Alfabeto siríaco

O alfabeto siríaco éum sistema de escrita semítico que floresceu a partir do aramaico no século I d.C., sendo utilizando ainda hoje por comunidades de língua siríaca, além de uso litúrgico e do corpus textual preservado.

O alfabeto siríaco começa com suas raízes no aramaico, a língua franca do Levante durante o domínio persa. A ascensão do cristianismo siríaco levou à expansão e consolidação do alfabeto, com textos sagrados, teológicos e literários preservados em suas formas distintas.

Ao longo do tempo, o siríaco se ramificou em variantes: o Estrangelo, a forma clássica; o Serto, com suas curvas ocidentais; e o Madnhaya, oriental, com seus pontos vocálicos. Como um abjad, o siríaco anota principalmente consoantes, fluindo da direita para a esquerda.

Tabela do Alfabeto Siríaco:

Letra SiríacaNome em SiríacoTransliteraçãoLetra aproximada em português Valor Numérico
ܐĀlaphʼA1
ܒBēthB/VB2
ܓGāmalGG3
ܕDālaDD4
ܗHH5
ܘWawW/U/OV/U6
ܙZaynZZ7
ܚḤēthH8
ܛṬēthT9
ܝYōdhY/ĪI10
ܟKāphK/KhC20
ܠLāmadhLL30
ܡMīmMM40
ܢNūnNN50
ܣSemkathSS60
ܥʿĒʿ70
ܦP/FP80
ܨṢādhēS90
ܩQōphQQ100
ܪRēshRR200
ܫShīnShX300
ܬTawTT400

Senabris

Al-Sinnabra, Senabris, Sennabris ou Senebris (em hebraico, possivelmente derivado de סנאבריס, embora a forma exata não seja confirmada; em grego, Σενναβρις ou formas variantes) foi umba localidade na Galileia com relevância histórica, embora sem menções na Bíblia.

Josefo (Guerras Judaicas 3.447; 4.455) a descreve como situada a cerca de 30 estádios (aproximadamente 5,5 km) de Tiberíades, na fronteira com o Vale do Jordão, também referida como Ginnabris. Vespasiano acampou ali durante sua campanha na Galileia em 68 d.C. Em 351 d.C., o exército de Ursicino, general de Galo César, chegou a Senabris e oprimiu seus habitantes. Um palácio omíada do califado existiu no local desde o tempo do califa Mu’awiya (661-680) até o século VIII. A vila e a ponte sobre o Jordão continuaram a ter alguma importância durante os períodos cruzado e mameluco.

A identificação exata de Senabris foi debatida por anos. Sabia-se que era vizinha de Bet Yerah. Alguns estudiosos a identificam com Kinneret, perto da foz do Jordão no Mar da Galileia, uma localização próxima a Bet Yerah, de acordo com o Talmude de Jerusalém (Meg. 1:1, 70a). Outra identificação proposta é com Senn en Nabra. Em 2002, as evidências arqueológicas apontaram para Al-Sinnabra.

Sumo Sacerdote

Sumo Sacerdote (כֹּהֵן גָּדוֹל, kohen gadol, em hebraico; ἀρχιερεύς, archiereús, em grego) era o título do líder religioso máximo do antigo Israel, ocupando a posição mais alta dentro do sacerdócio. O ofício do Sumo Sacerdote era hereditário, restrito aos descendentes de Arão, da tribo de Levi, e, em princípio, vitalício. Apesar de traçar suas origens a Arão, o primeiro a receber essa designação foi Joiada (2 Reis 12).

Funções e Responsabilidades:

As responsabilidades do Sumo Sacerdote eram extensas e abrangiam tanto a esfera religiosa quanto, em certos períodos, a política:

