Congregação Cristã nos Estados Unidos

A Congregação Cristã nos Estados Unidos, em inglês Christian Congregation in the United States, abreviação CCUS, é uma comunhão de igrejas locais com raízes no avivamento pelo Espírito Santo na cidade de Chicago em 1907.

Como o movimento se alastrou para diversas cidades da América do Norte e outras nações, sobretudo o Brasil, aos poucos foi ganhando contornos denominacionais. Em 1927 foi reunida a convenção de Niagara Falls para estabelecer entre essas igrejas a associação de fato Unorganized Italian Christian Churches of North America (Igreja Cristã Italiana da América do Norte), embora cada igreja local poderia adotar outro nome de placa, como de na prática continuaram. Os nomes mais comuns das igrejas locais eram Assembleia Cristiana, Italian Christian Church e Congregazione Cristiana.

No final dos anos 1970 surgiu a vontade de reunir congregações locais independentes e grupos de crentes migrantes principalmente de Portugal, Brasil e América Hispânica com raízes históricas e doutrinárias nesse avivamento de 1907.

Assim, a partir de 1980 a Christian Congregation in the United States foi organizada com apoio anciãos brasileiros, entre eles Miguel Spina e Victorio Angare, e iniciativa de Joel Spina. Aderiram inicialmente a Italian Christian Assembly of Alhambra, Los Angeles (anciãos Alexander Puglia e Salvatore Licari); Buffalo Christian Congregation (anciãos Arno Scoccia e Louis Terragnoli Junior) e Christian Congregation de Chicago (onde viriam a ser anciãos Samuele Calabrese e Joel Spina).

Desde o início, a CCUS mantém vínculos de comunhão espiritual e doutrinária com outras Congregações Cristãs ao redor do mundo, mas especialmente com o Canadá e México. Também manteve apoio e missões na América Central e Caribe. Historicamente enviou e representantes para as reuniões ministeriais da Congregação Cristã no Brasil e na Congregazione Cristiana in Italia, também recebendo representantes dessas igrejas co-irmãs. A CCUS é signatária da Convenção Internacional das Congregações Cristãs, firmada em São Paulo em 2003.

Por razões doutrinárias, a CCUS não possui centrais. Cada igreja local com patrimônio e condições de pessoal próprios são registradas (incorporadas) como entidades legais em cada estado. As assembleias gerais dos anciãos, as equivalentes às Reuniões Gerais de Ensinamento no Brasil, são realizadas de forma rotativa a cada ano, historicamente em Buffalo, Alhambra e Chicago.

No início de 2024 a CCUS contava com cerca de 90 congregações pelo país.

Doutrinariamente, a CCUS possui artigos de fé similares com outras Congregações Cristãs no Mundo; todavia, não adotou as alterações realizadas unilateralmente no Brasil em 1995 e 2013.

SAIBA MAIS

ALVES, Leonardo Marcondes. Congregação Cristã na América do Norte: sua origem e culto. Dallas, 2011. pp. 4-5

www.ccus.org

World’s Faith Missionary Association

A Associação Missionária de Fé Mundial (World’s Faith Missionary Association WFMA) foi uma organização evangélica fundada em 1887 pelo pelo pregador de Santidade Charles S. Hanley e sua esposa Minnie Hanley em Shenandoah, Iowa, para promover o cristianismo evangélico globalmente.

Inicialmente concebida como uma plataforma para ensinamentos radicais do movimento de Santidade, a associação também operava sob o nome de “Organização Sarça Ardente”.

Como organização, não controlava congregações locais, mas efetivamente era uma denominação. Levantava fundo para missões, promovia reuniões de avivamento e credenciava minisros. Dentre seus convertidos estava William H. Durham, o qual seria ordenado pela WFMA.

Após o falecimento de C.S. Hanley em 1925, a WFMA passou por disputas que levaram à sua fragmentação. Depois houve o restabelecimento de facções separadas, cada uma competindo pela legitimidade da WFMA. Uma delas, liderada CS Osterhus criou a WFMA em Robbinsdale, Minnesota, enquanto outra facção, liderada por rev. Montgomery, iniciou operações em Webster Groves, Missouri. Para distinguir as duas entidades, esta última facção adotou o nome de “Associação Ministerial Fundamental” em 1931, enfatizando a unidade doutrinária da organização.

Em 1958, durante a convenção anual realizada no Trinity Seminary e no Bible College em Chicago, Illinois foi promulgada uma reforma organizacional, renomeada Aliança da Igreja Evangélica (ECA). Hoje a ECA conta com mais de 1.600 constituintes, incluindo pastores, professores, missionários e capelães de diversas origens denominacionais.

BIBLIOGRAFIA
DeLong, Joseph I. “It Ought to Be Written”: The Story of Charles and Minnie Hanley, Founders of the World Faith Missionary Association, and the Origin of the Evangelical Church Alliance, Inc. Lulu, 2006.

Dorothee Sölle

Dorothee Sölle (1929-2003) foi uma teóloga e escritora protestante alemã, ativista pela paz.

Sölle nasceu em Colônia em 1929 como Dorothee Nipperdey. Educada em uma família protestante de classe média que valorizava a arte e a filosofia. A família escondeu uma judia no sótão por um tempo e foi forçada a evacuar durante o bombardeio de Colônia. Um dos irmãos mais velhos de Sölle foi mobilizado e morreu no cativeiro. 

