Aiá

Aiá, em hebraico אַיָּה, refere-se a duas figuras distintas.

  1. Aiá, descrito como pai de Rispa, é identificado no livro de 2 Samuel. Rispa era uma das concubinas do rei Saul, mencionada em um episódio de conflito político e religioso na corte de Israel. Sua relação com Saul é mencionada em 2 Samuel 3:7, onde é feita referência a uma disputa entre Abner e Isbosete acerca de Rispa. Mais tarde, em 2 Samuel 21:8, 10-11, ela aparece em um contexto relacionado à execução de sete descendentes de Saul, oferecendo um testemunho de fidelidade ao proteger os corpos dos mortos de predadores. Este Aiá não recebe maior detalhamento sobre sua genealogia ou papel além de ser citado como pai de Rispa.

2. Aiá é mencionado no livro de Gênesis e em 1 Crônicas, inserido nas listas genealógicas de Edom. Este Aiá é identificado como filho de Zibeão e irmão de Aná. Sua linhagem pertence aos horeus, um povo associado ao território de Seir, mencionado em Gênesis 36:24 e 1 Crônicas 1:40.

Ai

Ai, em hebraico עַי, são duas localidades mencionadas na Bíblia, cuja tradução literal é “ruínas”.

1.Ai é descrita como uma pequena cidade localizada ao leste de Betel, próxima a Betehavem (Josué 7:2). Segundo o livro de Josué, foi a segunda cidade conquistada pelos israelitas após a travessia do Jordão e a queda de Jericó. Inicialmente, um contingente reduzido foi enviado para tomar Ai, mas sofreu derrota devido a um pecado cometido no acampamento israelita. Após a purificação da comunidade, uma estratégia mais elaborada foi adotada, resultando na destruição total da cidade e de seus habitantes (Js 7–8). A destruição de Ai gerou temor entre os povos cananeus, motivando ações como a aliança feita pelos gibeonitas para evitar o mesmo destino (Js 9–10).

Ai também é mencionada no relato da peregrinação de Abraão. Este teria acampado e construído um altar entre Betel e Ai (Gn 12:8), sugerindo que a cidade, nesse período, estava em ruínas, como implica o uso do artigo definido no termo hebraico ha’ai. Abraão retornou à mesma região após sua estadia no Egito (Gn 13:3). Referências posteriores à cidade incluem sua menção como ponto geográfico em Isaías (Is 10:28) e em descrições territoriais relacionadas à tribo de Efraim (1 Cr 7:28–29). Após o exílio babilônico, Ai é listada como uma das localidades reassentadas pelo povo de Benjamim (Ed 2:28; Ne 7:32; 11:31).

O local tradicionalmente identificado como Ai é o sítio arqueológico de et-Tell, próximo ao Wadi el-Jaya. Escavações conduzidas por equipes distintas ao longo do século XX determinaram que o local esteve ocupado durante o Período do Bronze Antigo, mas foi abandonado por volta de 2400 a.C., permanecendo desabitado até o Período do Ferro (c. 1220 a.C.), quando uma pequena aldeia sem fortificações foi estabelecida. Este hiato cronológico representa um desafio para a interpretação do relato bíblico, já que o período sugerido para a conquista israelita (século XIII a.C.) não corresponde a uma ocupação do local. Três abordagens principais foram propostas: a arqueologia está incorreta; o relato bíblico é uma narrativa etiológica para explicar as ruínas de Ai; ou et-Tell não é o local da Ai bíblica. Uma alternativa recente é Khirbet el-Maqatir, cuja topografia e ocupação sugerem maior compatibilidade com a narrativa de Josué.

No contexto amonita, Ai aparece em Jeremias (Jr 49:3) como uma cidade mencionada no oráculo contra os amonitas. Essa referência não está diretamente conectada à Ai cananeia e reflete outro uso do nome “ruínas” em um contexto geográfico diferente.

Amaleque

Amaleque é filho de Elifaz e Timna, uma concubina de Elifaz (Gênesis 36:12).

O primeiro conflito registrado entre os amalequitas e os israelitas ocorreu em Refidim, onde os amalequitas atacaram os israelitas enquanto eles estavam vulneráveis (Êxodo 17:8-13). Este ataque levou à ordem divina para que os israelitas se lembrassem do que Amaleque fez e buscassem apagar a memória dessa tribo da terra (Deuteronômio 25:17-19).

Aguilhão

O termo aguilhão refere-se a um implemento agrícola com uma ponta de ferro, utilizado tradicionalmente para guiar ou esporear gado, especialmente bois, que puxam arados ou carroças. Na Bíblia, o aguilhão vai além de sua função prática, simbolizando resistência e persuasão.

O termo hebraico מַלְמָד (malmad) é usado em Juízes 3:31 para se referir a uma vara de aguilhão usada por um boiadeiro e insturmento que Sangar usou como arma, traduzida como “aguilhada” na ARC.

Em Eclesiastes 12:11, o termo דָּרְבָּן (darban) refere-se aos aguilhões usados como uma metáfora para descrever as palavras dos sábios, que são comparadas a pregos firmemente cravados. Essa imagem sugere que as instruções e ensinamentos sábios têm um impacto duradouro e incisivo na vida das pessoas.

O termo σκόλοψ (skolops) é usado em 2 Coríntios 12:7 para se referir ao “aguilhão ou espinho na carne” de Paulo, uma metáfora para uma dificuldade ou provação que ele enfrentava.

Em Atos 26:14, durante seu relato sobre a conversão de Saulo de Tarso, Paulo menciona que Jesus lhe disse: “Saulo, Saulo, por que me persegues? É difícil para você chutar contra os aguilhões.” Nesta passagem, o termo κέντρον (kentron) traduzido aguilhão é a metáfora para resistência de Saulo à verdade e ao chamado divino. E a fraseologia remete à peça As Bacantes, de Eurípedes. Essa passagem sugere que Saulo estava lutando contra a vontade de Deus, resistindo aos estímulos divinos que o chamavam à conversão. A imagem do aguilhão ilustra a inutilidade da resistência à ação de Deus na vida humana.

Já em 1 Coríntios 15:55-56, o apóstolo Paulo pergunta retoricametne onde estaria o aguilhão (kentron) da morte quando da consumação da vitória de Cristo.

Em Apocalipse 9:10, a praga de um ser descrito como gafanhoto possui uma cauda com aguilhões (kentron).