Batistas

Os batistas são um ramo do cristianismo protestante que enfatiza o batismo voluntário e consciente.

Vários separatistas e puritanos ingleses de origens e tendências teológicas diversas aderiram aos princípios batistas e a primeira congregação batista foi fundada pelo exilado inglês John Smyth na Holanda em 1607. Nos Estados Unidos, o pioneiro foi Roger Williams em Providence e os batistas do sétimo dia em Newport, ambos na colônia de Rhode Island.

Em 1792, a sociedade missionária batista foi fundada na Inglaterra por influência de William Carey. Em seguida, em 1814 foi fundada a sociedade missionária estrangeira batista americana, principalmente por meio de Adoniram Judson.

Na esteira do Avivamento Continental, os batistas chegaram à Alemanha pela missão de Johann Gerhard Oncken, que fundou a primeira comunidade batista em Hamburgo em 1834.

Em 1871, batistas emigrados dos Sul dos Estados Unidos organizam a Primeira Igreja Batista no Brasil em Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista.

Na Índia está a maior concentração de batistas no mundo, entre os povos naga e miso, residentes no nordeste do país, onde cerca de 8o-90% da população é batista (2,2 milhões de aderentes). Em números absolutos, os Estados Unidos lideram em membresia e simpatizantes dos batistas, com cerca de 40 milhões de aderentes.

Os batistas em geral são congregacionalistas e não possuem um credo ou confissão comum. Em geral aderem a uma visão zwingliana dos sacramentos (preferem o termo “ordenanças”).

Dada a diversidade dos batistas, é difícil caracterizá-los. Alguns grupos batistas são agrupados em convenções, redes, igrejas multi-campi, ou em alguns casos mais raros, em dioceses, como os batistas episcopais congoleses. Algumas vertentes aderem a confissões de fé batistas, geralmente de expressão reformada, outras rejeitam o confessionalismo. Há batistas de tendências primitivistas, como também há batistas carismáticos ou avivados.

BIBLIOGRAFIA
Bebbington, David. Baptists Through the Centuries: A History of a Global People. Baylor UP, 2010.

Denault, Pascal. The Distinctiveness of Baptist Covenant Theology. Solid Ground Christian Books, 2013.

Early, Joseph Jr. Readings in Baptist History: Four Centuries of Selected Documents. B & H Academic, 2008.

Garrett, James Leo. Baptist Theology: A Four-Century Study. Mercer UP, 2009.

Kidd, Thomas S., and Barry Hankins. Baptists in America: A History. Oxford UP, 2015.

Norman, R. Stanton. The Baptist Way: Distinctives of a Baptist Church. B&H Publishing Group, 2005.

Batistas Primitivos

Os Batistas Primitivos são uma denominação Batista tradicionalista que surgiu nos Estados Unidos no final do século XVIII e início do século XIX.

Os Batistas Primitivos caracterizam-se por suas práticas simples de culto, que frequentemente incluem canto a cappella, oração e pregação extemporâneas. A denominação é descentralizada, com cada congregação sendo independente e auto-governada, com um grupo leigo de anciãos (elders) e diáconos. Praticam o batismo na idade do consentimento e por imersão total. No geral, suas capelas são mantidas por ofertas voluntárias, já que não possuem sociedades missionárias, funcionários em tempo integral ou pastores assalariados. Em comum, rejeitam organizações de serviço fora ou acima da igreja local.

Essas práticas eram comuns a todos os batistas até o final do século XVIII. Depois da Revolução Americana, os batistas americanos começaram a imitar outras denominações. Uma minoria tradicionalista insistiu nessas distintivas até que uma reunião na Igreja Batista de Black Rock em 28 de setembro de 1832 em Butler, Maryland, marcou a separação entre os Batistas Primitivos e outros batistas. As igrejas batistas primitivas predominam nas regiões montanhosas do sul dos Estados Unidos, principalmente nos Apalaches e Ozarks.

As crenças dos Batistas Primitivos podem variar amplamente, com alguns seguindo a teologia calvinista, enquanto outros abraçam o arminianismo ou o universalismo. Apesar dessas diferenças, eles dão grande importância às raízes históricas da tradição Batista e acreditam em manter os “velhos caminhos” e práticas de culto simples e puros dos primeiros cristãos. Eles geralmente são contrários às inovações modernas na teologia e no culto e resistiram a muitas das mudanças que ocorreram em outras denominações Batistas.

Scotch Baptists

Grupo primitivista batista que existiu na Escócia da metade do século XVIII ao XIX.

O grupo iniciou quando dois ex-presbiterianos Robert Carmichael e Archibald McLean (1733–1812) tornaram-se glassitas. Por razões disciplinares, deixaram os glassitas em 1764. No ano seguinte, ficaram convencidos do batismo adulto por imersão. Como não conheciam nenhum batista na Escócia, Carmichael viajou para Londres, onde foi batizado por John Gill. Ao retornar à Escócia, Carmichael batizou outros adeptos e formaram uma igreja aos moldes glassitas, mas com batismo por imersão, conhecidos como Scotch Baptists (batistas escoceses), iniciando sua primeira congregação em Edinburgh.

Apesar de serem não credais ou confessionais, um anúncio de um jornal batista de Londres na década de 1850 revela as práticas e crenças comuns dos Scotch Baptists.