  1. Dia da Expiação (Yom Kippur): A função mais distintiva do Sumo Sacerdote era oficiar no Dia da Expiação, o dia mais sagrado do calendário judaico. Somente ele podia entrar no Santo dos Santos do Tabernáculo (e posteriormente, do Templo), o local da presença de Deus, para fazer expiação pelos pecados do povo e pelos seus próprios pecados (Levítico 16; Hebreus 9:7).
  2. Supervisão do Culto: O Sumo Sacerdote supervisionava todos os aspectos do culto no Tabernáculo/Templo, incluindo os sacrifícios diários, as festas religiosas e a manutenção da santidade do local.
  3. Consulta a Deus: Em algumas situações, o Sumo Sacerdote usava o Urim e Tumim (objetos sagrados de significado incerto, guardados no peitoral sacerdotal) para buscar a orientação divina em questões importantes (Êxodo 28:30; Números 27:21).
  4. Julgamento: Em certos períodos, especialmente durante o período do Segundo Templo, o Sumo Sacerdote atuava como líder do Sinédrio, o conselho supremo judaico, exercendo autoridade judicial e política.
  5. Representação do Povo: O sumo-sacerdote representava todo Israel perante Deus.

Vestimentas:

As vestes do Sumo Sacerdote eram elaboradas e simbólicas, diferenciando-o dos demais sacerdotes (Êxodo 28; 39):

  • Éfode: Um colete ricamente bordado, feito de linho fino e fios de ouro, azul, púrpura e escarlate.
  • Peitoral: Uma peça quadrada, presa ao éfode, contendo doze pedras preciosas, cada uma representando uma das tribos de Israel. Dentro do peitoral, eram guardados o Urim e Tumim.
  • Manto: Uma túnica azul, com romãs e sinos de ouro na bainha.
  • Tiara (Mitra): Um turbante de linho fino, com uma placa de ouro puro na frente, gravada com as palavras “Santidade ao Senhor”.
  • Túnica de linho, calções de linho e cinto: Semelhantes às vestes dos sacerdotes comuns, mas de qualidade superior.

História:

O primeiro Sumo Sacerdote foi Arão, irmão de Moisés, consagrado por este sob a direção divina (Êxodo 28-29; Levítico 8). A linhagem sacerdotal continuou através de seus descendentes. Em Josué 20:6 há a menção que o refugiado em uma cidade ficaria lá até o final do madato por morte do sumo sacerdote.

Durante o período monárquico, o Sumo Sacerdote manteve sua importância religiosa, mas a autoridade política estava concentrada no rei. Após o exílio babilônico e a reconstrução do Templo, o Sumo Sacerdote ganhou maior poder político, tornando-se, em alguns momentos, o governante de facto da Judeia. No período do Segundo Templo, a nomeação do Sumo Sacerdote passou a ser influenciada por poderes estrangeiros (como os selêucidas e os romanos), e o cargo perdeu parte de sua legitimidade e santidade.

Novo Testamento:

No Novo Testamento, a Epístola aos Hebreus apresenta Jesus Cristo como o Sumo Sacerdote supremo e definitivo, cujo sacrifício único na cruz supera e substitui os sacrifícios do Antigo Testamento. Jesus é descrito como Sumo Sacerdote “segundo a ordem de Melquisedeque”, não da linhagem de Arão (Hebreus 5-7). Os sumos sacerdotes do Templo, contemporâneos de Jesus (como Anás e Caifás), são frequentemente retratados em conflito com ele.

Sacerdote

Sacerdote (כֹּהֵן, kohen, em hebraico; ἱερεύς, hiereús, em grego) é um termo que designa um indivíduo consagrado para realizar ritos religiosos, servir como mediador entre a divindade e o povo, e, muitas vezes, oferecer sacrifícios. A figura do sacerdote é central tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, embora com funções e significados distintos.

Antigo Testamento:

No Antigo Testamento, o sacerdócio (kehunnah) era inicialmente uma função mais ampla, possivelmente exercida por chefes de família ou líderes tribais. Após o Êxodo, o sacerdócio em Israel tornou-se institucionalizado e hereditário, restrito à tribo de Levi e, especificamente, aos descendentes de Arão (o irmão de Moisés). Os kohanim (sacerdotes) eram responsáveis por:

  1. Serviço no Tabernáculo/Templo: Oferecer sacrifícios diários, queimar incenso, cuidar das lâmpadas, e manter a santidade do santuário.
  2. Ensino da Lei: Instruir o povo nos mandamentos e estatutos divinos (Deuteronômio 33:10; Malaquias 2:7).
  3. Julgamento: Em alguns casos, os sacerdotes atuavam como juízes em questões legais e religiosas (Deuteronômio 17:8-13).
  4. Purificação Ritual: Realizar rituais de purificação para pessoas e objetos considerados impuros (Levítico 13-15).
  5. Bênção Sacerdotal: Abençoar o povo (Números 6:22-27).

