Bete-Horom

Bete-Horom (בית חורון, que significa “casa do buraco” ou “casa da caverna”), mencionada em Josué 16:3-5 e 21:22, consistia em duas cidades gêmeas – Bete-Horom Alta e Bete-Horom Baixa – localizadas na região montanhosa de Efraim. Construídas por Seerá, uma descendente de Efraim (1 Cr 7:24), as cidades eram habitadas por levitas coatitas (Js 21:22).

Sua localização estratégica, na rota entre a planície costeira e o interior, conferia-lhe importância militar, evidenciada na batalha entre Josué e os amorreus (Js 10:10-11). Em 1 Samuel 13:18, os filisteus atacaram Saul pela rota de Bete-Horom, enviando tropas para controlar a passagem. Após serem dispensados pelo rei Amazias, mercenários israelitas saquearam cidades de Judá “desde Samaria até Bete-Horom” (2 Cr 25:13).

A inscrição do faraó Shishak registra a conquista egípcia de Bete-Horeom durante o reinado de Roboão.

O nome Bete-Horom aparece também em documentos extrabíblicos. As ruínas das cidades são identificadas com os sítios arqueológicos de Beit Ur al-Fauqa e Beit Ur al-Tahta, na Cisjordânia.

Testimonia

Testimonia seriam coleções de passagens das Escrituras usadas para apoiar ou provar doutrinas, particularmente aquelas de significado messiânico, empregadas por judeus e cristãos antigos. A hipótese dos testimonia sustenta que os primeiros cristãos reuniram, editaram e deram status autoritativo a essas coleções de excertos bíblicos. Embora haja debate sobre a extensão do uso de testimonia no primeiro século, a hipótese estimulou pesquisas sobre o uso do Antigo Testamento no Novo Testamento.

Características dos Testimonia:

  • Citações compostas, combinando várias passagens. (Rm 3:10-18)
  • O mesmo conjunto de citações usado por diferentes autores. (Sl 118:22-23 em Mt 21:42; Mc 12:10; Lc 20:17; Ef 2:20; At 4:11; 1 Pe 2:6-8)
  • Atribuição aparente de citações ao autor errado. (Mc 1:2-3)
  • Citações que não correspondem perfeitamente ao texto original hebraico ou à Septuaginta. (Is 28:16 em Rm 9:33 e 1 Pe 2:6)

A falta de evidências físicas de testimonia anteriores ao segundo século d.C. levanta dúvidas sobre a hipótese. As características acima podem ser explicadas por outros fatores, como a tradição oral rabínica de citar passagens temáticas. A teoria do “cânon dentro do cânon” propõe que a igreja primitiva usava um conjunto de textos do Antigo Testamento para apologética e adoração, circulando por tradição oral.

Documentos do Mar Morto como 4Q175 (4QTestimonia) e 4Q174 (4QFlorilegium) contêm listas de Escrituras, às vezes com interpretações. Isso demonstra que grupos judaicos no primeiro século da Palestina criavam testimonia, apoiando a possibilidade do uso de tais listas pela igreja primitiva.

Ursa

Embora a constelação da Ursa (Ursa Maior) não seja mencionada explicitamente na Bíblia pelo nome, é possível que esteja implícita em passagens que se referem às estrelas do norte. Em Jó 9:9, por exemplo, o autor menciona “A Ursa, o Órion e as Plêiades”, o que pode indicar um conhecimento da constelação e sua posição proeminente no céu noturno.

A Ursa Maior, com suas sete estrelas principais (דֹּב, dov; ἄρκτος, arktos), era conhecida pelos povos antigos como um guia para a navegação e um símbolo de constância e orientação. Sua proximidade ao polo norte celeste a torna visível durante todo o ano no hemisfério norte, representando um ponto fixo em meio ao movimento aparente das estrelas.

Alguns estudiosos sugerem que a Ursa Maior pode estar relacionada ao “Sete-estrelo” mencionado em Amós 5:8 e Jó 38:31, onde Deus desafia Jó a “soltar os laços do Sete-estrelo”, demonstrando seu poder sobre a criação.

Órion

Órion (כְּסִיל, kesil; Ὠρίων, Ōríōn), a constelação de Órion, evoca a imagem do “caçador” celestial, uma das constelações mais brilhantes e reconhecíveis do céu noturno. Mencionado em Jó 9:9; 38:31 e Amós 5:8, Órion é frequentemente associado ao poder e à majestade de Deus, que criou e controla as estrelas e os astros.

A constelação de Órion, com seu formato distinto e suas estrelas brilhantes como Betelgeuse e Rigel, impressionava os povos antigos, inspirando mitos e lendas.

Em Jó 38:31, Deus questiona Jó: “Podes atar as cadeias do Órion, ou soltar os laços do Sete-estrelo?”, referindo-se à constelação das Plêiades. Essa pergunta retórica enfatiza o poder ilimitado de Deus e a incapacidade humana de controlar as forças da natureza.

Neelamita

Neelamita (נְהֶלְיָמִ, neḥelāmî), termo que aparece apenas em Jeremias 29:24,32, designa o falso profeta Semaías. A origem e o significado do termo são incertos.

Alguns sugerem que “Neelamita” se refira à cidade de origem de Semaías, mas nenhum local com esse nome é conhecido. Outros propõem que a expressão seja uma variação de “Neelão”, tornando a tradução “o neelamita” equivalente a “o de Neelão”.

Há também a hipótese de que Jeremias esteja fazendo um jogo de palavras com o hebraico ḥha-lām (“sonho”), ironizando as profecias de Semaías.

Semaías, que se opôs a Jeremias e profetizou falsamente em nome de Deus (Jr 29:24-32), foi condenado pelo profeta à punição divina.