Agora e ainda não

A escatologia agora e ainda não é um termo usado para descrever a tensão entre a realidade presente do reino de Deus e a consumação futura do reino de Deus. Enfatiza que o reino de Deus já foi inaugurado por meio da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, e que esse reino inaugurado agora está presente na vida dos crentes por meio da obra do Espírito Santo.

Ao mesmo tempo, porém, esta escatologia reconhece que o reino de Deus ainda não foi plenamente realizado e que há um aspecto futuro do reino que ainda está por vir. Esse aspecto futuro inclui o julgamento final, a ressurreição dos mortos, a renovação de todas as coisas e a plena realização do reinado de Deus sobre toda a criação.

O conceito decorre das Duas Eras presentes na Bíblia. Em hebraico- “ Olam hazzeh” que é “esta era” e “Olam Habah”, “a era vindoura.” O grego do Novo Testamento emprega essas mesmas duas divisões de tempo cerca de trinta vezes: “Aion ho houtos, “esta era” e “Aion ho mellon”, “a era do porvir”. A “Era vindoura” se sobrepõe a “esta Era” com a obra de Cristo em expulsar demônios e, especialmente, em sua ressurreição dentre os mortos. Enquanto a “era porvir” ainda está apenas em sua forma incipiente, pois o segundo advento virá no futuro em sua plena realização.

A escatologia “agora e ainda não” reconhece a tensão entre o já presente e os aspectos ainda não totalmente realizados do reino de Deus. Encoraja os crentes a viverem na realidade do reino de Deus agora, ao mesmo tempo em que espera seu cumprimento final no futuro.

Ressurreição

Ressurreição é voltar a viver corporalmente após a morte. Na Bíblia, o termo refere-se a três situações distintas.

  1. Ressurreição miraculosa de mortos, também chamada de ressuscitamento. Entre eles estão
    • O filho da Viúva de Sarepta – 1 Rs 17:17-24
    • O filho da mulher sunamita – 2 Rs 4:8-37
    • O homem reviveu ao tocar nos ossos de Eliseu – 2 Rs 13:20-21
    • A filha de Jairo – Mc 5:35-43; Mt 9:18-26; Lucas 8:49-56
    • O filho da Viúva de Naim – Lc 7:11-17
    • Lázaro – Jo 11:1-44
    • Tabita (Dorcas) – Atos 9:36-43
    • Êutico – Atos 20:7-12
  2. Ressurreição de Cristo. (Mt 28:1-10; Mc 16:1-8; Lc 24:1-12; Jo 20-21; At 1:22; 2:24, 32-33; Gl 1:4; 2:20, etc.)
  3. Ressurreição quando da volta de Cristo. A crença na ressurreição dos mortos era uma entre as várias perspectivas sobre o mundo vindouro no judaísmo do Segundo Templo. Notavelmente rejeitada pelos saduceus, mas aceita pelos fariseus (cf. Atos 23:6-8). É uma crença e esperança crucial para a fé cristã a ressurreição final (Atos 24:15; 1 Ts 4:16; 1 Cor 15; Jo 5:28-29; Ap 20:4-6).

Quanto à ressurreição, é proveitoso alguns esclarecimentos. Alguns teólogos e algumas vertentes teológicas postulam a existência de duas ressurreições finais. Alguns intérpretes das vertentes condicionalistas e aniquilacionistas postulam a ressurreição somente dos justos. Para alguns teólogos o termo ressuscitar aplica-se somente às pessoas que foram trazidas à vida miraculosamente e depois, supostamente, voltaram a morrer, reservando o termo ressurreição para Cristo e para a restauração final. Outros teólogos invertem os termos de forma exclusiva. Por fim, o conceito de ressurreição não é a mesma coisa que transmigração das almas, reencarnação ou uma existência espiritual incorpórea.

BIBLIOGRAFIA

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Pré-milenarismo

O pré-milenismo ou pré-milenarismo é uma teoria interpretativa que entende Apocalipse 20:1-6 como retorno de Cristo à Terra antes do milênio, quando reinará mil anos na terra antes do juízo final.

A maioria dos pré-milenistas acredita que mil anos designam um período literal de tempo, mas não necessariamente, pois há quem acredite que os mil anos sejam uma hipérbole para um período longo e indeterminado. O que caracteriza o pré-milenismo, comparado com o amilenismo e pós-milenismo, é a crença no reino distinto da Igreja, consumado pelo reinado visível de Cristo nesse período.

Outras doutrinas também associadas ao pré-milenarismo são a distinção entre Igreja e Reino, o retorno iminente de Jesus

Os adeptos dessa interpretação estão divididos principalmente entre pré-milenistas históricos, dispensacionais, dispensacionais progressivos, temáticos e nuances locais, como pré-milenismo coreano.

Os pré-milenistas históricos, prevalentes na era patrística ante-nicena, esperavam a completude do Reino em seus dias, em algum momento futuro. Nessa visão, a sequência de eventos em Apocalipse 19-20 é lido cronologicamente. A volta de Cristo no capítulo 19 leva à punição da besta e do falso profeta. No capítulo 20, diz-se que Satanás está preso por mil anos, período durante o qual os santos que foram ressuscitados reinam com Cristo na terra. Após este período, haverá uma rebelião final e o julgamento do Diabo e de todos aqueles que não ressuscitaram anteriormente.

Já os pré-milenistas dispensacionalistas esperam o milênio dentro de uma série pré-estabelecida de eventos, vendo o retorno de Jesus em duas fases, além de tenderem a esperar um arrebatamento coletivo antes de um período de tribulação (pré-tribulacionismo). Dentre os vários modelos, vale distinguir entre os dispensacionalistas clássicos e progressivos. Os dispensacionalistas clássicos enfatizam um reino milenar futuro e literal no qual Cristo governará a terra por mil anos. Assim, há uma clara distinção entre a era presente e a futura era do reino. Os dispensacionalistas progressivos, embora ainda afirmem um futuro reino milenar, dão ênfase no reino inaugurado, vendo a era atual como uma realização de alguns aspectos do governo do reino de Deus por meio de Cristo, além de considerar os destinos de Israel e da Igreja já unidos desde a cruz. Para os dispensacionalistas progressivos, o reino milenar terá de ser na Jerusalém terrena.

Adeptos do pré-milenarismo temático considera o milênio como um período de tempo simbólico entre o retorno de Cristo e a nova criação (de Ap 21-22). O milênio simboliza os principais temas teológicos do Apocalipse, aliás, o livro é lido (como faz Gordon Fee) principalmente sob aspectos temáticos e não cronológicos. A duração do milênio não deve ser entendida literalmente, mas sim como um contraste com o período relativamente curto de opressão que o povo de Deus experimentará. Essa opressão é caracterizada pelo sofrimento suportado pelos fiéis (Apocalipse 11:2-3, 12:6, 14, 13:5). O propósito do milênio, em resposta a esses sofrimentos, é reverter a dor em alegria. Nesta reversão, os santos, que foram vítimas da violência de Satanás, são justificados, enquanto o próprio Satanás é condenado.

BIBLIOGRAFIA

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