Este profeta pós-exílico argumenta que Deus opera, inclusive na reconstrução do Segundo Templo, “não por força nem por poder” mas por seu Espírito. Várias visões e símbolos projetam a renovação da presença de Deus com o povo de Israel mediante a restauração do Templo (1-8). Deus é o libertador e guerreiro em prol de Israel e que transformará radicalmente a ordem do mundo (9–14).
Categoria: Dicionário Bíblico
Ageu
Ageu, em hebraico חַגַּי, significa “festival” ou “bebê festivo” e provavelmente foi escolhido porque o profeta talvez tenha nascido em uma das três festas anuais de peregrinação em Jerusalém. Ageu foi um dos profetas pós-exílicos que depois do edito de Ciro atuava entre os retornados a Jerusalém. Ageu encorajou os israelitas reconstruirem o Segundo Templo, antecipando o retorno da glória de Deus.
Teria sido contemporâneo de Zacarias, Zorobabel e do sumo-sacerdote Josué (1:1).
A única informação que temos sobre o próprio Ageu vem do livro e de Esdras 5:1 e 6:14. Ageu e Zacarias podem ter operado dentro de círculos separados, e Ageu pode ter pertencido a uma das famílias governantes tradicionais em Yehud, em vez das fileiras sacerdotais.

O Livro de Ageu é uma coleção de oráculos proféticos e pequenas narrativas em prosa. Ageu acreditava que a reconstrução do Templo resultaria na presença de Deus entre o povo e uma nova era de transformação espiritual e o governo de um descendente de Davi. O Livro de Ageu é o primeiro de três trabalhos pós-exílicos na coleção dos Profetas Menores e está intimamente ligado ao livro de Zacarias.
Um dos raros livros com datas, as profecias foram anunciadas no segundo ano de Dario I Histaspes (521-486 aC), portanto, de agosto a dezembro de 520 a.C., quatro anos antes da conclusão do segundo Templo em 516 a.C. Foi um período de paz internacional e um governo persa generoso. Nesse período, a estabilidade sob Dario e o retorno dos exilados da Babilônia sugeriram novas possibilidades para a reconstrução do Templo, que estava parado há 16 anos.
A formação literária do Livro Ageu parece ter sido direta. Isso implica que o livro tenha alcançando sua forma atual em apenas uma grande redação. A edição de Ageu compartilha a perspectiva da Escola de Santidade e foca na esperança da presença de Deus em um Templo restaurado.
ESBOÇO ESTRUTURADO
Primeira Profecia (1: 1-15a)
- Nota introdutória (1:1)
- Construção do Templo (1:2-11)
- Desinteresses em construir o Templo (1:2)
- O povo melhora sua própria casa (1:3)
- Desrespeito a Deus e ao Templo e e seu efeito na pobreza do povo (1:4-11)
- O povo começa a trabalhar no Templo (1:12-15a)
Segunda Profecia (1: 15b-2: 9)
- Nota introdutória (1: 15b-2: 1)
- Deus sacudirá o mundo (2:2-9)
- Encorajamento (2:2-3)
- Deus está com o povo (2:4-5)
- Deus trará riqueza para o novo Templo (2:6-9)
Terceira Profecia (2: 10-19)
- Nota introdutória (2:10)
- As bênçãos vêm como resultado da santidade (2.11-19)
- Ageu questiona os sacerdotes sobre a santidade (2.11-13)
- Adoração impura do povo (2:14)
- Pobreza do passado (2: 15-17)
- Bênçãos futuras (2: 18-19)
Quarta Profecia (2:20-23)
- Nota introdutória (2:20)
- Deus sacudirá o mundo (2:21-23)
- Deus destruirá reinos (2:21-22)
- Zorobabel será como um anel de sinete (2:23)
BIBLIOGRAFIA
de Castro Lopes, Shara Lylian, and João Benvindo de Moura. “Análise discursiva do profeta Ageu: uma visão retórica a partir da enunciação profética.” Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação (2014): 185-199.
