R. Larry Shelton

R. Larry Shelton é um teólogo e professor de Teologia Wesleyana no Seminário Evangélico George Fox em Portland, Oregon.

Shelton obteve seu título de Doutor em Teologia pelo Seminário Teológico Fuller e ensinou teologia em vários locais nos Estados Unidos e na Ásia.

Shelton argumenta que o relacionamento da aliança deve formar o centro de nossas reflexões teológicas sobre a cruz. Acredita que a aliança é central para a teologia da expiação porque é central para o relacionamento de Deus com a humanidade. Argumenta que a aliança de Deus com a humanidade é um pacto de graça, o que significa que é um dom de Deus que não pode ser conquistado.

Além de suas atividades acadêmicas, Shelton também serviu como pastor na equipe de três igrejas diferentes.

Sacerdócio universal de todos os crentes

O sacerdócio de todos os crentes ou sacerdócio universal de todos os crentes é a doutrina de que todos os cristãos ministram diante de Deus, sem haver uma classe especial de pessoas como intermediários.

No Antigo Testamento, encontramos uma noção embrionária de que todo o povo de Israel, como comunidade do povo de Deus, participava de um tipo de sacerdócio geral. Isso está claramente expresso em Êxodo 19:6, onde Deus declara: “E vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa.” Embora houvesse uma classe sacerdotal específica, os levitas e, em particular, os descendentes de Aarão, encarregados de oficiar nos cultos e rituais, a ideia de um sacerdócio que abrangia todo o povo estava presente. O livro do Êxodo revela uma teologia que enxerga Israel como mediador entre Deus e as nações, sugerindo uma função sacerdotal para todo o corpo do povo eleito.

Joel 3:1 anuncia que o Espírito de Deus seria derramado sobre “toda carne”, o que implica uma universalização do acesso ao divino, um contraste notável com a exclusividade do ofício sacerdotal levítico. Isaías 61:6 também projeta uma visão escatológica em que Israel como nação será designado como “sacerdotes do Senhor” e “ministros de nosso Deus”, enfatizando o papel do povo de Deus em abençoar as nações.

No Novo Testamento, essas promessas são reinterpretadas e cumpridas na pessoa de Jesus Cristo e no evento de Pentecostes. Em 1 Pedro 2, Cristo é descrito como o único e definitivo Sumo Sacerdote, que, por sua morte e ressurreição, une todos os crentes a si mesmo através do batismo. A epístola de 1 Pedro 2:9 declara que os crentes em Cristo, tanto judeus quanto gentios, constituem agora um “reino de sacerdotes e nação santa”. Essa passagem ecoa Êxodo 19:6, mas amplia seu alcance ao incluir os gentios no sacerdócio universal, superando as limitações étnicas e cerimoniais do Antigo Testamento.

O Apocalipse descreve os redimidos como “reino e sacerdotes para o nosso Deus” (Apocalipse 1:6). Similar frase aparece em Apocalipse 5:10, onde se lê: “E para o nosso Deus os fizeste reino e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.” Essas passagens reforçma o caráter sacerdotal e régio de todos os redimidos. Aqui, os crentes são apresentados como um grupo coletivo com uma dupla vocação: servir a Deus como sacerdotes e exercer autoridade em um reinado escatológico.

Essa doutrina foi o princípio central da Reforma. Embora Martinho Lutero não usasse o termo, ele aduz essa doutrina no seus escritos Para a nobreza cristã da nação alemã e Sobre o cativeiro babilônico da Igreja (1520). Lutero rejeitou que a distinção entre povo e clero, pois todo o crente batizado somente teria Cristo como mediador. Os ministros (servos) somente assistiriam a Igreja na medida em que o corpo de crentes consentisse.

Desdobramentos desse princípio são as doutrinas da luz interior entre alguns reformadores radicais e quakers e a guia do Espírito Santo entre os pentecostais.

Sensus fidei

Sensus fidei é um termo latino usado na teologia católica para se referir ao “sentido dos fiéis”.

