Polissemia

Polissemia refere-se à capacidade de um termo, símbolo ou narrativa apresentar múltiplos significados, referências ou interpretações.

Um exemplo clássico de polissemia na Bíblia é a palavra “coração”. Em hebraico, lev representa não apenas o órgão físico, mas também o centro das emoções, pensamentos e vontades. Deuteronômio 6:5 exorta a amar a Deus “de todo o teu coração”, enquanto Provérbios 4:23 aconselha a guardar o coração, pois “dele procedem as fontes da vida”. Nesses versículos, “coração” transcende o sentido físico, englobando a totalidade do ser humano.

Parábola

Parábola refere-se a um pequeno ditado ou narrativa com um argumento ou lição de forma memorável.

As parábolas podem envolver simbolismo, metáfora, ironia ou algum tipo de duplo sentido. Às vezes, simplesmente provocam reflexões acerca de uma verdade.

As parábolas são associadas ao ensino judaico, particularmente ao período do Segundo Templo. Jesus aparece nos Evangelhos como o grande contador de parábolas.

Há diferenças técnicas do gênero “parábola” quando comparados com fábulas e apólogos (objetos ou animais fantásticos) ou outros tipos de histórias simbólicas, mas em nível facilmente apreensível.

Em sentido estrito, parábolas (como em 2 Samuel 12:1-4; Isaías 28:4) e alegorias (Isaías 5:1-7) ainda não foram encontradas em documentos sumérios, acadianos ou ugaríticos.

BIBLIOGRAFIA

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Pedro Damião

Pedro Damião (1007-1072) foi um teólogo e reformador monástico católico italiano.

Nascido em uma família modesta em Ravena, Itália, desde tenra idade, Damian demonstrou habilidades intelectuais excepcionais e uma sede de conhecimento. Estudou teologia, direito canônico e literatura clássica.

Como monge beneditino, Pedro Damião tornou-se conhecido por seu estilo de vida ascético e práticas austeras. Abraçou a vida solitária de um eremita, buscando a iluminação espiritual por meio da solidão e da autodisciplina.

Combinou (ainda que com um conflito pessoal a respeito) uma vida ativa com uma vida contemplativa. Sua estrita adesão aos princípios católicos e integridade moral dentro do clero, levou-o a denunciar ferozmente a simonia (a compra ou venda de privilégios eclesiásticos) e a corrupção entre o clero, e fez campanha vigorosa pela reforma e restauração da pureza dentro da Igreja Católica.

Fez várias missões como legado papal e foi nomeado cardeal-bispo de Óstia.

Seria um antecessor de Francisco de Assis e visto em alta estima por Dante.

Pseudo-Dionísio Aeropagita

Pseudo-Dionísio Aeropagita (século V-VI) foi um teólogo cristão, cujos escritos foram influentes no desenvolvimento da mística cristã medieval, além da teologia apofática.

Este autor desconhecido escreveu sob um pseudônimo e afirmou ser Dionísio, o Areopagita, uma figura mencionada em Atos 17:34. Suas obras, incluindo Os Nomes Divinos e A Teologia Mística, enfatizam a importância da vida contemplativa e a unidade de Deus. Formulada em termos neplatônicos, teve influências de teólogos alexandrinos (Clemente, Orígenes), sírios e capadócios. Essas obras teriam sido compostas entre c. 485-c.530.

Doutrina da processão

A doutrina trinitária da processão refere-se à compreensão de como as três pessoas da Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – estão eternamente relacionadas umas com as outras. É uma explicação da maneira pela qual as três pessoas existem em sua natureza distinta, porém unificada, dentro da Divindade.

Nesta doutrina, processão refere-se à origem eterna ou relacionamento entre as pessoas da Trindade. Destaca como o Pai é a fonte ou origem do Filho e do Espírito Santo. Diz-se que o Filho é eternamente gerado ou gerado pelo Pai, enquanto o Espírito Santo procede do Pai (e em algumas tradições, do Pai e do Filho). Essas relações de processão são entendidas como eternas e intrínsecas à natureza de Deus.

A doutrina da processão ajuda a articular as distinções pessoais únicas dentro da Trindade. Afirma que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são simplesmente modos ou manifestações diferentes de Deus, mas pessoas distintas que compartilham um relacionamento coigual e eterno. O Filho e o Espírito Santo têm sua origem no Pai, mas são da mesma essência divina.

É importante notar que a compreensão e formulação precisas da doutrina da processão têm sido objeto de reflexão e debate teológico ao longo da história cristã, levando a algumas diferenças de ênfase e linguagem entre as tradições cristãs orientais e ocidentais. No entanto, a ideia fundamental da processão continua sendo um aspecto central da teologia trinitária, ressaltando as relações eternas e a interação das três pessoas da Trindade.

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Filioque