Comentário de Habacuque

Comentário de Habacuque, pesher Habakkuk, 1QpHab é um dos primeiros manuscritos do Mar Morto a ser descoberto e publicado. O comentário utiliza o texto do Livro de Habacuque para interpretar eventos contemporâneos. Argumenta que há um Mestre da Justiça que conhece o verdadeiro significado das Escrituras e está em comunhão com Deus. Tal mestre tem como oponentes o Sacerdote Mau e o Homem das Mentiras.

1QS – Regra da Comunidade

O manuscrito 1QS ou Regra da Comunidade (anteriormente Manual de Disciplina) é um dos primeiros encontrados nas cavernas do Mar Morto.

Era um documento importante da Comunidade de Qumran, pois instruía nas normas de admissão e pertencimento ao grupo

Possui quatro partes.

Inicia com instruções para a admissão de novos membros e para um festival anual de renovação do pacto.

A segunda parte expõe a doutrina dos dois espíritos: concepção dualista dos espíritos e filhos da luz contra os espíritos das trevas ou filhos da maldade.

Seguem as regras para a ordem da comunidade, incluíndo um catálogo de punições.

Termina com instruções para a oração e um salmo.

Hemerobatistas

Os hemerobatistas (em grego, “imersionistas diários”, em hebraico Tovelei Shaḥarit) eram uma comunidade religiosa no período final do Segundo Templo e Antiguidade tardia que praticava imersões diárias para purificações rituais.

Seriam uma provável divisão de essênios que se banhavam todas as manhãs antes da hora da oração para pronunciar o nome de Deus com o corpo limpo.

As fontes sobre os hemerobatistas são escassas. Aparecem mencionados em escritos judaicos e cristãos a partir do século I e até o século III e IV d.C. Uma das primeiras menções delesseria um hemerobatista, Banus, que foi professor de Josefo (Vita, § 2), um ascético que vivia no deserto e comia o que a natureza providenciava, tendo vivido no início do século I d.C. No tempo de Josué ben Levi no século III d.C. um remanescente ainda existia (Ber. 22a).

No Talmude aparecem os hemerobatistas acusando os fariseus de “errarem ao pronunciar o Nome pela manhã sem ter tomado o banho ritual; ao que os fariseus responderam: ‘Nós os acusamos de erro ao pronunciar o Nome com um corpo impuro por dentro'”.(Tosef., Yad., final)

A literatura clementina identifica de João Batista e seus discípulos como um hemerobatistas, e os discípulos de João são chamados de “Hemerobatistas” (Homilias, 3. 23; Reconhecimentos 1. 54). É possível que haja uma conexão com os mandeus.

Hegésipo, mencionado por Eusébio (História Eclesiástica 4. 22) conta os hemerobatistas como uma das sete seitas ou divisões dos judeus contrárias aos cristãos. Justino Mártir (Diálogo com Trifão § 80) chama-os simplesmente de “batistas”. Epifânio (Panarion 1:11:1:1-11:2:5.) diz que os hemerobatistas negam a salvação futura àquele que não se submete ao batismo diariamente.

A Didascalia (Constituições Apostólicas, 6. 6) diz que os hemerobatistas “não comem antes de tomarem banho, e não fazem uso de suas camas, mesas e pratos antes de limpá-los”. Nessas duas fontes, os hemerobatistas são expressamente diferenciados dos essênios. A descoberta da Comunidade de Qumran e dos Manuscritos do Mar Morto reacendeu o debate sobre a identificação dos hemerobatistas. A Comunidade do Mar Morto praticava abluções rituais frequentes, como atestada pelas piscinas de banhos rituais, mas nada foi encontrado nos manuscritos que os associassem aos hemerobatistas.

BIBIOGRAFIA
Kohler, Kaufmann. “Hemerobaptists”. Jewish Encyclopedia, 1906. V. 6, p.344.

Comunidade de Qumran

A Comunidade de Qumran era um grupo sectário ascético judaico estabelecidos no deserto da Judeia aproximadamente entre 150 a.C. e 68 d.C. São famosos os Manuscritos do Mar Morto, coleção de textos bíblicos e de outras literaturas encontrados próximos ao sítio arqueológico da comunidade, perto do Wadi Qumran, na costa noroeste do Mar Morto.

A misteriosa comunidade não é mencionada nem no Novo Testamento, nem por autores contemporâneos como Filo, Josefo, os tanaítas, a patrística ou os historiadores greco-romanos. No entanto, há especulações que identificam a Comunidade Qumran com os therapeutae e com os essênios (mencionados por Plínio, o Velho. História Natural 5.15.73). Outras hipóteses menos aceitas identificaram a Comunidade de Qumran com os fariseus, saduceus, ebionitas, cristãos judeus e caraítas.

Suas origens são obscuras. Há a hipótese de que seria a comunidade aos Ḥassidim (os piedosos mencionados em 1 Mc 2:42) da revolta dos Macabeus (167–165 a.C.). Quando os macabeus mesclaram política e o sacerdócio e o sumo sacerdócio foi assumido por Jônatas (152 a.C.), os Ḥassidim romperam com os sacerdotes de Jerusalém e se retiraram para o deserto da Judeia. Adotando a designação de “os filhos de Zadoque”, possivelmente da linhagem de famílias sacerdotais zadoquitas destituídas. Outra hipótese é que seriam os “retornados de Israel” (Documento de Damasco 4.2; 6.5). Esses israelitas retornaram do cativeiro babilônico depois da revolta dos macabeus, mas que estranharam as diferenças religiosas e consideravam corrompido o sacerdócio de Jerusalém.

O fim da Comunidade de Qumran coincide com a Primeira Guerra Judaica, quando os romanos cercaram Jerusalém. Os remanescentes esconderam os famosos manuscritos em jarros nas cavernas próximas até suas descobertas no século XX.