Leite, Eliathan Carvalho, and Lucas Alamino Iglesias Martins. “Intertextualidade e Aliança nos Profetas: Ageu 2: 10-19.” Terceira Margem 25, no. 46: 31-50.
Redditt, Paul L. “Themes in Haggai—Zechariah—Malachi.” Interpretation 61. (2007): 184–97.
Smith, Ralph L. Micah-Malachi. Word Biblical Commentary 32. Waco, Tex.: Word, 1984.
Schwantes, Milton. Ageu. Edicoes Loyola, 2008.
Livo de Obadias
O menor livro da Bíblia Hebraica/Antigo Testamento inspirou textos muitas vezes maiores que ele. Sua mensagem é simples: Deus pune a violência e a injustiça. Entretanto, seu conteúdo desperta muita fascinação pelas questões que levanta.
Autoria e Data
A autoria de Obadias é desconhecida. O livro não fornece nenhuma informação sobre o profeta, e sua identidade permanece um mistério.
Pouco se sabe de Obadias (Heb. “Servo do Senhor”). O Talmude é cheio de lendas sobre ele, mas sem valor histórico. Alguns comentadores acreditam que Obadias, semelhantemente ao também desconhecido Malaquias, seja um título e não um nome próprio. É aceito que o profeta vivera no reino do sul, Judá.
É um livro difícil de datar, sendo sua composição estimada entre 853 a 400 a.C. Houve dois momentos em que o reino de Judá foi ameaçado pelos edomitas, contexto no qual se situa o livro.
- 853-841 a.C.: quando Jerusalém foi invadida pelos filisteus e árabes, no reinado de Jeorão (2 Re 8:20-22; 2 Cr 21:8-20), fazendo Obadias contemporâneo de Eliseu.
- 605-586 a.C.: durante o cerco e conquista de Jerusalém por Nabucodonosor, o que faria Obadias contemporâneo de Jeremias.
Aparentemente o livro foi escrito depois de uma invasão com sucesso ao reino de Israel-Judá, na qual os edomitas tomaram parte. A profecia de Obadias é, portanto, contra o povo de Edom, que são descendentes de Esaú (Gen. 36:8-9).
Houve conflitos entre os israelitas e edomitas durante o êxodo (Nm 20:14-21) e continuou até a sujeição de Davi (2 Sm 8:14). No reinado de Jeorão, os edomitas se revoltaram (2 Re 8:20-22; 2 Cr 21:8-10) e escolheram um rei para si. A inimizade entre Israel e Edom continuou após o exílio Babilônico e Malaquias profetizou o fim dessa nação (Ml 1:3-4). Mais tarde os Nabateus, um povo árabe, conquistaram Edom e o povo dispersou pelo Negebe, passando a serem conhecidos como idumeus. Por volta de 120 a.C. foram subjugados pelo rei macabeu João Hircano, que obrigou muito deles a circuncidarem e aceitarem a Lei de Moisés.
Canonicidade e Testemunhas Textuais
A canonicidade de Obadias é amplamente aceita tanto por judeus quanto por cristãos, embora sua brevidade tenha levado alguns a questioná-la no passado. O livro está presente em todas as listas canônicas antigas, como o Cânon Muratoriano e o Cânon de Atanásio.
Os manuscritos mais antigos que possuímos incluem fragmentos do Livro de Obadias encontrados em Qumran, datados do século I a.C., e o Códice Vaticano, uma cópia da Septuaginta do século IV d.C. A Vetus Latina, uma antiga tradução latina da Bíblia, também contém uma versão de Obadias.
Tema
Este pequeno livro, o menor do AT, difere dos outros profetas na ausência da mensagem de “arrependa ou seja destruído”, mas indica a inexorável destruição dos inimigos do povo de Deus como consequências de suas prévias ações.
