Aniquilacionismo

Doutrina de que a morte leva o desaparecimento completo do ser humano. Muitos proponentes creem que a exceção seriam os salvos, os quais viveriam pela eternidade.

Foi arguido por Arnóbio, Socinianos, Edward Fudge, B. B. Warfield, E. Bullinger, Clark H. Pinnock, John Stott, John Wenham.

O aniquilacionismo, crença de que os ímpios não herdarão a vida eterna, mas cessarão de existir, encontra suporte em diversas passagens bíblicas. A ideia de que Deus é um Pai amoroso que não infligiria tormento eterno a seus filhos é central (Mateus 7:11). Apocalipse 20:9-10 descreve a destruição final dos ímpios no Lago de Fogo, cessando sua existência. O “fogo eterno” (Mateus 25:41) pode ser interpretada como um fogo consumidor que, após purificar, leva à inexistência, não a um tormento consciente perpétuo (Êxodo 3:2-5). A justiça divina se manifesta na punição pelo pecado, mas o aniquilacionismo assegura que essa punição é finita, proporcional à vida vivida (Apocalipse 20:12).

O aniquilacionismo é um posicionamento acerca do estado final, mas não sobre o estado intermediário. Há aniquilacionistas que propõe que a existência do ímpio acaba no momento da morte, outros arguem o sono da alma, outros o estado consciente da alma até o juízo e a punição eterna.

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Pós-milenarismo

Pós-milenarismo ou pós-milenismo sustenta que o Milénio de Apocalipse 20 seria um período único iniciado pela Igreja, abrangendo dimensões espirituais e físicas.

De acordo com proponentes como Boettner e Grenz, a influência da Igreja estender-se-á globalmente, moldando a cultura, a política e a economia para estabelecer o domínio de Cristo. Espera-se que esta influência leve a uma grande prosperidade. Prevê-se que a Igreja se destaque no evangelismo e na maturidade espiritual, mantendo a hegemonia por um período prolongado, mas não especificado, potencialmente não limitado a 1.000 anos. Eventualmente, ocorrerá uma rebelião, levando ao retorno de Cristo para julgamento e à criação de um novo céu e nova terra. Nesta perspectiva, a Igreja substitui Israel e herda o seu propósito e promessas, assumindo um papel de sacerdócio nacional para o mundo.

As representações do Antigo Testamento da missão global de Israel seriam parte da missão da Igreja, alinhando-se com a Grande Comissão de evangelizar e fazer discípulos em todo o mundo.

A interpretação pós-milenista sugere paralelos entre o propósito da Igreja e a aliança de Deus com Israel para abençoar o mundo. O crescimento retratado em parábolas, como a do grão de mostarda, implica que a Igreja influenciará progressivamente o mundo, tornando-se eventualmente a instituição dominante.

HISTÓRIA DA DOUTRINA PÓSMILENISTA

As raízes do pós-milenismo remontam aos antecessores que, embora inconsistentes na articulação da doutrina, lançaram as bases para o seu desenvolvimento. Joseph Mead (1586-1638/1639) contribuiu para a formulação inicial do pós-milenismo através de seu ensino sobre o “quiliasmo progressivo”, adiando o intervalo apocalíptico de 1.260 anos a partir do ano 400, conforme indicado em Apocalipse 11:3 e 12:6. Isto preparou o terreno para a forma imperfeita do pós-milenismo.

Daniel Whitby (1638-1726) desenvolveu ainda mais o pensamento pós-milenista ao imaginar a conversão do mundo através de meios evolutivos facilitados pelo Evangelho. Ele profetizou o regresso dos Judeus à Terra Santa, a derrota do Papado e do Islão, e o início de um período de mil anos de paz, justiça e felicidade – a “era de ouro” da civilização. Os ensinamentos de Whitby estabeleceram uma base conceitual para a crença pós-milenista de que o mundo, através da aceitação generalizada das Boas Novas, experimentaria uma era de paz e justiça universais antes do retorno de Cristo para o Juízo Final.

Campegius Vitringa (1659-1722) e Jacques Abbadie (1654-1727), influenciados por Whitby, viam o Reino milenar como um resultado futuro das reformas da Igreja. Esta perspectiva encontrou seguidores em Spener, Driessens, Joachim Lange (1670-1744) e Pastorini (século XVIII). Johann Bengel (1687-1752) introduziu o conceito de um duplo milênio, dividindo a prisão de Satanás, o Reino de mil anos, e o Fim do Mundo e o Grande Julgamento em períodos de tempo distintos. Esta ideia foi continuada por Johann Henrik Jung Stilling (1740-1817), que postulou um milênio alegórico a partir de 1836.

