Ceslas Spicq

Ceslas Spicq (1901–1992), nascido Bernard Spicq em Saint-Mihiel, França, foi um teólogo dominicano e exegeta bíblico cuja produção acadêmica exerceu influência duradoura no campo da teologia. Faleceu em Friburgo, Suíça.

Spicq iniciou sua formação teológica na faculdade dominicana em Kain, Bélgica, onde posteriormente atuou como professor de exegese entre 1928 e 1939. Em 1930, realizou estudos complementares na École biblique de Jerusalém, aprofundando seus conhecimentos nos textos bíblicos. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi convocado pelo exército francês, sendo capturado em 1941 e liberado em 1943. Após esse período, retomou sua carreira acadêmica como professor de exegese na Universidade de Salamanca até 1944. Em 1953, estabeleceu-se na Suíça, onde lecionou exegese do Novo Testamento na Universidade de Friburgo até 1971.

Spicq dedicou-se à produção de uma vasta obra acadêmica, abrangendo lexicografia bíblica, história da exegese e comentários sobre o Novo Testamento. Entre suas publicações destacam-se Saint Paul: Les Épîtres Pastorales (1947), Agapè: Prolégomènes à une étude de théologie néo-testamentaire (1955) e o Lexique théologique du Nouveau Testament (1991), este último reconhecido como uma contribuição significativa aos estudos bíblicos. Entre suas publicações mais renomadas está L’Épître aux Hébreux, publicada em 1950, que recebeu traduções para alguns idiomas, embora não tenha sido traduzida para o inglês. Além de sua produção escrita, Spicq foi membro da Comissão Bíblica Pontifícia e colaborou em traduções importantes da Bíblia, como a Bíblia de Jerusalém.

A obra de Ceslas Spicq é marcada pela profundidade e rigor, especialmente no campo da teologia paulina e dos ensinamentos morais do Novo Testamento. S

Jacques Saurin 

JJacques Saurin (1677-1730) nasceu em Nîmes, e faleceu em Haia. Foi um pregador huguenote francês.

Após a revogação do Édito de Nantes, emigrou com sua família para Genebra, onde foi ordenado em 1701. Até 1705, atuou como pregador em uma congregação francesa na Inglaterra, transferindo-se em seguida para uma congregação em Haia.

Publicou cinco volumes de sermões entre 1707 e 1725, que foram compilados em 12 volumes em 1749 e em edições posteriores. Escreveu obras como Discours historiques, critiques, théologiques et moraux sur les événements les plus mémorables du Vieux et du Nouveau testament e L’état du christianisme en France, além de cartas em defesa dos protestantes perseguidos.

Adolf Schlatter

Adolf Schlatter (1852-1938) foi um teólogo protestante suíço-alemão, dedicado aos estudos do Novo Testamento e à teologia sistemática.

Schlatter ocupou cátedras em renomadas universidades, incluindo Berna, Greifswald, Berlim e Tübingen, onde exerceu um impacto sobre teólogos como Karl Barth e Rudolf Bultmann. Ao longo de sua carreira, Schlatter escreveu mais de 400 obras acadêmicas e populares, cobrindo exegese, teologia e ética cristã.

Schlatter defendia a autoridade das Escrituras e as doutrinas cristãs, com base histórica do cristianismo na vida e nos ensinamentos de Jesus. Criticava as tendências da teologia liberal de minimizar os elementos sobrenaturais da Bíblia e destacava as implicações éticas do Evangelho, chamando à obediência cristã e ao discipulado.

Entre suas principais contribuições estão sua exegese meticulosa e abordagem histórico-gramatical aos textos do Novo Testamento. Desenvolveu um sistema teológico abrangente, integrando estudos bíblicos, teologia histórica e reflexão filosófica, enquanto enfatizava a ética cristã fundamentada no Evangelho e no exemplo de Jesus. Manteve um envolvimento ativo na igreja ao longo de sua vida, servindo como pastor e participando de debates teológicos dentro da comunidade cristã.

