Termo aplicado a diversos grupos de judeus que também seguiam o cristianismo.
No Novo Testamento aparecem como um facção que exigia que os gentios convertidos observassem as leis judaicas, como as da circuncisão, feriados e preparação de alimentos (Gl 2; At 15), opondo-se ao entendimento de Paulo.
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Gentio
Gentios, em grego ἔθνη, ethne; em hebraico גּוֹיִם, goyim, seriam os membros das nações. Os não israelitas a partir do período do Segundo Templo passaram a receber essa designação.
No Antigo Testamento, goyim geralmente se refere a outros povos em contraste com Israel, o povo escolhido por Deus. O termo, em si, não possui uma conotação inerentemente negativa, mas o contexto pode implicar diferença religiosa, cultural e, por vezes, hostilidade.
No Novo Testamento, ethne mantém esse significado geral de “nações” ou “povos”, mas adquire uma dimensão teológica específica no contexto da missão cristã. Os “gentios” passam a ser o alvo da pregação do Evangelho, e a inclusão dos gentios na comunidade cristã torna-se um tema central, especialmente nas cartas de Paulo. A distinção entre judeus e gentios, embora reconhecida, é superada em Cristo, em quem “não há judeu nem grego” (Gálatas 3:28). A Igreja, portanto, é formada tanto por judeus quanto por gentios que creem em Jesus.
Supersessionismo
Supersessionismo é a doutrina de que os cristãos (o povo da “nova aliança”) substituíram os israelitas (o povo da “velha aliança”) como povo de Deus. Contrapõe às doutrinas de aliança dual, na qual a Aliança ou a Torá permanece válida para os israelitas, enquanto a Nova Aliança se aplica apenas aos cristãos.
Outras economias de relação Israel e Nova Aliança, especialmente no judaísmo messiânico, vê o plano divino como monolítico, sendo os gentios um enxerto em Israel.
Há várias vertentes do supersessionismo:
- Substitucionismo: a Igreja é o novo ou verdadeiro Israel que substituiu para sempre a nação de Israel;
- Supersessionismo punitivo: Israel foi punido por sua rejeição de Cristo;
- Supersessionismo econômico: o plano divino reservou um papel a Israel que se expirou com a vinda de Cristo;
- Superssessionismo estrutural: Deus não foi plenamente revelado como redentor nas Escrituras Hebraicas e para o antigo povo de Israel;
- Marcionismo: o Deus dos hebreus era um deus malévolo, sendo o verdadeiro Deus somente revelado a partir de Jesus Cristo. Tal doutrina foi reformulada no chamado cristianismo positivo do nazismo.
Embora nem toda forma de supersessionismo seja necessariamente antissemita, praticamente todas formas de teologia da cristandade que foram antissemitas possuíam uma ou outra forma de supersessionismo.
VEJA TAMBÉM
Antissemitismo
Lei e Graça
Dispensacionalismo
Judaizantes
Judaísmo messiânico
Neo-israelismo
Teologias da Aliança
BIBLIOGRAFIA
Bird, Michael F., and Scot McKnight, eds. God’s Israel and the Israel of God: Paul and Supersessionism. Lexham Academic, 2023.
Diprose, Ronald E. Israel and the Church: The Origins and Effects of Replacement Theology. Rome: Instituto Biblico Evangelico Italiano, 2000.
Igreja Católica Apostólica Romana. Nostra aetate. Concilio Vaticano II, 1965.
Kaiser, Jr., Walter C. “An Assessment of ‘Replacement Theology’: The Relationship Between the Israel of the Abrahamic–Davidic Covenant and the Christian Church,” Mishkan 21 (1994):9.
Vlach, Michael J. “Various forms of replacement theology.” Master’s Seminary Journal 20, no. 1 (2009): 57-69.
Judaísmo Rabínico
A religião abraâmica chamada de judaísmo, mais precisamente judaísmo rabínico, é fundamentada em uma relação de aliança entre o povo israelita e Deus, conforme transmitida pela Torá escrita e oral preservada pelos rabinos.
Após a destruição do Segundo Templo de Jerusalém pelos romanos em 70 a.C, emergiu o judaísmo rabínico ou normativo. Com os remanescentes dos fariseus, o judaísmo encontrou na preservação da Lei (Torá) o meio de substituir o Templo destruído. Assim, a Lei Oral, ou a tradição dos anciãos, foi desenvolvida e compilada no Talmude.
O período dos diferentes sábios da era rabínica pode ser dividido em Zugot (século II aC), Tannaim (século II a III dC), Amoraim (século III a V dC), Savoraim (século V a VII dC), Geonim (século VII a XI século d.C), Rishonim (séculos XI a XV d.C) e Acharonim (séculos XVI a XIX d.C).
Ao longo de sua história, o judaísmo desenvolveu diferentes correntes denominacionais, incluindo ortodoxos, reformistas, conservadores e reconstrucionistas. O misticismo judaico também desempenhou um papel significativo, com o surgimento da Cabala na Idade Média e do hassidismo em contrapartida ao Iluminismo.
Os princípios centrais do judaísmo incluem a crença em um Deus, a importância da Torá e seus mandamentos e o conceito de Tikkun Olam ou consertar o mundo. A vida social e ritual do judaísmo inclui a observância semanal do sábado, oração diária, leis dietéticas kosher, circuncisão e vários festivais e feriados, como a Páscoa e o Yom Kippur.
O judaísmo tem uma longa história de enfrentamento do anti-semitismo, desde os tempos antigos até os incidentes modernos. Isso levou à perseguição, discriminação e violência contra as comunidades judaicas, culminando no Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial. A perseguição serviu também para definir a identidade e distinção entre judeus e gentios (não judeus).
Apesar de suas diferenças, o judaísmo compartilha muitos pontos em comum com outras religiões abraâmicas, como o samaritanismo, o cristianismo, os Beta Israel, o caraísmo, o islã, os druzos e a fé baha’i. Isso inclui a crença em um Deus, a importância dos textos religiosos e uma história compartilhada no Oriente Médio.