O Sumo Sacerdote (kohen gadol) era o líder máximo do sacerdócio, com responsabilidades adicionais, como entrar no Santo dos Santos uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kippur), para fazer expiação pelos pecados do povo (Levítico 16).

Além dos levitas arônicos, a Bíblia menciona Melquisedeque, rei de Salém e “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gênesis 14:18), que abençoou Abraão. A figura de Melquisedeque é significativa porque ele não pertencia à linhagem levítica.

Novo Testamento:

No Novo Testamento, a palavra ἱερεύς (hiereús) é usada para se referir tanto aos sacerdotes israelitas do Templo quanto a Jesus Cristo e aos cristãos.

  1. Sacerdotes Israelitas: Os Evangelhos mencionam os hiereis (sacerdotes) e os archiereis (sumos sacerdotes ou principais sacerdotes) como parte da liderança religiosa judaica, muitas vezes em conflito com Jesus.
  2. Jesus como Sumo Sacerdote: A Epístola aos Hebreus apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote supremo e eterno, superior ao sacerdócio levítico. Ele é descrito como “sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebreus 5:6; 7:17), significando que seu sacerdócio não é hereditário, mas único e eterno. Jesus oferece o sacrifício perfeito de si mesmo, de uma vez por todas, para a expiação dos pecados (Hebreus 9:11-14; 10:10-14).
  3. Sacerdócio dos Crentes: O Novo Testamento também fala de um “sacerdócio real” e “sacerdócio santo” de todos os crentes em Cristo (1 Pedro 2:5, 9; Apocalipse 1:6; 5:10; 20:6). Isso não significa que todos os cristãos desempenham as mesmas funções dos sacerdotes levíticos ou de Jesus, mas que todos têm acesso direto a Deus através de Cristo, podem oferecer “sacrifícios espirituais” (como louvor, oração e serviço) e são chamados a viver vidas santas.

Sal

O sal (מֶלַח, melaḥ, em hebraico; ἅλς, háls, em grego) é uma substância mineral de grande importância, mencionada frequentemente na Bíblia, tanto em sentido literal quanto simbólico.

No Antigo Testamento, melaḥ era essencial para a vida cotidiana, usado como tempero e conservante de alimentos. Era também um componente importante nas ofertas religiosas (Levítico 2:13: “E todas as tuas ofertas dos teus alimentos temperarás com sal (melaḥ); e não deixarás faltar à tua oferta de alimentos o sal (melaḥ) da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal (melaḥ)”). O “pacto de sal” (berit melaḥ) mencionado em Números 18:19 e 2 Crônicas 13:5 simbolizava uma aliança perpétua e inviolável, provavelmente devido às propriedades preservativas do sal. A região do Mar Morto, rica em sal, é frequentemente mencionada (Gênesis 14:3; Josué 3:16). A mulher de Ló, transformada em estátua de sal (Gênesis 19:26), serve como um lembrete da desobediência e do juízo divino. O sal também podia ter um uso destrutivo, sendo espalhado em cidades conquistadas como símbolo de desolação permanente (Juízes 9:45).

No Novo Testamento, ἅλς (háls) mantém os significados do Antigo Testamento, mas Jesus introduz uma nova dimensão simbólica. Em Mateus 5:13 (Sermão da Montanha), Jesus diz a seus discípulos: “Vós sois o sal (háls) da terra; ora, se o sal (háls) se tornar insosso, com que se há de salgar? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.” Aqui, o sal representa a influência positiva dos cristãos no mundo, preservando-o da corrupção moral e dando sabor à vida. Em Marcos 9:50, Jesus diz: “Bom é o sal (háls); mas, se o sal (háls) se tornar insípido, com que o haveis de temperar? Tende sal (háls) em vós mesmos, e paz uns com os outros.” Colossenses 4:6 instrui: “A vossa palavra seja sempre com graça, temperada com sal (háls), para saberdes como deveis responder a cada um.” Aqui, o sal simboliza sabedoria, discernimento e a capacidade de comunicar a verdade de forma eficaz e atraente.