Franklin M. Small

Franklin M. Small (1873–1961) foi um evangelista canadense e uma figura central nos primórdios do movimento pentecostal no Canadá.

Small esteve entre os pioneiros do movimento pentecostal no Canadá e participou ativamente da organização e expansão das comunidades pentecostais. Ele foi um dos fundadores das Pentecostal Assemblies of Canada (PAC). Quando as Pentecostal Assemblies of Canada adotaram uma teologia trinitária, Small decidiu se separar devido a suas convicções doutrinárias. Ele, então, fundou a Apostolic Church of Pentecost (ACOP) no Canadá, estabelecendo uma nova organização que refletia sua perspectiva teológica e prática.

Status confessionis

Status confessionis é um termo latino que se traduz como “estado de confissão.” Refere-se a uma situação crítica na vida da igreja que exige uma afirmação coletiva de fé em resposta a ameaças percebidas ao evangelho. Esse conceito emergiu com destaque na tradição luterana durante a Reforma, sendo utilizado para tratar questões de pureza e integridade doutrinária diante de desafios heréticos. Ele está associado particularmente à Fórmula de Concórdia, um documento central do confessionalismo luterano que define quando questões tradicionalmente consideradas adiaphora (indiferentes) tornam-se essenciais para a fé e prática devido às suas implicações para a salvação e a doutrina.

O conceito de status confessionis tem suas raízes nos debates entre os primeiros luteranos sobre os adiaphora durante o século XVI. Foi articulado por teólogos como Matthias Flacius, que argumentou que, em tempos de confissão, questões tipicamente consideradas não essenciais poderiam se tornar centrais para a fé quando tratadas como necessárias para a salvação. Essa mudança indica um momento em que a igreja deve afirmar publicamente suas crenças contra ensinos errôneos. Durante o regime nazista, Dietrich Bonhoeffer utilizou esse conceito como uma estrutura para resistir a ideologias opressivas que ameaçavam a integridade da igreja. Sua aplicação enfatizava que, quando o evangelho está sob ataque, os cristãos são compelidos a manter firme sua confissão.

Na prática, declarar um status confessionis significa reconhecer que certas questões éticas ou doutrinárias atingiram um nível em que ameaçam a identidade e a missão da igreja. Essa declaração não é feita de forma leviana; ela exige o reconhecimento de que a integridade do evangelho está em jogo. Por exemplo, discussões contemporâneas em diversas denominações têm motivado chamadas para um status confessionis em questões como sexualidade humana e justiça social, refletindo tensões persistentes nas comunidades eclesiásticas sobre como responder a dilemas éticos modernos.

A aplicação do status confessionis evoluiu ao longo do tempo. Em anos recentes, ele foi invocado em discussões sobre questões éticas como o apartheid e iniciativas de justiça social nas igrejas. A Aliança Mundial de Igrejas Reformadas, por exemplo, utilizou esse conceito para abordar injustiças sistêmicas e convocar uma resposta unificada das congregações em todo o mundo. Muitos teólogos contemporâneos argumentam que declarar um status confessionis pode servir como um catalisador para a renovação dentro da igreja, levando as congregações a reexaminar seus compromissos e práticas à luz dos ensinamentos bíblicos. Esse processo muitas vezes envolve a identificação de erros específicos ou desvios de doutrinas fundamentais que exigem uma resposta clara e unificada da comunidade eclesial.

O status confessionis é uma ferramenta teológica vital dentro das tradições protestantes, particularmente no luteranismo. Ele destaca momentos em que a igreja deve afirmar coletivamente sua fé em resposta a desafios que ameaçam suas crenças centrais. Assim, permanece relevante nas discussões contemporâneas sobre fé, ética e o papel da igreja na sociedade, convocando os fiéis à discernimento e à ação em defesa de suas convicções.