Munus Triplex

Munus Triplex ou os três ofícios de Cristo é um conceito teológico que ensina que Cristo cumpre três ofícios como Salvador: Profeta, Sacerdote e Rei.

Cristo é o Profeta que ensina e revela a verdade de Deus; o Sacerdote que se oferece em sacrifício pela remissão dos pecados; e o Rei que reina sobre toda a criação.

A doutrina tem raízes na Idade Média e tornou-se padrão na Reforma Protestante. Foi abraçado por várias tradições teológicas, incluindo reformada, luterana e anglicana. Foi um conceito estruturante na teologia de Karl Barth.

As referências bíblicas para a doutrina Munus Triplex podem ser encontradas em todo o Antigo e Novo Testamento, como:

  • Profeta: Deuteronômio 18:15; Mateus 13:57; João 6:14; Hebreus 1:1-2.
  • Sacerdote: Salmo 110:4; Hebreus 4:14-16; 9:11-14.
  • Rei: Salmo 2:6; Mateus 28:18; Colossenses 1:15-20.

Em Zacarias 6:12-13 há a expectativa de um rei justo que fundiria seu papel com o sacerdócio do templo.

Encarnação

A encarnação é uma doutrina central do cristianismo que afirma que Deus se tornou carne, assumindo a natureza humana na pessoa de Jesus Cristo. Este princípio fundamental sustenta que Jesus é totalmente divino e totalmente humano, uma união conhecida como união hipostática.

A doutrina da encarnação proclama que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Esse ensinamento enfatiza que o Verbo eterno de Deus, a segunda pessoa da Trindade, tomou forma humana, habitando verdadeiramente entre os homens na pessoa de Jesus de Nazaré, e não de forma metafórica. A união hipostática descreve a união única das naturezas divina e humana em Jesus Cristo. Essa união, no entanto, não mistura nem diminui as duas naturezas; ambas permanecem distintas, mas inseparáveis. Cristo não é parcialmente Deus e parcialmente humano, mas plenamente ambos.

A encarnação tem múltiplos propósitos na teologia cristã. A encarnação é um meio de revelação: ao se tornar humano, Deus se revela de forma tangível e acessível. A vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus oferecem a revelação suprema do caráter e dos propósitos de Deus. Ademais, a encarnação é essencial para a redenção humana, pois, ao se tornar humano, Cristo pôde identificar-se com a humanidade, vencer o pecado e a morte. A encarnação também promove a reconciliação, pois preenche a lacuna entre Deus e a humanidade causada pelo pecado, sendo o primeiro passo para restaurar o relacionamento rompido. Além disso, a vida de Jesus como ser humano oferece o exemplo perfeito de como viver em obediência a Deus.

Além de João 1:14, diversos outros trechos bíblicos fundamentam a doutrina da encarnação. Referente à kenosis, Filipenses 2:5-11 descreve o “esvaziamento” de Cristo, que assumiu a forma de servo e foi obediente até a morte. Colossenses 1:15-20 apresenta Cristo como a imagem do Deus invisível, em quem toda a plenitude de Deus habita. A encarnação permitiu que Cristo torna-se o representante da humanidade diante de Deus, como em Hebreus 2:14-18 ocorre a identificação de Cristo com a humanidade, tornando-se um sumo sacerdote misericordioso e fiel.

De acordo com a Bíblia (João 1:14, Colossenses 1:19-20, Hebreus 2:17-18, Filipenses 2:5-8, 1 João 3:8, Lucas 2:10-11, João 3:16, Lucas 2:13-14), o nascimento de Cristo faz parte da reconciliação da humanidade com Deus. Quando Deus assumiu forma humana em Jesus, Ele preencheu o abismo que separava a humanidade do divino. A encarnação é um ato de amor e humildade para restaurar nosso relacionamento com Ele.

Nenhum ato isolado de Cristo proporcionou a expiação. A obra de reconciliação envolve sua encarnação, ensinamentos, obras maravilhosas de serviço, vida exemplar, morte, vitória sobre a morte na ressurreição e ascensão.

O nascimento de Jesus marca um novo começo, um recomeço para a humanidade sobrecarregada pelo pecado. Por meio de Sua vida, morte e ressurreição, Jesus abriu o caminho para o perdão e a reconciliação, permitindo-nos experimentar paz e plenitude com Deus. O nascimento de Cristo inicia o caminho para a redenção e para um relacionamento restaurado com nosso Criador.

A heresia que nega algum dos aspectos da encarnação é chamada de docetismo.

BIBLIOGRAFIA

Atanásio. Sobre a encarnação do Verbo.

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Quádruplo Pentecostal

O Quádruplo Pentecostal (também articulado como Quíntuplo), é uma estrutura cristológica que concebe a obra de Cristo para expressa a experiência pentecostal de salvação.

O Quádruplo se concentra em quatro ou cinco temas principais: salvação, santificação, batismo no Espírito Santo, cura divina e, em algumas formulações, a iminente chegada do Reino de Deus. Essa estrutura, com raízes no movimento de santidade e pentecostal do início do século XX, articula a crença na obra contínua de Cristo e do Espírito Santo na vida dos crentes.

O Quádruplo Pentecostal não segue uma ordem rígida, e a ênfase em cada elemento varia entre diferentes grupos pentecostais. A salvação, como ponto de partida, representa o início da jornada cristã. A santificação é vista como um processo contínuo de purificação e crescimento espiritual. O batismo no Espírito Santo é uma experiência transformadora que capacita os crentes para o serviço e a vida cristã plena. A cura divina, tanto física quanto emocional, é vista como uma manifestação do poder de Deus. A escatologia, com a expectativa da volta de Cristo e do Reino de Deus, completa o quadro do Quádruplo Pentecostal.

Essa estrutura teológica molda a vida e a prática dos pentecostais, influenciando seu culto, evangelismo e visão de mundo. O Quádruplo Pentecostal destaca a experiência pessoal com Deus, a atuação do Espírito Santo e a expectativa da manifestação do Reino de Deus na vida presente.

VEJA TAMBÉM

Munus Triplex

Theios aner

Em grego theios aner significa homem divino. O termo aparece na filosofia grega referente a uma pessoa relacionada aos deuses e capaz e de realizar milagres e atos sobrenaturais.

BIBLIOGRAFIA

Betz, Hans-Dieter. “Jesus as Divine Man.” In Jesus and the Historian: Written in Honor of Ernest Cadman Colwell, edited by F. Thomas Trotter, 114–33. Philadelphia: Westminster, 1968.

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