Zebulom

Em hebraico “habitação” זְבוּלֻן / זְבוּלֹן . Um dos doze filhos de Jacó e uma das tribos de Israel (Gn 30:20; Mt 4:13-15; Ap 7:8).

A localização do território de Zebulom remete à benção de Jacó. O patriarca disse que Zebulom viveria à beira-mar e se tornaria um refúgio para os navios;
fazendo limite com os termos de Sidon (Gn 49:13). Foi a terceira tribo a receber seu quinhão na divisão do terriório (Js 19:10). Ocupou a região limítrofe ao norte de Israel, tradicionalmente identificado com uma seção fértil de terra aproximadamente a nordeste da planície de Jezreel dos quais somente uma localidade foi identificada pela geografia bíblica (Belém da Galileia, Js 19:15). Segundo Flávio Josefo, o território Zebulom estaria entre o Monte Carmelo, o mar Mediterrâneo e o lago de Genesaré. Aparece sempre associada com sua tribo vizinha de Issacar.

No Cântico de Débora, Zebulom aparece portando o estilete, um instrumento de escrita, mas nesse contexto como símbolo de comando (Jz 5:14).

A tribo de Zebulom teria sido dispersada após a conquista assíria do Reino de Israel em 722 a.C., embora tenha permanecido um remanescente dos quais alguns teriam participado do renovo da páscoa promovido por Ezequias (2 Cr 30:11). Por mais que haja povos que reivindiquem especulativamente descendência da “tribo perdida” de Zebulom, o provável que a população remanscente tenha sido incorporada aos samaritanos, judeus e povos sírio-fenícios depois helenizados e arabizados.

O território de Zebulom era aludido como nos confins do território israelita. Nesse sentido, Mt 4:12-15, citando Is 9:1-2 (LXX), refere-se a Jesus realizando seu ministério nessa região, que na época era chamada de Galileia.

Zorobabel

Zerobabel filho de Sealtiel, em hebraico זְרֻבָּבֶל, Semente da Babilônia, zerubbavel; em grego Ζοροβαβέλ, Zorobabel, foi um governador de Yehud, a Judá do período persa depois do exílio babilônico.

Teria sido um descendente de Davi (Ageu 1:1), neto de Jeoiaquim e antepassado de Jesus (Mateus 1:12-13; Lucas 3:27).

Sealtiel aparece como o pai de Zorobabel em várias passagens (Esdras 3:2, 8; 5:2; Ne 12:1; Ageu 1:1, 12, 14; 2:2, 23), exceto uma em que Zorobabel é chamado de “filho de Pedaías” (1 Crônicas 3:19).

Nos textos bíblicos de Esdras e Neemias, Zorobabel é retratado como líder e administrador entre os exilados judeus que retornaram da Babilônia para Judá. Embora não seja explicitamente mencionado com um título oficial, suas ações indicam sua função administrativa.

Zorobabel liderou um grupo de exilados de volta a Judá, desempenhou um papel fundamental na reconstrução do Templo em Jerusalém ao lado do sumo sacerdote Josué e foi fundamental para garantir que a reconstrução do templo continuasse sendo um assunto judaico.

O livro de Ageu refere-se a Zorobabel como um “governador”, sugerindo uma posição de autoridade, embora as especificidades dos seus deveres não sejam totalmente claras. No entanto, a obediência de Zorobabel à palavra profética foi crucial para catalisar os esforços de reconstrução, como evidenciado pelo seu papel na reconstrução do templo.

Interpretação de Ageu 2:20–23

Uma das passagens significativas relacionadas a Zorobabel é encontrada em Ageu 2:20–23, onde o profeta anuncia a escolha de Zorobabel pelo Senhor como Seu servo e o descreve como o “anel de sinete”. Esta passagem poderia indicar:

  1. Apelo à Rebelião: oráculo de Ageu pode ser interpretado como um apelo à rebelião contra os poderes políticos, prevendo a derrubada de regimes para restabelecer a Dinastia Davídica.
  2. Oráculo Escatológico: Alternativamente, a passagem pode ser vista como uma profecia escatológica, antecipando um futuro ato de libertação em vez de defender a rebelião.
  3. Oráculo para o Presente: oráculo é um chamado para aceitar as circunstâncias presentes enquanto espera glórias futuras através da intervenção divina. O papel de Zorobabel, nesta interpretação, é liderar a comunidade com fé e esperança.

A figura de Zorobabel também aparece em textos apócrifos como Siraque e 1 Esdras. Em Siraque, Zorobabel é elogiado por sua liderança e apreciado com um anel de sinete, simbolizando sua importância e autoridade. Em 1 (4) Esdras narra uma história conhecida como Conto dos Três Guardas, na qual Zorobabel emerge como um orador vitorioso (e um tanto misógino), recebendo a sanção real para reconstruir o Templo e devolver os vasos sagrados.

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