‘Senhor, você me permite perguntar através desse meio do Christian Advocate se houver qualquer pessoa residente em ou perto de Londres, que acredite nas seguintes doutrinas e práticas a serem ensinadas no Novo Testamento e deseje unir-se na comunhão da igreja com aqueles que assim creem:

1. Redenção Particular.

2. Comunicação do conhecimento da verdade salvadora pela Palavra de Deus acompanhada pelo poder do Espírito Santo.

3. Imersão na água numa profissão de crença na verdade.

4. Comunhão semanal na Ceia do Senhor.

5. O ósculo da caridade.

6. A exortação e orações de todos os irmãos nas assembleias da igreja.

7. A leitura constante de porções consideráveis ​​das Escrituras na igreja.

8. Pluralidade de anciãos.

9. Presidência sempre confinada aos anciãos.

10. Atenção à Ceia do Senhor somente sob a presidência de um ancião.

11. Festas de Caridade.

12. Comunhão na Igreja confinada àqueles que são de coração unânime em todas as doutrinas e práticas do Novo Testamento.

Christian Advocate and Scotch Baptist Repository, Beverley, October 1860, p.240.

Diferente dos Glassitas, os Scotch Baptists não apregoavam um separatismo ou uma disciplina rígida, além de serem mais ativos em atividades missionárias.

Havia outros batistas na Escócia, como aqueles influenciados pelos irmãos James Haldane e Robert Haldane, que adotaram alguns princípios e práticas dos Scotch Baptists, inclusive a imersão adulta em 1808. Outros grupos infuenciados pelos batistas ingleses distinguiam-se por suas atitudes moderadas e menos rígidas que os Scotch Baptists. Esses diversos grupos fundiram-se em 1869. Igrejas locais aos poucos perderam as distintivas dos Scotch Baptists até a última congregação, a de Academy Street, Aberdeen, foi dissolvida em 1920.

Houve influências dos Scotch Baptists no movimento das Igrejas de Cristo nos Estados Unidos. Uma congregação local, Kircaldy Church of Christ, em uma cidade no norteste da Escócia é hoje ligada a esse movimento.

BIBLIOGRAFIA

Murray, D. B. (1989). The Scotch Baptist Tradition in Great Britain. Baptist Quarterly: Vol. 33, No. 4, pp. 186-198

Owston, John (1997) “Scotch Baptist Influence on the Disciples of Christ,” Leaven, Vol. 5: 1, 11 https://digitalcommons.pepperdine.edu/leaven/vol5/iss1/11

Vincenzo Melodia

Vincenzo Melodia (1883-1953) ministro do evangelho, teólogo, educador, pacifista e ativista social italiano.

Melodia nasceu em Vittoria, Sicília tornou-se membro comungante da Igreja Valdense local com sua família em 1897. Estudou na Faculdade Batista de Teologia e tornou-se pastor batista em Altamura, Floridia e Messina antes de se mudar para Livorno, Pisa, Viareggio e, finalmente, os Estados Unidos.

Melodia foi candidato socialista nas eleições de 1918/1919 para conselheiro comunal (vereador) de Messina. Em 1920 reporta, com certa hostilidade, a atividade dos pentecostais na região.

Em 1920, Melodia liderou o estabelecimento de uma igreja batista em S. Piero a Patti com mais de cinquenta membros. Contudo, esquadrões fascistas destruíram o local de culto e feriram muitos visitantes sem intervenção policial. Apesar dos riscos significativos, Melodia desafiou o fascismo e participou dos Congressos Internacionais dos Resistentes à Guerra na Inglaterra, França e Suíça.

Seu irmão Vito Melodia aceitou a fé pentecostal nos meados dos anos 1920. Provavelmente isso refletiu na mudança de atitude por parte de Vincenzo. Escreveu um livro sobre os anabatistas, Pellegrini di un mondo ignoto. Racconto storico-sociale del sec. XVI, refletindo seus interesses sociais e pacifistas, bem como a teologia de igreja livre.

Como o fascismo continuou a monitorá-lo, Melodia se refugiou nos Estados Unidos em 1940 após a prisão de seu filho Giovanni. Seu filhos Giovanni e Davide seriam deportados para o campo de concentração de Dachau, mas sobreviveriam. Fundou e dirigiu “Il Faro”, a publicação oficial das Igrejas Cristãs Italianas da América do Norte. Em Nova Iorque ministrava aulas bíblicas e teológicas em uma instituição criada por ele, a Scuola Teologica Italiana.

Nessa época, publicou um livro, um dos primeiras obras de teologia chancela denominacional, com o título La Chiesa dei primogeniti scritti nei cieli: il popolo dei riscattati all’alba delle sue origini testimonianze della storia e delle Scritture alla Chiesa Apostolica (1943). Publicaria também um Manuale Biblico, um conciso dicionário das Escrituras (1951).

Retornou à Itália em 1951. Visitou e serviu os crentes na Calábria e Sicília. Faleceu em Reggio Calabria, na oração que fazia em um almoço para comemorar seu aniversário.

Hoje, uma praça em Vittoria, Sicília, leva seu nome em homenagem a suas contribuições à igreja valdense e à fé cristã, suas crenças pacifistas e sua resistência contra o fascismo.

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