Hugo de São Victor

Hugo de São Vítor (c. 1096–1141) foi um teólogo, filósofo e místico do século XII, nascido na Saxônia, região atualmente na Alemanha, baseado em Paris.

Tornou-se cônego regular na Abadia de São Vítor, em Paris, onde passou grande parte de sua vida no ensino e na produção literária. Tendo uma vasta erudição, atuava em diversas áreas do conhecimento, incluindo teologia, filosofia, matemática e ciências naturais. Incorporou a filosofia clássica, particularmente as obras de Platão e Boécio, em suas reflexões teológicas, buscando conciliar fé e razão.

Seus escritos exploraram a mística e a contemplação como meios de alcançar a união com Deus. Nesse tema, salientava a importância da experiência espiritual e do encontro pessoal com o divino. Defendia que o verdadeiro conhecimento de Deus surgia por meio da iluminação interior e da piedade afetiva, na qual o coração e as emoções são centrais na devoção religiosa. Desenvolveu um sistema teológico abrangente que integrou estudos bíblicos, filosofia e teologia mística, abordando temas como a natureza de Deus, a criação, a encarnação e os sacramentos.

Hugo foi um educador. Discorreu sobre métodos didáticos e pedagogia. Sua obra mais conhecida, Didascalicon, é um tratado sobre a educação, que apresenta um currículo que engloba as artes liberais, a teologia e o desenvolvimento moral. Esse texto serviu como guia para a educação medieval, influenciando as universidades europeias. Empregava uma interpretação alegórica das Escrituras ao sustentar que significados espirituais mais profundos poderiam ser encontrados sob o texto literal.

Seu pensamento influenciou o escolasticismo, notoriamente Tomás de Aquino. As ênfases de Hugo na razão, na sistematização do conhecimento teológico e na integração entre fé e razão pautou a agenda dos vitorinos e da escola teológica de Paris, baseada na Sorbonne. Entre suas principais obras estão Didascalicon, De sacramentis christianae fidei, De arca Noe morali e De vanitate mundi.

BIBLIOGRAFIA

Athayde, Wesley Rodrigues. “A Sapiência e as Sete Artes Liberais Segundo Hugo de São Vítor.” Humanidades em diálogo 1, no. 1 (2007): 179-195.

Bonetti, Carolina Peixoto Gontijo de Oliveira, and Conceição Solange Bution Perin. “A Sapientia, a filosofia e a Ciência: elementos fundamentais para a concepção educativa de Hugo de São Vítor (1096-1141).” Conjectura: Filosofia e Educação 28 (2023).

da Costa, Ricardo. “A educação na Idade Média. A busca da sabedoria como caminho para felicidade: Al-farrabi, hugo de São Vitor e Ramon Llull.” Dimensões 15 (2003).

São Vítor, Hugo de. Didascálicon: Da arte de ler. Trad. Antonio Marchionni. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.

Hapax legomenon

Um hapax legomenon (plural: hapax legomena) em linguística e análise literária refere-se a uma palavra ou frase que aparece apenas uma vez em um determinado contexto, obra do autor ou dentro de um corpus específico de textos.

O termo “hapax legomenon” é derivado do grego, com “hapax” significando “uma vez” e “legomenon” significando “dito”.

Em outras palavras, um hapax legomenon é um item lexical que carece de uso ou frequência significativa em um idioma ou corpo de literatura, pode ser encontrado em vários idiomas, incluindo textos antigos e modernos.

O estudo de hapax legomena é importante em campos como lingüística, filologia, estudos bíblicos e análise literária. Essas palavras únicas são difíceis de conhecer significados, origens e possíveis interpretações. Hapax legomena pode representar desafios para os tradutores, pois sua ocorrência rara dificulta o estabelecimento de traduções precisas com base no uso ou contexto conhecido.

Nos estudos bíblicos, por exemplo, a identificação e interpretação de hapax legomena em textos antigos pode fornecer pistas sobre o contexto histórico e cultural em que os textos foram escritos. Essas palavras únicas geralmente requerem uma análise cuidadosa e comparação com idiomas relacionados ou fontes antigas para descobrir seus significados e significados pretendidos.

No Antigo Testamento há cerca de 1.500 hapax legomena. Contudo, apenas 400 são termos absolutamente únicos, ou seja, suas raízes não podem ser derivadas ou em seu significado são desconhecidos. As 1.100 restantes, embora apareçam apenas uma única vez, podem ser facilmente deduzidas de outras palavras existentes.

O Novo Testamento grego contém 686 hapax legomena, dos quais 62 deles ocorrem em 1 Pedro e 54 ocorrem em 2 Pedro.

Um exemplo, epiousios, traduzido para o português como ″diário″ na Oração do Senhor em Mateus 6:11 e Lucas 11:3, não ocorre em nenhum outro lugar em toda a literatura grega antiga conhecida.