Sensus fidei descreve a capacidade instintiva de toda a comunidade de crentes para discernir a verdade da doutrina cristã. O sensus fidei surge da orientação do Espírito Santo e da experiência de fé compartilhada pela comunidade. Os católicos acreditam que o sensus fidei é um aspecto essencial da autoridade docente da Igreja e serve como um controle sobre as decisões do magistério. A Igreja Católica acredita que o Espírito Santo orienta o sensus fidei dos fiéis para reconhecer a verdade da doutrina cristã, e não pode errar em matéria de crença. O sensus fidei também pode ser referido como o “consenso dos fiéis”, que enfatiza a natureza coletiva do processo de discernimento.

BIBLIOGRAFIA

Burkhard, John J. Burkhard, “Sensus Fidei: Theological Reflection since Vatican II: 1: 1965-1984,” Heythrop Journal 34 ( 1993).

Kerkhofs, Jan. “Le peuple de Dieu est-il infallible? L’Importance du sensu fidelium dan I’tgiise post-conciliaire,” Freiburger Zeitschrift flier Philosphie und Theologie 35 (1988): 3-19.

Tillard, J. M. R. Tillard, “Sensus Fidelium,”One in Christ 11 (1975): 2-29.

Saadia Gaon

Saadia Gaon (882-942 dC) foi um estudioso e filósofo judeu que viveu no mundo islâmico durante o período medieval. Faz parte da época dos Geonim, na cronologia dos sábios judeus.

Saadia Gaon nasceu em Fayyum no Egito, mas passou a maior parte de sua vida em Bagdá, onde serviu como chefe da comunidade judaica local e como líder da Academia de Sura.

Saadia Gaondiscorreu sobre a filosofia judaica, particularmente seus esforços para reconciliar a teologia judaica com o racionalismo da filosofia grega antiga. Ele escreveu numerosas obras sobre lei, teologia e filosofia judaicas, incluindo seu famoso “Emunot ve-Deot” (Crenças e Opiniões), que apresenta uma exposição sistemática da teologia e metafísica judaica.

Debateu com pensadores caraítas, sendo sua contribuição relevante para firmar a hegemonia intelectual rabínica.

Saadia Gaon foi um tradutor prolífico. Desempenhou um papel fundamental na tradução de muitas obras importantes do árabe para o hebraico, incluindo a Bíblia e o Talmud. Suas traduções ajudaram a disseminar o conhecimento da filosofia e da ciência árabe para o mundo judaico.

Como gramático e filólogo deixou uma contribuição importante. Em 913, aos 20 anos, Saadia completou sua primeira grande obra, o dicionário hebraico que intitulou Agron. Seu “Livro da Elegância da Língua Hebraica” (árabe: Kitab al-Fushul fi al-Lughah al-‘Ibraniyyah) é considerado o primeiro livro de gramática hebraica. Foi escrito em árabe e continua sendo uma importante obra de linguística e gramática hebraica.

O “Livro da Elegância” está organizado em trinta capítulos, cada um dos quais trata de um aspecto específico da gramática hebraica. Abrange uma ampla variedade de tópicos, incluindo o alfabeto hebraico, os princípios da morfologia e sintaxe hebraica e as nuances do vocabulário hebraico.

Uma das principais características da gramática de Saadia Gaon é o uso de conceitos linguísticos e terminologia árabe. Saadia era fluente em árabe e foi profundamente influenciado pela tradição gramatical árabe. Ele incorporou muitos termos e conceitos gramaticais árabes em sua gramática hebraica, tornando-a uma síntese única das tradições linguísticas judaica e árabe.

O “Livro da Elegância” foi um trabalho influente no desenvolvimento da língua e literatura hebraica. Foi amplamente lido e estudado por estudiosos e poetas, e ajudou a padronizar a gramática e o uso do hebraico.

Menahem ben Saruq

Menahem ben Saruq (c. 920-c. 970) foi um gramático, lexicógrafo e poeta judeu que viveu na Espanha islâmica. Foi pioneiro da gramática e lexicografia hebraica.

A principal contribuição de Menahem ben Saruq para os estudos hebraicos foi o desenvolvimento de uma abordagem sistemática para o estudo da lexicografia hebraica. Sua obra mais importante, o “Mahberet” (Thesaurus), foi um dicionário abrangente da língua hebraica que incluiu mais de 4.000 verbetes.