Balthasar Hubmaier

Balthasar Hubmaier (ca. 1480-1528) reformador de Waldshut, pioneiro anabatista e mártir.

Os escritos de Hubmaier refletem sua capacidade de erudição. Com educação humanista, representa a via média entre a Reforma Radical e a Reforma magistral.

Rejeitou o batismo infantil, efetivou a disciplina da igreja e rejeitou o juramento. Em contraste com outros anabatistas pacifistas absolutos, considerava legítimo o uso de força por autoridades civis. 

Zwingli convidou-o a vir a Zurique para um debate. Quando Hubmaier chegou, Zwingli mandou prendê-lo e torturá-lo. Durante a tortura, Zwingli atormentou Hubmaier para que se retratasse de suas heresias. Sob tortura, Hubmaier renunciou ao anabatismo, mas depois quando foi libertado renunciou sua renúncia

Hubmaier teria batizado mais de 2.000 seguidores na Morávia. Foi preso por ordem do arquiduque Ferdinando da Áustria, a quem ele escreveu o Relato da Fé. Nesse documento explica suas perspectivas doutrinárias e posições anabatistas.

Morreu queimado na fogueira em Viena.

BIBLIOGRAFIA

MacGregor, Kirk R. A Central European Synthesis of Radical and Magisterial Reform: The Sacramental Theology of Balthasar Hubmaier. University Press of America, 2006.

Hans Denck

Johannes (Hans) Denck (ca. 1500-1527) foi um humanista e teólogo anabatista.

Denck era um jovem estudioso humanista oriundo de Habach, Bavária. Em 1517 matriculou-se na Universidade de Ingolstadt, da qual recebeu o grau de Bacharel em Artes. Mudou-se para Basileia, onde continou a estudar na universidade da cidade. Versado em latim, grego e hebraico, erudito, escreveu várias obras teológicas consolidando o pensamento anabatista. Aderiu ao anabatismo em 1525, mas morreu de peste em Basileia dois anos após sua conversão.

Denck participou da rede de anabatistas da Suíça e do sul da Alemanha, junto de Balthasar Hubmaier e Hans Hut. Integrou a reunião de 1527 em Augsburg que ficou conhecida como o “Sínodo dos Mártires”.

TEOLOGIA

Um tema central de sua reflexão é como Deus, que é imutável e eterno, se revela em seu mundo criado, que é transitório e temporal.

A fonte da revelação é Cristo, o qual é a Palavra de Deus. As Escrituras são testemunhas da manisfestação da Palavra de Deus. Entretanto, a salvação não está vinculada às Escrituras. O Espírito conduz os crentes à unidade, enquanto a Letra (leitura formalista ou legalista sem o Espírito) tende a criar desacordo e divisão. Desenvolveu um teologia do Logos na qual a Palavra de Deus opera em dois níveis, como uma Palavra interna e uma Palavra externa. A Palavra interior é a Verdade última, pois é Amor, como Deus é Amor e essa Palavra encarnou em Cristo Jesus. As Escrituras seriam a Palavra externa, suprema a qualquer tesouro humano.

Denck foi um dos pioneiros no restauracionismo. Argumentava que a corrupção da Igreja começou após a morte dos apóstolos. Nessa época teria tido um desvio, com o foco novamente nas coisas externas e na autoridade humana, em vez da liderança espiritual dos crentes e da Igreja de Cristo.

Em sua soteriologia, Denck transferiu o sacramentalismo (reencenação do sacrifício de Cristo nos sacramentos) para a transformação interior. O sacrifício histórico de Cristo na carne não seria suficiente para a salvação. Também seria necessário uma crucificação e ressurreição interior dentro do indivíduo através do poder ativo do Espírito de Cristo. Desse modo, o batismo exterior com água não é necessário porque o sacramento é principalmente um batismo espiritual interior pelo Espírito Santo. Portanto, as águas batismais não possuíam caráter regenerador. Igualmente, a Santa Ceia do Senhor externa não seria necessária, pois o sacramento é principalmente uma alimentação interior e espiritual do corpo espiritual de Cristo, que é o “pão da vida”.

Como os anabatistas atuais, Denck compartilhou o compromisso com a não violência, a tolerância religiosa e a liberdade de consciência. Rejeitava os juramentos e a doutrina da predestinação.

“Como o amor n’Ele era perfeito e como o amor não odeia ou inveja ninguém, mas inclui a todos, ainda que todos fôssemos seus inimigos, certamente Ele não desejaria excluir ninguém. E se Ele tivesse excluído alguém, então o amor teria sido vesgo e um discriminador de pessoas. E isso, [Deus] não é!”

Denck. Se Deus é a causa do mal

BIBLIOGRAFIA

Denck, Hans; Bauman, Clarence. The Spiritual Legacy of Hans Denck : Interpretation and Translation of Key Texts. Leiden: Brill, 1991.

Killian Aurbacher

Killian Aurbacher (?-1534?), foi um dos primeiros líderes anabatistas em Austerlitz, Morávia.

Aurbacher argumentava que seguir a Jesus Cristo era questão de fé. Ser cristão seria uma questão de livre vontade, não uma imposição forçada. Tolerante, em uma carta a Martim Bucer em 1534 escreveu:

Nunca é certo obrigar alguém em questões de fé, seja o que for que ele acredite, seja ele judeu ou turco [muçulmano].

Mesmo que se alguém não creia de forma correta ou queira crer assim, isto é, se ele não possui ou não queira ter o correto entendimento da salvação e não confie em Deus ou se submeta a Ele, mas confia na criatura e ame-a, ele portará sua própria culpa e ninguém o apoiará no juízo.

E assim nos conduzimos de acordo com o exemplo de Cristo e dos apóstolos e proclamamos o evangelho segundo a graça que Ele nos confiou. Não obrigamos ninguém.

Mas quem está disposto e pronto, deixe segui-Lo, como Lucas nos mostra em Atos. Que isso então também é uma verdade aberta, que o povo de Cristo é constituído de pessoas livres, não forçadas e não compelidas, que recebem a Cristo com desejo e coração disposto. Acerca disso as Escrituras testificam.

Aurbacher, Hulshof, 247.

BIBLIOGRAFIA

Bender, Harold S. “The Anabaptists and Religious Liberty in the 16th century.” Archiv für Reformationsgeschichte 44.jg (1953): 32-51.

Hillerbrand, Hans J. Die politische Ethik der oberdeutschen Täufer. Ein Beitrag zur Religions- und Geistesgeschichte des Reformationszeitalters. Köln 1963. A famosa citação de Aubarcher aparece na página 22.

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