Pregação expositiva

A pregação expositiva é uma abordagem homilética da seleção de passagens bíblicas a serem pregadas. Fundamenta-se na pregação contínua, capítulo a capítulo, verso a verso de um livro ou mesmo da Bíblia toda.

A pregação expositiva é frequentemente mal compreendida, especialmente em relação à sua definição e escopo. Em essência, a pregação expositiva envolve uma abordagem sistemática de pregar através de um livro específico da Bíblia, capítulo por capítulo e versículo por versículo. Este método, derivado da lectio continua, tem como objetivo fornecer uma compreensão abrangente das Escrituras dentro de seu contexto completo. Contudo, mesmo em manuais homiléticos não acadêmicos, o termo “pregação expositiva” tem sido empregado como pregação baseada em exegese.

As raízes pré-modernas estão nas exposições bíblicas dos sermões de Orígenes, Agostinho, Cristóstomos, os biblistas de Paris, dentre outros. Significante foi o dia 1 de janeiro de 1519, quando marca o início da Reforma zwingliana com a pregação expositiva de Mateus 1:1 em Zurique, dando continuindade nos próximos serviços.

João Calvino foi um adepto desse método. Em sua primeira estada em Genebra, pregou Gênesis, Deuteronômio, Jó, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, os Profetas Maiores e Menores, os Evangelhos, Atos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Hebreus. Quando retornou à Genebra em setembro de 1541 depois de três anos de exílio, Calvino disse: ‘Agora no próximo versículo!’ e retomou exatamente no próximo versículo do livro de Isaías.

Na prática, é rara as ocasiões que a Bíblia inteira foi pregada de forma expositiva. Em tempos recentes, nos anos 1940 e 1950, W. A. Criswell, pastor da Primeira Igreja Batista de Dallas, pregou de Gênesis a Apocalipse, verso a verso, domingo a domingo, em um período que levou dezessete anos e oito meses.

Na prática, há sempre uma tendência de dar mais ênfase em uma parte do em outra. Isso ocorre, por exemplo, em capítulos sobre genealogias.

Distinguindo a pregação expositiva de outros métodos exegéticos para os sermões

Embora a exegese— a interpretação crítica dos textos bíblicos— seja um componente essencial da pregação eficaz, nem todos os sermões fundamentados na exegese se qualificam como expositivos. Aqui estão as principais distinções entre vários estilos de pregação:

  1. Pregação Expositiva
    • Abordagem: Sistemática e minuciosa, focando em um livro inteiro da Bíblia.
    • Objetivo: Apresentar o significado do texto, reconhecendo preconceitos pessoais e desafios interpretativos e de atualização.
    • Método: Engaja-se com temas, versículos e mensagens gerais de uma maneira que respeita o contexto original.
    • Limitações: Corre o risco de descontextualizar uma passagem em relação com outras ou com a mensagem total.
  2. Pregação Temática
    • Definição:  Centra-se em assuntos ou temas específicos extraídos de várias passagens das Escrituras.
    • Forças: Capacidade de conciliar várias passagens sobre um único ponto.
    • Limitações: Riscos de usar versos decontextualizados, cujas interpretações não suportam o tema proposto.
  3. Pregação Tópica
    • Definição: Semelhante à pregação temática, mas foca em temas mais amplos em vez de textos ou livros específicos.
    • Ênfase: Destaca conceitos bíblicos abrangentes sem necessariamente realizar um estudo exaustivo das Escrituras.
    • Forças: Demonstra a importância de um tópico pelo modo em que é abordado em diversas passagens das Escrituras.
    • Desvantagem: Pode sacrificar a profundidade pela amplitude, levando a uma compreensão menos nuançada de passagens particulares.
  4. Pregação Leccionária
    • Definição: Segue um cronograma predeterminado de leituras das Escrituras alinhadas com o calendário litúrgico.
    • Benefícios: Incentiva a exposição a uma amplitude diversificada de textos bíblicos ao longo do tempo.
    • Desvantagens: Pode não fornecer a mesma profundidade que a pregação expositiva, já que pode limitar o engajamento com passagens individuais.
  5. Pregação Narrativa
    • Foco: Pode centrar-se em uma única passagem ou abranger um arco narrativo maior dentro das Escrituras.
    • Estilo: Enfatiza elementos de narrativa para transmitir verdades bíblicas, tornando-a envolvente e relacionável para os ouvintes.

