Epístola a Filémon

Um apelo a um senhor convertido para tratar com bondade seu escravo crente.

A Epístola de Filemom é uma pequena carta do Novo Testamento, escrita por Paulo a um cristão chamado Filemom (também grafado em português Filemon). A carta é única porque trata de uma situação específica, em vez de abordar uma questão teológica ou doutrinária mais ampla. A situação envolve um escravo chamado Onésimo que fugiu da casa de Filemom e acabou em Roma, onde conheceu Paulo e se tornou cristão.

Paulo escreve a Filemom para pedir que perdoe Onésimo e o aceite de volta como irmão em Cristo, em vez de puni-lo como a lei permitia. O argumento de Paulo é baseado no fato de que tanto Filemom quanto Onésimo são agora cristãos e, portanto, parte da mesma família em Cristo.

Apesar de curta, falta contexto para situá-la. Os pontos de vista concorrentes sobre o contexto da carta incluem:

A visão majoritária vê Filemon como um cristão rico que tinha uma família que incluía escravos e pessoas livres. Onésimo foi um de seus escravos que fugiu e foi parar em Roma, onde conheceu Paulo e se tornou cristão. Paulo escreveu a carta para persuadir Filemom a perdoar Onésimo e aceitá-lo de volta como irmão em Cristo. Seu principal proponente patrístico foi Crisóstomos e chamada de teoria fugitivus.

Uma visão minoritária argumenta que a situação descrita na carta não é uma relação escravo-mestre, mas sim uma relação patrão-cliente. Filemom era um patrono que dera apoio econômico e proteção a Onésimo, e Onésimo traiu esse relacionamento ao fugir. De acordo com essa visão, Paulo não estava defendendo a abolição da escravidão, mas sim a preservação da relação patrono-cliente entre Filemom e Onésimo. É chamada teoria da mediação.

Próxima a essa visão, outra perspectiva, proposta por Peter Lampe (1985), apresenta Onésimo não como um fugitivo tentando escapar da escravidão para sempre, mas como alguém que caiu em desgraça com seu mestre e buscava a ajuda de terceiros para facilitar a reconciliação. Isso é muitas vezes referido como a teoria do amicus domini (amigo do mestre).

Independentemente da interpretação, a carta de Filemom continua sendo um texto importante para a compreensão dos pontos de vista da comunidade cristã primitiva sobre o perdão, a reconciliação e a relação entre escravos e senhores.

BIBLIOGRAFIA

Alencar, Gedeon Freire. Filemom: Esta Carta Deveria Ter Sido Escrita? Recriar, 2022.

Fitzmyer, J. A. The Letter to Philemon: A New Translation with Introduction and Commentary. New Haven: Yale University Press, 2000.

Harrill, J. Albert. Slaves in the New Testament: Literary, Social, and Moral Dimensions. Minneapolis: Fortress, 2006.

Young, Stephen E. Our Brother Beloved: Purpose and Community in Paul’s Letter to Philemon. Baylor University Press, 2021.

2 Timóteo

Nessa epístola pastoral paulina há uma instrução e encorajamento no dever ministerial para guardar o evangelho glorioso, mesmo meio a adversidade.

Acredita-se que 2 Timóteo tenha sido escrito no final de sua vida, durante uma possível segunda prisão em Roma. Na carta, Paulo fala de seu trabalho chegando ao fim e espera uma coroa de vitória. Ele contrasta sua fidelidade com o abandono infiel dos membros de suas igrejas, mas elogiando a lealdade de Timóteo e Onesíforo. A epístola enfatiza o evangelho da morte e ressurreição de Jesus e o sofrimento e prisão de Paulo e seus seguidores por causa disso.

A carta é escrita em forma de testamento ou despedida, semelhante ao Testamento dos Doze Patriarcas. Na carta, Paulo ressalta um modelo de liderança fiel mesmo diante da perseguição, e adverte contra os falsos mestres dentro da igreja. Paulo exorta Timóteo a selecionar sucessores dignos para levar adiante a tradição e ensinar e corrigir com fidelidade.

Endereçada a Timóteo, o qual é designado como dirigente da igreja em Éfeso. Paulo enfatiza a tradição de fé multigeracional de seu convertido e associa essa linhagem com sua própria tradição de fé ancestral. Timóteo foi comissionado por Paulo através da imposição de mãos, indicando o depósito da tradição. A ênfase da epístola no relacionamento especial entre Paulo e Timóteo reflete seu uso como modelo de liderança fiel e os deveres e responsabilidades instados ao público nas outras duas epístolas pastorais.

A epístola faz parte da Antilegômena paulina, sendo vários aspectos de sua autoria ainda debatidos.

Epístola a Tito

Essa epístola paulina é uma das três “Epístolas Pastorais”. Apregoa que a mudança pelo poder do evangelho transforma vidas, assim encoraja o exercício das funções ministeriais, inclusive na correção dos enganos de falsos mestres e e legitimiza a autoridade do ministério da igreja em coibir erros morais e doutrinários.

Transfiguração

Um evento na vida de Jesus em que ele “transfigurado” (grego metamorphoô) aparece ao lado de Moisés e Elias, acompanhado de uma voz do céu. Esta manifestação gloriosa aparece com maior detalhes nos evangelhos sinóticos (Marcos 9:2-8; Mateus 17:1-8; Lucas 9:28 -36), havendo alusões possíveis no evangelho de João (1:14) e em 2 Pedro 1: 16-18.

O sentido desse evento permanece ainda um espanto. A transfiguração pode ser entendida como uma revelação de Jesus Cristo como o Filho de Deus (João 1:14) ou como um vislumbre de sua glória a ser revelada na Parousia (2 Pe 1: 16-18).