Kaige

A recensão Kaige é uma das primeiras recensões (versões) da Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento) identificada pela tradução frequente do termo hebraico גַּם (gam) pelo termo grego καίγε (kaige). Essa prática, identificada por Sidney Jellicoe, sugere uma ênfase particular na conjunção “e também” ou “mesmo”, adicionando um matiz de intensidade ou inclusão ao texto.

Evidências de fragmento dos Profetas Menores encontrado em Naḥal Ḥever (8QḤevXIIgr) datam essa recensão do final do século I ou início do século II d.C..

BIBLIOGRAFIA

Jellicoe, Sidney. “Some Reflections on the KAIΓE Recension.” Vetus Testamentum, vol. 23, no. 1, Jan. 1973, pp. 15-24.

Eliasibe

Eliasibe (‘Ελιασιβ, ‘אֶלְיָשִׁיב) nome de vários personagens bíblicos.

  1. Eliasibe foi um sumo sacerdote judeu durante o período do Segundo Templo em Jerusalém, mencionado no Livro de Neemias. Seu nome significa “Deus restaura” em hebraico.

Eliasibe era neto de Jesua e seu filho Joiada também serviu como sumo sacerdote após ele (Neemias 12:10-11). Participou da reconstrução dos muros de Jerusalém após o exílio babilônico. Ele e outros sacerdotes trabalharam na reconstrução da Porta das Ovelhas (Neemias 3:1).

Eliasibe também é alvo de críticas no Livro de Neemias.Foi repreendido por Neemias por ter permitido que Tobias, um amonita, ocupasse um espaço no templo (Neemias 13:4-9).

2. Eliasibe, um sacerdote (1 Crônicas 24:12) que serviu no templo durante o reinado de Davi. Sua função específica era a de cuidar dos turnos de serviço no templo.

3. Eliasibe, um descendente da casa de Judá (1 Crônicas 3:24): listado na genealogia da tribo de Judá. Sua linhagem é traçada a partir de Davi.

4. Eliasibe, um músico do templo (Esdras 10:24): um dos levitas responsáveis pela música no templo após o retorno do exílio babilônico.

5. Eliasibe, outro levita (Esdras 10:27), retornou do exílio e é mencionado como um dos levitas que ajudaram a purificar o templo.

6. Eliasibe, outro levita (Esdras 10:36): mencionado como um dos levitas que se comprometeram a obedecer à lei após o exílio.

7. . Eliasibe, pai de Joanã (Esdras 10:6; Neemias 12:22-23): mencionado como o pai de Joanã, que também serviu como sumo sacerdote. Alguns estudiosos sugerem que este pode ser o mesmo que o sumo sacerdote Eliasibe mencionado em Neemias.

Senabris

Al-Sinnabra, Senabris, Sennabris ou Senebris (em hebraico, possivelmente derivado de סנאבריס, embora a forma exata não seja confirmada; em grego, Σενναβρις ou formas variantes) foi umba localidade na Galileia com relevância histórica, embora sem menções na Bíblia.

Josefo (Guerras Judaicas 3.447; 4.455) a descreve como situada a cerca de 30 estádios (aproximadamente 5,5 km) de Tiberíades, na fronteira com o Vale do Jordão, também referida como Ginnabris. Vespasiano acampou ali durante sua campanha na Galileia em 68 d.C. Em 351 d.C., o exército de Ursicino, general de Galo César, chegou a Senabris e oprimiu seus habitantes. Um palácio omíada do califado existiu no local desde o tempo do califa Mu’awiya (661-680) até o século VIII. A vila e a ponte sobre o Jordão continuaram a ter alguma importância durante os períodos cruzado e mameluco.

A identificação exata de Senabris foi debatida por anos. Sabia-se que era vizinha de Bet Yerah. Alguns estudiosos a identificam com Kinneret, perto da foz do Jordão no Mar da Galileia, uma localização próxima a Bet Yerah, de acordo com o Talmude de Jerusalém (Meg. 1:1, 70a). Outra identificação proposta é com Senn en Nabra. Em 2002, as evidências arqueológicas apontaram para Al-Sinnabra.

Doutor

O termo “doutor” se refere a diferentes títulos e funções, como didaskalos (διδάσκαλος) no Novo Testamento e nomikos (νομικός). É crucial distinguir esses usos de noções contemporâneas, como um grau acadêmico avançado.