BIBLIOGRAFIA

Old, Hughes Oliphant. The Reading and Preaching of the Scriptures in the Worship of the Christian Church. Vol. 7, Eerdmans, 2002, p. 172.

Lawson, Steven J. The Expository Genius of John Calvin. Crossway Books, 2010, p. 33.

Epektasis

Epektasis ou Epectase é um conceito teológico desenvolvido por Gregório de Nyssa, um dos Pais da Igreja do século IV, que se refere à jornada eterna da alma redimida em direção a Deus.

Derivado do grego, o termo significa “extensão” ou “alongamento” e encapsula a ideia de que a busca da alma por Deus é um processo contínuo e dinâmico, em vez de um estado fixo.

A noção de epektasis enfatiza que a alma, criada à imagem de Deus, possui um desejo intrínseco de união com o divino. Essa busca é caracterizada como insaciável e eterna, refletindo a crença de Gregório de que a perfeição divina nunca pode ser totalmente alcançada nesta vida.

Assim, a jornada espiritual é vista como um processo interminável de crescimento e transformação, onde a alma se expande continuamente para receber e refletir a luz divina.

Gregório argumentou que essa ideia de progresso espiritual é central para a vida cristã. Em vez de ver a felicidade e a perfeição como metas finais, ele propôs que o verdadeiro valor reside na experiência da transformação contínua e na busca pela comunhão com Deus.

A epektasis sugere que a vida espiritual deve ser uma constante aspiração por um estado mais elevado de ser e entendimento.O conceito de epektasis teve um impacto significativo na teologia cristã oriental, influenciando discussões sobre a natureza da salvação e o estado da alma após a morte. 

Esaú

Esaú (em hebraico: עֵשָׂו, também chamado de Edom, em hebraico: אדום), figura bíblica do livro de Gênesis, foi o filho mais velho de Isaque e Rebeca, irmão gêmeo mais velho de Jacó e genro de Ismael, filho de Abraão. Ele é considerado o ancestral dos edomitas e amalequitas.

História:

Nascido coberto de pelos ruivos, Esaú recebeu seu nome por essa característica (Gênesis 25:25). Cresceu como um homem habilidoso na caça, tornando-se um homem do campo, enquanto seu irmão Jacó era mais caseiro e dedicado ao pastoreio.

Um episódio crucial na vida de Esaú foi a venda de seu direito de primogenitura a Jacó por um prato de lentilhas (Gênesis 25:29-34). Essa atitude demonstra o pouco valor que Esaú dava à sua herança espiritual e sua preferência por satisfações imediatas.

Mais tarde, Jacó, com o apoio de sua mãe Rebeca, enganou o pai Isaque, que estava cego, e obteve a bênção da primogenitura que era destinada a Esaú. Ao descobrir o ocorrido, Esaú ficou furioso e planejou matar Jacó, que fugiu para a casa de seu tio Labão em Harã (Gênesis 27).

Após muitos anos, Esaú e Jacó se reencontraram e se reconciliaram (Gênesis 33). Esaú, já estabelecido na região montanhosa de Seir, casou-se com três mulheres cananeias e se tornou o pai dos edomitas (Gênesis 36). A narrativa bíblica atribui a saída de Esaú de Canaã à prosperidade de ambos os irmãos, cujos rebanhos eram numerosos demais para a região.

Esposas e Descendentes:

Esaú teve várias esposas:

  • Judite: filha de Beeri, o hitita (Gênesis 26:34).
  • Basemate: filha de Elom, o hitita (Gênesis 26:34).
  • Maalate: filha de Ismael, filho de Abraão, e irmã de Nebaiote (Gênesis 28:8-9).
  • Ada: filha de Elom, o hitita (Gênesis 36:2).
  • Oolibama: filha de Aná, filho de Zibeom, o heveu (Gênesis 36:2).

Seus descendentes formaram a nação de Edom, que ocupou a região montanhosa ao sul do Mar Morto, e mantiveram uma relação complexa com os israelitas, marcada por conflitos e alianças ao longo da história.