Metástase de João

A Metástase de João é uma lenda não canônica que narra a morte do apóstolo João, com versões relacionadas encontradas em diversos manuscritos dos Atos de João (106-115). A narrativa inclui o relato da descida de João à sepultura que ele próprio ordena a seus discípulos que cavem.

As versões independentes da Metástase de João, provavelmente originadas em siríaco, datam dos séculos IV-V. Apesar de sua antiguidade, essa obra nunca alcançou grande aceitação nas igrejas primitivas.

Apocalipse

a Visão do que está reservado aos filhos de Deus na nova Criação é retratado no livro chamado de Apocalipse de João.

O livro de Apocalipse (Revelação em grego) foi escrito por um cristão chamado João enquanto estava exilado na Ilha de Patmos, no mar Egeu, devido a uma perseguição contra os cristãos no final do século I d.C.

Com abundantes simbolismos, o Apocalipse contém cartas e visões, renovando uma mensagem de esperança meio à dor e às lágrimas. Oferece um vislumbre do que aguarda os fiéis.

O gênero textual apocalíptico refere-se às visões que arrebatavam seus visionários. Um dos primeiros textos desse gênero é a Visão de Balaão, a inscrição de Deir Alla (KAI 312) encontrada na parede das ruinas de uma habitação na Jordânia e com data estimada do século VIII. No Antigo Testamento boa parte do livro de Daniel são visões apocalípticas.

SAIBA MAIS

Gorman, Michael J. Reading Revelation responsibly: Uncivil worship and witness: Following the Lamb into the new creation. Wipf and Stock Publishers, 2011.

Evangelho de João

apresenta como Jesus Cristo, o Logos (Verbo, Palavra) divino, se revela à humanidade para proporcioná-la uma relação íntima com Deus. Distinto dos outros três evangelhos, há discursos mais longos de Jesus.

COMPOSIÇÃO

O Quarto Evangelho é tradicionalmente atribuído a João, filho de Zebedeu, um dos Doze (ver Mc 1,19; 3,17; etc.), identificado como o “discípulo amado”. O evangelho pode ter sido escrito por discípulos de João ou alguém a quem ele ditou (ver Jo 21:24). A data de sua composição é estimada ser de cerca de 90 d.C.

Apesar de hoje não ser identificado como o mesmo autor de outra literatura joanina — as três epístolas e o Apocalipse — geralmente é agrupado juntos, devido um alinhamento temático. A tradição localiza sua composição na Ásia Menor, em Éfeso.

Seu contexto parece estar situado em um ambiente desafiador: perseguição romana, tensões com judeus, negação docética da humanidade de Jesus e apelo aos discípulos de João Batista.

TEMAS

O evangelho de João apresenta vários conteúdos distintos dos evangelhos sinóticos. Seus sinais e discursos também são únicos.

Os sete “Eu sou” enunciados, uma diferente ordem cronológica, antíteses (“luz” x “trevas”) e comparações fazem dessa narrativa singular.

É possivel que o evangelho de João tenha sido estruturado ou aproveitado elementos estilístico de gêneros dramáticos gregos.

ESTRUTURA

Tradicionalmente, o Quarto Evangelho é dividido em:

  • Prólogo ou o Hino da Palavra (João 1:-1:18);
  • Livro dos Sinais (1:19 a 12:50);
  • Livro da Glória (ou da Exaltação) (13:1 a 20:31);
  • Epílogo (capítulo 21)

COMPARAÇÃO COM OS EVANGELHOS SINÓTICOS

João não enfoca tanto episódios como os evangelhos sinóticos, mas possui passagens longas com milagres e longos discursos correlatos. A narrativa combina uma organização cronológica com esquematização geográfica, estruturada ao longo de sete sinais miraculosos (Jo 2:1-11; 4:46-54; 5:1-15; 6:1-15; 6:16-21; 9:1-41; 11:1-44).

Nas falas de Jesus há um frequente uso de trocadilhos, duplo sentido e ironia.

O tratamento dos oponentes de Jesus são como cegos. Há a insistência de que seu reino não está em competição com o Império Romano.

Em João, o ministério de Jesus se estende por três Páscoas, não em um único ano. Jesus causa uma perturbação no Templo no início de seu ministério, não no seu fim. Cura os enfermos e ressuscita os mortos, mas não há exorcismos.

Tematicamente, seus ensinos não são focados na ética, tal como encontrados nos Sinópticos. Em vez disso, concentra-se em identificar-se como a revelação definitiva de quem é Deus e do que Deus espera da humanidade, ou seja, a união com Deus em uma vida de amor.

Seu relato da ressurreição se assemelha ao de Lucas, com histórias de aparições de Jesus em Jerusalém e em uma praia da Galileia.

ESBOÇO
Prólogo e o encontro com João Batista e os primeiros discípulos (1).

Cristo transforma a água em vinho, purifica o templo, instrui sobre o novo nascimento e é testificado por João Batista (2-3).

Encontram-se com uma mulher samaritana (4:1-42).

Jesus realiza vários milagres (4:43-6).

Em Jerusalém, Jesus participa da Festa dos Tabernáculos (7).

Defende uma mulher apanhada em adultério (8:1-11).

Vários ensinos e sinais miraculosos na última semana de Jesus (9-17).

Jesus é preso, julgado, crucificado (18-19).

Sua tumba é encontrada vazia e ele aparece em Jerusalém (20) e na Galileia (21).