Serve para relembrar que Deus pode tratar os membros da mesma família (Esaú e Jacó) tanto com perdão ou com ira, conforme seus atos. Toda violência e injustiça são pecados e Deus não os deixará impune. A impressão é que a fortaleza e segurança proporcionadas pelas montanhas de Edom deixaram os edomitas autoconfiantes, pois nem mesmo o culto a algum deus é registrado. Há uma escola de pensamento que vê o livro de Obadias como uma alegoria da punição do pecado em geral pelo Messias.

Historicidade
A historicidade de Obadias é amplamente aceita. O livro reflete as tensões e rivalidades entre Israel e Edom, que remontam aos tempos bíblicos. A destruição de Edom, predita no livro, é corroborada por evidências arqueológicas e históricas.
Gênero e Objetivo
Obadias é um oráculo profético que se concentra na justiça divina e na retribuição. O livro usa linguagem poética e imagens vívidas para descrever a condenação de Edom e a vindicação de Israel. Seu objetivo principal é consolar o povo de Israel, assegurando-lhes que Deus não se esqueceu de sua aliança e que Ele punirá seus inimigos.
Teologia
A teologia de Obadias enfatiza a soberania de Deus sobre as nações e Seu compromisso com a justiça. O livro destaca a importância da humildade e da compaixão, contrastando-as com o orgulho e a violência de Edom. Obadias também aponta para a futura restauração de Israel e o estabelecimento do Reino de Deus.
Esboço estrutural
Título (v. 1)
Anúncio do julgamento de Edom (vv. 1-9)
Motivos do julgamento de Edom (vv. 10-14)
O dia do Senhor contra todas as nações (vv. 15-16)
Restauração de Israel (vv. 17-21)
Miqueias
O profeta Miqueias foi um dos primeiros dos profetas literários (aqueles com livros). Integra a coletânea do Livro dos Doze ou dos Profetas Menores. Miqueias está conectado ao livro de Naum, havendo um contínuo com o final de Miqueias 7:18–19 e início de Naum 1:1–3.
Miqueias profetizou nos dias de Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá nos anos 759–687 a.C. As possíveis alusões à queda de Samaria, capital do Reino do Norte de Israel, em 722 (1:6), e à campanha de Senaqueribe, o rei assírio, em 701 (1:10-16) permitem situar o profeta no século VIII. Seria, então, quase contemporâneo de Isaías, Oseias e Amós. Seu período conturbado é retratado em 2 Reis 16–19.
Miqueias interpreta a queda de Samaria e a ameaça assíria em relação às corrupções morais, religiosas e políticas dos líderes de Jerusalém.
Enquanto Amós e Oseias denunciavam o culto idólatra nos lugares altos, santuários provinciais, Miqueias iguala a própria Jerusalém a um lugar alto (1:5) e anunciou sua destruição (3:12), mas esperando restauração gloriosa de Jerusalém em reinado fiel (5:2–5).
Apocalipse
a Visão do que está reservado aos filhos de Deus na nova Criação é retratado no livro chamado de Apocalipse de João.
O livro de Apocalipse (Revelação em grego) foi escrito por um cristão chamado João enquanto estava exilado na Ilha de Patmos, no mar Egeu, devido a uma perseguição contra os cristãos no final do século I d.C.
Com abundantes simbolismos, o Apocalipse contém cartas e visões, renovando uma mensagem de esperança meio à dor e às lágrimas. Oferece um vislumbre do que aguarda os fiéis.
O gênero textual apocalíptico refere-se às visões que arrebatavam seus visionários. Um dos primeiros textos desse gênero é a Visão de Balaão, a inscrição de Deir Alla (KAI 312) encontrada na parede das ruinas de uma habitação na Jordânia e com data estimada do século VIII. No Antigo Testamento boa parte do livro de Daniel são visões apocalípticas.
SAIBA MAIS
Gorman, Michael J. Reading Revelation responsibly: Uncivil worship and witness: Following the Lamb into the new creation. Wipf and Stock Publishers, 2011.
