Aretalogia

Aretalogia ou aretologia do grego: Αρεταλογία, aretḗ, virtude + logia, é uma forma de gênero de louvor em que os atributos de uma divindade são listados. Tem a forma de poema na primeira pessoa, uma lista de epítetos, nomes e qualidades, poderes (dynameis) invenções ou criações (heuremata) e obras (erga).

O gênero textual da aretalogia ocorre em várias tradições religiosas.י״ג מִידּוֹת Nas religiões dhármicas o termo em sânscrito é ātmastuti. Nas tradições cuneiformes mesopotâmicas eram as listas lexicais dos deuses, como na Oração de Assurbanípal a Assur ou a parte final de Enuma Elish. Na literatura greco-romana um exemplo é a Aretalogia a Isis (Apuleio. O Asno de Ouro, 11.22.6). No islã há os Noventa e nove nomes de Alá (al-asmá al-husná). No cristianismo, as escolásticas medieval e reformada foram construída a partir de listas de atributos divinos.

Um gênero derivado, por vezes também referido como aretalogia, sãos as biografias laudatórias de heróis ou figuras lendárias, como A vida de Pitágoras de Porfírio ou A vida de Moisés de Filo de Alexandria.

Na Bíblia, não há um explícito elenco de virtudes divinos do gênero da aretologia conforme os paralelos literários da época. Todavia, alguns traços do gênero aparecem no louvor à Sabedoria em Provérbios 8. Também, há listas como em Êx 34:6–7; Nm 14:18; Jl 2:13; Jn 4:2; Mq 7:18; Na 1:3; Sl 86:15; 103:8; 145:8; Ne 9:17 dos atributos da misericórdia, os quais aparecem após o incidente do Bezerro de Ouro, quando Deus ameaçou destruir Israel (Êx 32:10). A aretologia no sentido biográfico pode ter influenciado o gênero literário dos evangelhos.

BIBLIOGRAFIA

Hadas, Moses and Smith, Morton. Heroes and Gods: Spiritual Biographies in Antiquity. London: Routledge & Kegan Paul, 1965.
Smith, Morton. “Prolegomena to A Discussion of Aretalogies, Divine Men, the Gospels and Jesus.” Journal of Biblical Literature 90 (1971): 174-199

https://www.treccani.it/enciclopedia/aretalogia_%28Enciclopedia-Italiana%29/

Paranesis

Paraenesis seria um gênero ou motivo literário de instrução ou conselho, incluindo listas de vícios e virtudes, Haustafeln e exemplos tanto positivos quanto reprováveis.

BIBLIOGRAFIA

Fiore, Benjamin. “Parenesis.” In The New Interpreter’s Dictionary of the Bible. Vol. 4. Edited by Katherine Doob Sakenfeld, 382–383. Nashville, TN: Abingdon, 2009.

Crônica Weidner

Crônica Weidner (ABC 19) ou Crônica de Esagila é uma composição literária em formato de carta, mas com elementos que lembram uma crônica ou anais. Contudo, não se trata de um registro de eventos, mas uma peça de propaganda política e religiosa.

O rei Damiq-ilišu de Isin (reinado entre 1816 e 1794, a.C.) escreve ao rei Apil-Sin da Babilônia (1830-1813 a.C.) sobre as bênçãos que os deuses concederam aos reis anteriores. Argumenta que foram abençoados porque sacrificaram ao deus supremo Marduk no santuário de Esagila na Babilônia. A maioria desses reis são do terceiro milênio, quando a Babilônia e o santuário provavelmente sequer existiam.

O tema da fidelidade real a uma divindade como meio de receber bênção encontra paralelos na literatura hebraica, especialmente na História Deuteronomista (Josué a 2 Reis) e nos livros das Crônicas.