O pós-milenismo ganhou prevalência entre os protestantes americanos nos séculos XIX e XX. O movimento se solidificou durante o Segundo Grande Despertar, marcado por reinterpretações dos acontecimentos que se seguiram à Revolução Francesa. Este período viu o surgimento do pós-milenismo com conotações implícitas de destino manifesto vitoriano e americano. Figuras influentes como Charles Finney, proponentes do Evangelho Social, a Escola de Princeton, Rushdoony, Greg Bahnsen e Gary North desempenharam papéis cruciais na formação e promoção do pensamento pós-milenista durante esta era. O movimento tornou-se uma força distintiva, misturando otimismo teológico com aspirações sociais e culturais, contribuindo para o seu impacto duradouro no protestantismo americano.

VARIEDADES DO PÓS-MILENISMO

O pós-milenismo tem muitas variedades.

  • Pós-milenismo da forma perfeita: a Primeira Ressurreição já ocorreu.
  • Pós-milenismo da forma imperfeita: a Primeira Ressurreição ainda não ocorreu
  • Pós-milenismo simbólico: o milênio como o período entre a Primeira e a Segunda Vindas de Cristo. Similar ao amilenismo.
  • Pós-milenismo futurista: o milênio seria um período futuro de prosperidade espiritual, dentro e perto do final do período entre o primeiro e segundo adventos.
  • Pós-milenismo Revivalista: o milênio representa um período de tempo desconhecido marcado por um reavivamento cristão gradual, seguido por um evangelismo generalizado e bem sucedido. Depois desses esforços está previsto o retorno de Cristo.
  • Pós-milenismo reconstrucionista: a Igreja aumenta sua influência através do evangelismo e da expansão bem-sucedidos, finalmente estabelecendo um reino teocrático de 1.000 anos de duração (literal ou figurativo) seguido pelo retorno de Cristo
  • Teonomistas: movimento político entre alguns reformados norteamericanos relacionado com o dominionismo, que busca efetivar politicamente o milênio.

Uma característica comum a todas as variedades de pós-milenismo é a suposição da implementação do Reino dos justos na Terra, mas sem a presença visível de Cristo. Em outras palavras, um reino anterior à Segunda Vinda e a presença pessoal de Jesus Cristo.

Êxodo

Êxodo, em grego “partida” ou “saída”, e refere-se à saída dos israelitas do Egito. O título hebraico é Ve-eleh shemoth, as primeiras palavras do libro “e estes são os nomes”.

Continua onde termina o livro de Gênesis: com os israelitas no Egito. Entretanto, o povo de Israel é reduzido à escravidão (1). Deus emprega Moisés para libertar Israel (2-4). Contudo, o Faraó resiste e Deus responde enviando pragas ao Egito que cuminam com a morte do primogênito (5-13). Israel se prepara para a libertação celebrando a Páscoa. Depois da passagem miraculosa pelo mar e um cântico de vitória, o povo de Israel viaja pelo Deserto do Sinai, murmurando ao longo do caminho (14-18). No monte Sinai, Israel recebe os Dez Mandamentos e forma uma relação de aliança com Deus (19-24). Enquanto Moisés está recebendo instruções adicionais, Israel se rebelou construindo o bezerro de ouro (32). O povo Israel então constrói o tabernáculo conforme as instruções recebidas (25-40).

BIBLIOGRAFIA

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Walton, John H. The Lost World of the Exodus: Context and Communication. Downers Grove, IL: IVP Academic, 2021.

Gênesis

É o livro que relata as origens do cosmo, de várias instituições e do povo hebreu. Chamado em hebraico Bereshith, ou seja, “no início”, a primeira palavra do livro e de Gênesis, “criação” ou “geração”, em grego. Tradicionalmente, Gênesis é o primeiro livro que integra o Pentateuco ou Torá.

Divide-se em duas partes principais. A primeira parte (1-11) é a História Primeva, com os relatos sobre a cosmogonia, o pecado original, as primeiras tecnologias, as gerações, o dilúvio e a dispersão após a Torre de Babel. A segunda parte (12-50) compreende os ciclos dos patriarcas Abraão (10-25:18), Isaque (25: 19-35: 29), Jacó e seus filhos, especialmente José no Egito (36-50).

Sua autoria é anônima. Desde o período helenístico sua autoria foi atribuída diversamente a Moisés, José, Samuel, Esdras e a grupos de escribas.

BIBLIOGRAFIA

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