Didaskalos, traduzido como “mestre” ou “doutor”, designava no mundo greco-romano um instrutor ou professor, inclusive de crianças (Romanos 2:19). No Novo Testamento, o termo é aplicado a Jesus, correspondendo ao título hebraico “Rabbi” (Mateus 8:19; João 3:2), enfatizando sua autoridade como ensinador da verdade divina. Também se refere a outros ministros responsáveis por instruir a comunidade cristã (Atos 13:1; Efésios 4:11). A função de didaskalos envolvia a interpretação das Escrituras, a transmissão do ensino apostólico e a exortação moral. Didaskalos é usado como designação para Jesus às vezes acompanhado de outros títulos como “rei e professor” em Martírio de Policarpo 17:3. A frase “ὁ διδάσκαλος καὶ ὁ κύριος” (“o professor e o senhor”) é usada como título de respeito a Jesus (João 13:13). O termo também se aplica a João Batista (Lucas 3:12), estudiosos das escrituras em Jerusalém (Lucas 2:46; João 3:10) e um oficial de uma assembleia cristã, às vezes remunerado por seu ensino (Atos 13:1; 1 Coríntios 12:28). Paulo é chamado de “professor dos gentios” (1 Timóteo 2:7), e Policarpo é descrito com os títulos de “professor apostólico e profeta” e “distinto professor” (Martírio de Policarpo 16:2; 19:1). Contudo, διδάσκαλος também pode referir-se a “professores da maldade” (Pastor de Hermas 9, 19, 2).

Nomikos, frequentemente traduzido como “intérprete da lei” ou “advogado”, referia-se a especialistas na lei mosaica. No Novo Testamento, o termo aparece em referência a estudiosos da lei, talvez mosaica ou greco-romana, como Zenas (Tito 3:13), que possuíam conhecimento e expertise em sua interpretação. A função de nomikos envolvia a análise da lei, sua aplicação a casos concretos e seu ensino ao povo. É importante ressaltar que nomikos não se refere a um profissional do direito no sentido moderno, mas sim a um especialista na lei religiosa judaica.

O termo doutor é apresentado como um dom carismático, ou seja, uma habilidade especial concedida pelo Espírito Santo para o serviço na comunidade cristã. O dom de ensino (didaskalos) capacita o indivíduo a comunicar e explicar a verdade bíblica de forma clara, precisa e relevante para os cristãos. Embora o ensino seja um dom distinto, ele se relaciona com outros dons, como o de sabedoria, conhecimento e exortação. Enquanto o ensino se concentra na exposição da mensagem cristã, a sabedoria permite aplicar essa verdade de forma prática e discernente, o conhecimento proporciona uma compreensão mais profunda das coisas relevantes à vida em Cristo, e a exortação motiva e encoraja os ouvintes a viverem de acordo com a verdade ensinada.

Em Atos 13:1, a igreja em Antioquia é apresentada com profetas e mestres, evidenciando o reconhecimento e valorização do ensino como função importante. Paulo, em 1 Coríntios 12:28, inclui os “mestres” na lista de dons divinos concedidos à igreja, ressaltando a relevância do ensino para o corpo de Cristo. A natureza específica e especial do dom de ensino é enfatizada na pergunta retórica de Paulo em 1 Coríntios 12:29: “São todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres?”. Por fim, em Efésios 4:11, Paulo descreve os “mestres” como parte do equipamento dado por Deus à igreja, juntamente com apóstolos, profetas, evangelistas e pastores, com o propósito de promover o crescimento e edificação da comunidade.

No Antigo Testamento, não há um termo único equivalente a “doutor”. Sacerdotes (Levítico 10:11; Deuteronômio 17:8-13) e escribas (Esdras 7:6; Neemias 8:1-9) desempenhavam papéis de ensino e interpretação da Lei, funções que se assemelham, em parte, às dos didaskalos e nomikos do Novo Testamento.

Zenas

Zenas (em grego: Ζηνᾶς) é um personagem mencionado na Epístola de Paulo a Tito (Tito 3:13), um provável jurista.

Em Tito 3:13, Paulo instrui Tito a ajudar Zenas, o “intérprete da lei”, e Apolo em sua viagem, providenciando para que nada lhes falte. Essa passagem sugere que Zenas era um homem instruído e respeitado na comunidade cristã, possivelmente um estudioso da lei que se converteu ao cristianismo.

A designação de Zenas como “intérprete da lei” (νομικός) indica que ele possuía conhecimento e habilidade na interpretação da lei. Essa informação é relevante, pois mostra que o cristianismo primitivo não rejeitava o conhecimento e a erudição, mas os colocava a serviço do Evangelho. O nome é tipicamente grego, o que leva a uma ambiguidade sobre qual ordenamento legal seria Zenas um especialista. A considerar somente seu nome, a maior probabilidade é que seria um jurista das leis greco-romanas. Contudo, sua associação com Apolo, um judeu com nome helenista, leva à possiblidade de que era um mestre na lei mosaica.

A colaboração de Zenas com Apolo, outro personagem importante do Novo Testamento, também é digna de nota. Apolo era um judeu de Alexandria, conhecido por sua eloquência e conhecimento das Escrituras (Atos 18:24-25). A união de Zenas e Apolo em uma missão demonstra a diversidade de talentos e habilidades presentes na comunidade cristã primitiva, e como cada um contribuía para o avanço do Evangelho.

A ajuda solicitada por Paulo a Tito para Zenas e Apolo em sua viagem sugere que eles estavam envolvidos em alguma missão ou trabalho itinerante.