Estudou línguas clássicas e filosofia em Colônia e Freiburg, mas dois anos depois passou a estudar alemão e teologia em Göttingen. Apesar de não se identificar como religiosa, possuir uma atitude nominal e secular em relação à Igreja Evangélica Alemã. Não se deixou impressionar pela neo-ortodoxia que insistia em que Deus “completamente diferente”.

Após sua formatura em 1954, tornou-se professora de religião no ensino médio. Casou-se com o artista Dietrich Sölle, com quem teve três filhos.  O casamento duraria dez anos.

Começou a escrever sob contratos esporáticos e a participar de programas de rádio, falando principalmente sobre história da arte.

Apesar das dificuldades, Sölle escreveu sua fundamentação teológica em Stellvertretung (1965). Entrelaçou a visão cristológica clássica de Cristo representando os humanos diante de Deus com uma noção mais incomum: Cristo também representa Deus entre nós, o Deus ausente e invisível que muitos percebem como “morto”. Além disso, Sölle acreditava que a humanidade representaria Cristo aos outros até o retorno definitivo de Cristo. Isto despertou resistência entre os teólogos eclesiásticos, considerando o seu trabalho demasiado liberal. A mudança de Sölle para a teologia política, entrelaçada com sua vida pessoal, casando-se com Fulbert Steffensky. Ela defendeu a responsabilidade política dos cristãos, o que lhe valeu o rótulo de “socialista cristã”.

Sölle escreveu sobre teologia da libertação, filosofia marxista e teologia feminista. A teologia de Sölle centrava-se em agir contra a injustiça e a opressão no mundo. Escrevia para um público mais amplo, traduzindo conceitos de uma teologia política altamente engajada com uma atitude mística de fé. 

Foi uma teóloga da controvérsia e da contradição. O caráter fragmentário de sua obra torna difícil de sistematizar seu pensamento e classificá-lo em grandes correntes.

BIBLIOGRAFIA

Sölle, Dorothy. “Theology for Skeptics” (1968)

Sölle, Dorothy. “Mysticism and Resistance” (1997).

Movimento de Teologia Bíblica

O Movimento de Teologia Bíblica, floresceu nas décadas de 1940-1960 e pretendia transcender as polaridades teológicas, apresentando a Bíblia como um recurso teológico unificado.

O trabalho de G. Ernest Wright, “The God Who Acts: Biblical Theology as Recital” (1952), defendeu a compreensão da Bíblia como um evento mais interpretação – uma narrativa confessional sobre Deus. Ao contrário das abordagens tradicionais focadas na facticidade histórica, este movimento centrou-se na função da narrativa dentro do cânone bíblico. Esperava assim transcender a dicotomia entre teologia liberal e evangelical.

Enfatizando a unidade teológica da Bíblia, o movimento da teologia bíblica empregava um arcabaouço da história da redenção. Pretendia dar uma exploração sintética da natureza, da vontade e do plano de Deus na criação e na redenção. O movimento uniu estudiosos no ressurgimento da teologia e no compromisso de desvendar a revelação de Deus na história.

O movimento desvaneceu quando James Barr criticou o Movimento de Teologia Bíblica por impor categorias modernas a textos antigos, simplificando demais a diversidade da Bíblia e negligenciando o contexto histórico. Barr notou a influência da filosofia hegeliana, questionou a centralidade da teologia da aliança e advertiu contra uma abordagem cristocêntrica que ofuscava o valor distinto do Antigo Testamento.

Francesco Turrettini

Francisco Turrettini, Francesco Turrettini, François Turrettin (1623–1687) foi um teólogo da escolástica protestante.

Nasceu em Genebra em 1623 de uma família protestante, com seu avô sendo Giovanni Diodati. Teve atividades acadêmicas em Leiden, Utrecht, Paris, Saumur, Montauban e Genebra. Como pároco em Genebra, também se encarregou dos cuidados pastorais da comunidade italiana.

Turrettini sucedeu a Theodor Tronchin na cátedra de teologia da Academia de Genebra, onde acabou se tornando reitor.

Fervoroso defensor de uma visão calvinista mais estrita, Turrettini se opôs às visões calvinistas associadas à Academia de Saumur. Participou ativamente do Consenso Helvético, defendendo as formulações de predestinação do Sínodo de Dort.

A principal obra de Turrettini, “Institutio Theologiae Elencticae” (3 partes, Genebra, 1679-1685), exemplifica a escolástica reformada. Abordou várias questões controversas, defendendo a noção da Bíblia como a palavra inspirada de Deus, o infralapsarianismo e a teologia federal. Suas obras, incluindo “De Satisfactione Christi disputationes” (1666) e “De necessaria secessione nostra ab Ecclesia Romana et impossibili cum ea sincretismo” (publicado em 1687), abordavam assuntos teológicos críticos.

A influência de Turrettini sobre os puritanos e teólogos posteriores ganharam reconhecimento. Suas obras eram os manuais didáticos de vários seminários, incluindo o de Princeton.

A sua doutrina da liberdade, rejeitando a noção de indiferença, enfatizava a soberania de Deus e a espontaneidade racional da vontade humana.