Gordon Fee

Gordon Fee (1934 – 2023) foi um biblista canadense-americano especializado Novo Testamento de tradição pentecostal.

Nascido em Ashland, Oregon. Depois de seguir uma carreira no ministério e no ensino, Fee fez doutorado em estudos do Novo Testamento, com foco na crítica textual. Lecionou no Wheaton College, no Gordon-Conwell Theological Seminary e no Regent College.

As contribuições de Fee incluem seus comentários populares e acadêmicos sobre vários livros bíblicos, seu trabalho na tradução da Nova Versão Internacional (NIV) e seu livro influente em co-autoria com Douglas Stuart, How to Read the Bible for All Its Worth.

BIBLIOGRAFIA

Noel, B.T. 1998. Gordon Fee’s contribution to contemporary Pentecostalism’s theology of
baptism in the Holy Spirit. Canada: Acadia University.
http://www.collectionscanada.gc.ca/obj/s4/f2/dsk2/tape15/PQDD_0003/MQ3780
5.pdf.

Fotinianismo

Os fotinianos eram seguidores de Fotínios, um bispo de Sirmium do século IV. Aderiram a uma forma de pensamento teológico conhecida como fotinianismo, uma variante do adopcionismo.

Os fotinianos negaram a divindade eterna de Jesus Cristo. Afirmaram que era um mero mortal que se tornou divinamente designado em seu batismo. Eles rejeitaram a crença cristã tradicional na preexistência eterna e co-eternidade do Filho com o Pai, enfatizando uma visão subordinacionista da natureza de Cristo.

Filhos de Deus

Filhos de Deus, em hebraico בְנֵי־הָאֱלֹהִים, Bnei ha-Elohim, cuja primeira menção de “filhos de Deus” na ordem canônica da Bíblia ocorre em Gênesis 6:1–4 é sujeita a debate.

Esta passagem distingue entre os “filhos de Deus” e as “filhas dos homens”. A identidade dos Filhos de Deus geralmente é apontada a diferentes pessoas:

  • A linhagem de Sete;
  • Anjos;
  • Seres divinos do panteão sírio-cananeu;
  • Governantes poderosos, muitas vezes vistos como pretendentes a um status deificado.

A frase “filhos dos Elohim” e suas variantes também ocorrem em:

  • Jó 1:6 os filhos de Elohim.
  • Jó 2:1 os filhos de Elohim.
  • Jó 38:7 filhos de Elohim.
  • Deuteronômio 32:8 filhos de Elohim ou filhos de El em dois Manuscritos do Mar Morto (4QDtj e 4QDtq). Contudo, “anjos de Deus” (αγγελων θεου) na LXX (às vezes “filhos de Deus” ou “filhos de Israel”); “filhos de Israel” no Texto Massorético.
  • Salmos 29:1 filhos de Elim.
  • Salmos 82:6 bilhos de Elyon.
  • Salmos 89:6 filhos dos deuses
  • Uma expressão aramaica relacionada ocorre em Daniel 3:25: bar elahin – Filho de Deus

Filiação divina

A filiação divina é uma doutrina cristã que afirma que Jesus Cristo é o Filho unigênito de Deus por natureza e, por meio de Jesus, os crentes se tornam filhos (e filhas) de Deus por adoção (João 1:11–13; Romanos 8:14–17).

A filiação divina é a peça central do Evangelho, fornecendo a razão para a salvação da humanidade e o propósito por trás do batismo (2 Pedro 1:4). Implica divinização, permitindo que os crentes participem da natureza divina (2 Pedro 1:4). As referências bíblicas em João e Romanos destacam o poder transformador do Espírito Santo, afirmando os crentes como filhos de Deus e herdeiros com Cristo.

A noção de Imago Dei na Bíblia reivindica que toda a humanidade seja filha de Deus (Gn 1:26-27; Sl 8:4-5; Tg 3:9; Cl 3:9-10; At 17:28). Na mesma linha, diversas genealogias ligam a humanidade a Deus. O Novo Testamento retrata Jesus Cristo como cabeça da família cristã (Ef 5:23; Cl 1:18) e conectando a humanidade com o Pai.

O tema da filiação divina é apresentado com destaque no Evangelho de João. Esse evangelho enfatiza a relação transformadora entre Jesus Cristo e aqueles que nele creem. Escrito a uma audiência quando os crentes em Jesus eram minoritários entre os israelitas, argumenta que filiação ou pertencimento étnico não seria vantagem, “Mas a todos os que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de serem feitos filhos de Deus.” (João 1:12). Essa e outras passagens joaninas (João 3:3; 4:19-24; 8:39-59; 11:52; 20:17; 14:20) salientam a salvação como integração à família de Cristo, não contradizendo a doutrina da filiação divina como origem da humanidade.

Essa doutrina, defendida pela maioria dos cristãos, encontra uso particular na teologia católica. Na teologia católica, a doutrina da filição divina deriva-se da doutrinas da Criação, Trindade e da Encarnação, assim Deus Filho assumiu a natureza humana como Jesus de Nazaré (João 1:14).

Em algumas vertentes reformadas, especialmente entre adeptos da doutrina da expiação limitada, a filiação divina é entendida como restrita somente aos eleitos, citando textos-provas como João 1:12; 8:44.

O tema da filiação divina no Novo Testamento não se confunde com o conceito de filhos de Deus (bnei Elohim) presente no Antigo Testamento e na literatura sírio-cananeia.

Fócio

Fócio de Constantinopla (c. 820–895 d.C.) foi um patriarca da Igreja Ortodoxa e um protagonista teológico e filosófico do Império Bizantino do século IX. Seu período de atuação ocorreu com intensos conflitos políticos e celigiosos, incluindo tensões entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica Romana. Fócio assumiu o patriarcado de Constantinopla em 858, em meio ao cisma que separava as duas tradições cristãs. Durante sua liderança, Fócio defendeu a ortodoxia e promoveu a educação e o conhecimento.

Uma de suas principais obras, a Biblioteca, é uma coleção de resumos e análises de textos clássicos e contemporâneos, representando uma importante contribuição para a preservação do conhecimento da literatura greco-romana e da filosofia. Fócio também examinou a relação entre fé e razão, argumentando que a razão podia ser empregada para compreender verdades divinas. Ele questionou certas interpretações aristotélicas que julgava incompatíveis com a doutrina cristã.

No campo teológico, Fócio aprofundou o entendimento ortodoxo da Trindade, destacando a unidade divina em três pessoas. Sua oposição ao uso do filioque – a cláusula que acrescentava a procedência do Espírito Santo “do Pai e do Filho” – foi uma questão central em suas críticas às práticas ocidentais e teve impacto significativo no cisma entre as Igrejas Oriental e Ocidental. Ao longo de sua trajetória, Fócio se posicionou como um defensor da tradição e da doutrina ortodoxa frente às divergências teológicas e culturais que marcavam o cristianismo de sua época.