Killian Aurbacher

Killian Aurbacher (?-1534?), foi um dos primeiros líderes anabatistas em Austerlitz, Morávia.

Aurbacher argumentava que seguir a Jesus Cristo era questão de fé. Ser cristão seria uma questão de livre vontade, não uma imposição forçada. Tolerante, em uma carta a Martim Bucer em 1534 escreveu:

Nunca é certo obrigar alguém em questões de fé, seja o que for que ele acredite, seja ele judeu ou turco [muçulmano].

Mesmo que se alguém não creia de forma correta ou queira crer assim, isto é, se ele não possui ou não queira ter o correto entendimento da salvação e não confie em Deus ou se submeta a Ele, mas confia na criatura e ame-a, ele portará sua própria culpa e ninguém o apoiará no juízo.

E assim nos conduzimos de acordo com o exemplo de Cristo e dos apóstolos e proclamamos o evangelho segundo a graça que Ele nos confiou. Não obrigamos ninguém.

Mas quem está disposto e pronto, deixe segui-Lo, como Lucas nos mostra em Atos. Que isso então também é uma verdade aberta, que o povo de Cristo é constituído de pessoas livres, não forçadas e não compelidas, que recebem a Cristo com desejo e coração disposto. Acerca disso as Escrituras testificam.

Aurbacher, Hulshof, 247.

BIBLIOGRAFIA

Bender, Harold S. “The Anabaptists and Religious Liberty in the 16th century.” Archiv für Reformationsgeschichte 44.jg (1953): 32-51.

Hillerbrand, Hans J. Die politische Ethik der oberdeutschen Täufer. Ein Beitrag zur Religions- und Geistesgeschichte des Reformationszeitalters. Köln 1963. A famosa citação de Aubarcher aparece na página 22.

Girolamo Zanchi

Girolamo Zanchi (1516-1590) foi um reformador italiano.

Zanchi nasceu em Alzano, perto de Bérgamo, em uma família rica. Educado nas humanidades, entrou para um convento agostiniano, no qual as ideias de graça circulavam. Mudou-se para Lucca (1541), onde encontrou os ensinamentos de Vermigli e dos reformadores. Com o início da perseguição contra os reformados italianos, deixou a Itália (1551), passando pelos Grisões e Genebra, onde aprofundou sua educação teológica.

Zanchi veio a lecionar o Antigo Testamento em Estrasburgo (1553-1563). Depois de um ministério em uma congregação em Chiavenna (1563-1568), ensinou dogmática em Heidelberg (1568-1576) e Novo Testamento em Neustadt (1576-1590).

Um dos mais eruditos reformadores, seus oito volumes de sua obra renderam-lhe a alcunha de o “Cícero da Alemanha”. Demonstrava uma tolerância a abertura para diálogo raras na época, evitando um engessamento dogmático.