordenou a Moisés que falasse à rocha para que produzisse água, mas Moisés, irado, feriu a rocha duas vezes com seu cajado. A água jorrou, mas Deus repreendeu Moisés por sua desobediência e falta de fé, impedindo-o de entrar na Terra Prometida. Este local também foi chamado de Meribá devido à “contenda” do povo com Moisés e com Deus.

Os eventos em Meribá revelam a tendência do povo de Israel à murmuração e à desconfiança em Deus, mesmo após testemunhar milagres e livramentos.

Grande Mar

O Grande Mar, conhecido hoje como Mar Mediterrâneo, é um corpo de água de grande importância histórica, cultural e econômica, situado entre a Europa, a África e a Ásia. A expressão “Grande Mar” (הַיָּם הַגָּדוֹל, ha-yam ha-gadol) é usada no Antigo Testamento para se referir a esse mar, refletindo sua vastidão em comparação com outros corpos de água conhecidos pelos antigos israelitas, como o Mar da Galileia e o Mar Morto.

O Mar Mediterrâneo acompanhou a história de diversas civilizações, incluindo os antigos egípcios, fenícios, gregos e romanos. Suas águas facilitaram o comércio, a comunicação e a troca cultural entre diferentes povos. As rotas marítimas do Mediterrâneo foram essenciais para o desenvolvimento do comércio e da navegação, conectando diferentes regiões e impérios.

O Grande Mar é mencionado em diversas passagens, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Ele é descrito como o limite ocidental da Terra Prometida (Números 34:6) e como palco de eventos importantes, como a viagem de Jonas (Jonas 1:3) e as viagens missionárias do apóstolo Paulo (Atos 27).

Hamateus

Os hamateus, descendentes de Canaã (Gênesis 10:15-18), são mencionados na Bíblia como um dos povos que habitavam a região de Canaã antes da chegada dos israelitas. Seu nome deriva da cidade de Hamate, localizada no vale do rio Orontes, na Síria. A região de Hamate era conhecida por sua fertilidade e importância estratégica.

A Bíblia não oferece muitos detalhes sobre a história ou cultura dos hamateus. Eles são geralmente listados junto com outros povos cananeus, como os heteus, jebuseus, amorreus, girgaseus, heveus, arquitas, sineus, arvaditas e zemareus (Gênesis 10:15-18; 1 Crônicas 1:13-16). Essa presença constante nas listas sugere que os hamateus eram um grupo significativo na região, embora não haja relatos específicos sobre suas interações com outros povos cananeus ou com os israelitas.