Halacá

Halacá ou Halakhah são os ensinamentos rabínicos quanto à conduta. Halakhah, derivada da raiz hebraica que significa “ir” ou “caminhar”, refere-se ao sistema abrangente de leis judaicas que regula a observância religiosa e a vida cotidiana dos judeus. Esse conjunto de normas engloba diretrizes legais, rituais e éticas que evoluíram desde os tempos bíblicos. Comumente traduzida como “lei judaica”, Halakhah também pode ser entendida como “o caminho a ser seguido”, destacando sua função como um guia para o comportamento em diversas áreas da vida, incluindo aspectos espirituais e cotidianos.

As fontes de Halakhah são classificadas em três principais categorias. A Torah Escrita, constituída pelos cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica, contém os mandamentos e leis fundamentais. A Torah Oral, composta por interpretações e ensinamentos desenvolvidos ao longo do tempo, é considerada uma revelação paralela à Torah Escrita no Monte Sinai e inclui interpretações rabínicas e decisões legais. A legislação rabínica, elaborada ao longo da história, aborda circunstâncias e necessidades sociais que surgiram após o período bíblico. Essas leis podem ser subdivididas em mitzvot d’oraita, derivadas diretamente da Torah, e mitzvot d’rabbanan, instituídas pelos rabinos para aprimorar ou esclarecer a observância das leis da Torah.

O desenvolvimento da Halakhah é um processo dinâmico no qual os rabinos interpretam e adaptam as leis em resposta a mudanças nas circunstâncias. Esse processo é guiado por princípios hermenêuticos estabelecidos na era talmúdica. O Talmude registra debates entre sábios sobre decisões legais, resultando em consensos que moldam a prática haláchica contemporânea.

Ao longo dos séculos, textos fundamentais codificaram a Halakhah. O Mishneh Torah, de Maimônides, apresenta uma compilação abrangente da lei judaica. O Shulchan Aruch organiza as decisões haláchicas em formatos acessíveis para estudo e prática. O Mishnah Berurah fornece comentários ao Shulchan Aruch, oferecendo maior clareza sobre a observância. A Halakhah, assim, permanece como uma estrutura essencial para orientar a vida e os valores da comunidade judaica.

Heikki Räisänen

Heikki Räisänen (1941-2015) foi um teólogo luterano e biblista finlandês, com contribuições aos estudos do Novo Testamento.

Räisänen estudou Teologia pela Universidade de Helsinki, onde obteve seu Ph.D. em 1967. Foi pesquisador visitante em Harvard Cambridge e Tübingen; doutor honorário da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Uppsala. Foi professor pesquisador na Academia da Finlândia de 1984 a 1994 e professor de academia de 2001 a 2006. Ocupou vários cargos acadêmicos, inclusive como professor de estudos do Novo Testamento na Universidade de Helsinki, onde desempenhou um papel fundamental na formação do departamento.

Os pensamentos teológicos e acadêmicos de Räisänen seguem um rigor na interpretação bíblica. Conduziu uma ampla pesquisa sobre a teologia paulina, concentrando-se na relação entre Paulo e o judaísmo, a ética cristã primitiva e o conceito de fé nos escritos de Paulo. Räisänen questionou as interpretações dominantes e ofereceu perspectivas alternativas, enfatizando os contextos históricos e sócio-culturais em que surgiram os textos do Novo Testamento. Foi pioneiro nos estudos históricos-críticos do Alcorão. Estudou as crenças cristãs primitivas.

Ministro ordenado da Igreja Evangélica Luterana da Finlândia, convivia com a dúvida e sentia-se agnóstico em vários pontos da fé cristã.

Escreveu livros para a popularização da Bíblia e de temas religiosos, influenciando os leitores finlandeses secularizados a lerem as Escrituras.

He’s able

O corinho He’s able foi composto por Paul E. Paino nos anos 1950. Um missionário veterano no Líbano, co-fundou a Carroll Road Christian Church e estabeleceu a Calvary Temple Church em Fort Wayne, Indiana. Ordenado pelas Assembleias de Deus, ele serviu como pastor e ocupou cargos de liderança denominacional. A Calvary Temple Church cresceu e construiu um santuário de 2.200 lugares.

He’s able, He’s able,
I know He’s able,
I know my Lord is able
To carry me through.
(Repeat)


He healed the broken-hearted
And set the captive free,
He made the lame to walk again
And caused the blind to see.


He’s able, He’s able,
I know He’s able,
I know my Lord is able
To carry me through.

Uma versão italiana aparece na coletânea Spiritual Choruses da Congregação Cristã na América do Norte.

Gesu è potente,
Egli è potente,
Io so che è potente a liberar;
Il cuore rotto sana,
E mette in libertà,
Guarisce e risuscita,
cammina sopra il mar;
Gesù è potente,
Egli è potente,
Io so che è potente a liberar.

E uma versão em português é a seguinte:

Cristo é potente,
Ele é potente,
Bem sei ele é potente
A me salvar.

Ele cura o contrito
E liberta o cativo,
Faz o cocho andar.

Cristo é potente,
Ele é potente,
Bem sei ele é potente
A me salvar.

Partitura